Fonte: O diagramador que lidera os Jornalistas
Fonte: O diagramador que lidera os Jornalistas
Guto Camargo, 44 anos, é o primeiro diagramador a ocupar a presidência do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S.Paulo. Ele foi eleito depois de (mais) um tumultuado processo, onde duas chapas, uma de situação, ligada ao campo majoritário do PT, outra de oposição, formada pelo PSTU, PSOL e correntes à esquerda do PT, trocaram acusações e ataques. Guto começou sua carreira na grande imprensa no Diário Popular , no começo dos anos 80. Passou pela Gazeta Mercantil , Gazeta Esportiva , Shopping News . Seu último emprego, antes de abraçar o movimento sindical, era no DCI , que ainda paga seu salário. Nesta entrevista para IMPRENSA ele tira dúvidas que muitos jornalistas sempre tiveram, mas nunca tiveram tempo, ou paciência, para perguntar.
IMPRENSA - Em algum momento, durante o processo eleitoral do Sindicato, que foi muito acirrado, pesou contra você o fato de não ser um jornalista stricto sensu ?
Guto - Ninguém falou nada diretamente. Quem pleiteia um cargo em eleição sindical não leva isso a sério. Seria negar o próprio papel da representação sindical. Eventualmente, um ou outro jornalista, de um espectro um pouco mais conservador, pode considerar isso uma coisa meio diferente. Tem gente que ainda discute se assessoria de imprensa é ou não é jornalismo.
IMPRENSA - O diagramador é um jornalista?
Guto - A lei tem quatro funções jornalísticas, onde o profissional obtém o registro sem ter o diploma universitário: diagramador, repórter fotográfico, repórter cinematográfico e ilustrador. Esses quatro casos estão previstos na lei, mas essa situação está para mudar. Na pauta do Senado há uma nova divisão das funções jornalísticas.
IMPRENSA - E qual é a tendência? Que o diagramador deixe de ser jornalista?
Guto - Não. A tendência é que se exija o diploma para essas funções. ( Os diagramadores ) Teriam que cursar uma faculdade de Jornalismo.
IMPRENSA - Em que pé está essa lei?
Guto - Está no Congresso, "rolando" nas comissões em Brasília há mais de dez anos. Pouco tempo atrás, foi incluída na pauta do Senado, para ser votada. Passou pelas Comissões de Justiça, Ciência e Tecnologia.
IMPRENSA - Quantos jornalistas existem hoje filiados ao sindicato? Quantos jornalistas vocês acreditam que existam no mercado, no Estado?
Guto - São 4.600 filiados, que pagam a mensalidade. Mas nós temos um mailling de oito mil jornalistas, que são aquelas pessoas que não estão em dia, que deixaram de ser do Sindicato ou já foram em algum momento e não são mais. Se a gente for pensar em quantos se formam por ano, é um absurdo. Existem mais de 50 faculdades no Estado de São Paulo, em uma conta por baixo. Se cada faculdade formar duas turmas de trinta, isso vai dar três mil jornalistas por ano ingressando no mercado. A maioria acaba não exercendo a profissão.
IMPRENSA - Quantos, mais ou menos, estão trabalhando?
Guto - Uns 18 mil.
IMPRENSA - É um número baixo de filiados...
Guto - Estamos dentro da média dos sindicatos brasileiros. Até um pouco acima. Se você pegar a média de sindicalizados dá uns 30, 40%. A média de sindicalização no Brasil é de 20, 25 %. A média de sindicalização está baixa no mundo inteiro, em todas as categorias.
IMPRENSA - Hoje, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo é próximo ao Partido dos Trabalhadores? Você é filiado ao PT?
Guto - Sou filiado ao PT, mas não paguei ( as últimas mensalidades ). Mas já fui militante, participei de campanha.
IMPRENSA - De que corrente você é?
Guto - Sou da Articulação (campo majoritário).
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Sã o Paulo
- Fundado em 15 de abril de 1937, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo conta com 4.500 filiados
- O seu último presidente foi o jornalista Fred Ghedini, que atualmente é vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas
- A direção do Sindicato é composta por uma Executiva, Conselho de Diretores, Diretoria Plena, Conselho Fiscal, diretores regionais e de base e Comissão de Registro e Fiscalização do Exercício Profissional, somando 61 jornalistas.
- A escolha do corpo diretivo acontece a cada três anos.
- Em 2006 concorreram duas chapas: "Sindicato Forte", encabeçada por Guto Camargo, somou 726 votos, e "Democracia pra Valer, Sindicato é pra lutar!", do candidato Pedro Pomar, alcançou 548. A comissão eleitoral ainda registrou 15 votos nulos e 11 brancos.
- Uma das principais fontes de renda do SJSP é o imposto sindical. Ele é pago todos os anos, no mês de março, por jornalistas com contrato na carteira de trabalho.
- O montante dessa contribuição é repartido entre o Sindicato, a Federação Nacional dos Jornalistas, a Confederação Nacional dos Jornalistas e o Ministério do Trabalho
- Em 2005 contribuíram 4.552 jornalistas
- No passado o Sindicato conquistou notoriedade com a articulação de duas grandes greves, realizadas em 1961 e 1979
- Também foi uma das principais lideranças no movimento pela abertura política do Brasil nos tempos de ditadura militar, após a morte de Vladimir Herzog.
- Em 2004, o Sindicato amargou derrota ao não conseguir a implantação do Conselho Federal de Jornalismo.
Leia matéria completa na edição 213 de IMPRENSA






