Fonte - Boris Casoy: "Foi uma negociação Humilhante"
Fonte - Boris Casoy: "Foi uma negociação Humilhante"
" Eu não faria com prazer uma imitação do ´Jornal Nacional`"
Pressão do governo? Audiência? Política interna? Pesquisas de opinião? Nem Boris Casoy sabe por qual desses motivos foi demitido da Record. Sabe-se apenas que a relação entre ele e os dirigentes da emissora manteve-se tensa durante o segundo semestre de 2005. Insatisfeitos com a persistente média de cinco pontos no Ibope do "Jornal da Record", a emissora decidiu gastar tanto quanto fosse necessário para transformar o principal telejornal da casa em um clone do "Jornal Nacional". Boris Casoy detestou a idéia. Foi então que os problemas começaram.
Nesta entrevista exclusiva para IMPRENSA, Boris conta os bastidores de sua saída da Record, mas ainda não conta qual será o seu futuro profissional. Apesar de negociações avançadas com várias emissoras - entre elas, a TV Cultura - o futuro de Boris seguia indefinido até o fechamento desta edição.
IMPRENSA - Muitas versões diferentes têm aparecido na mídia sobre o seu futuro profissional. Já falaram que você iria para Band, SBT...
Boris Casoy - A maioria destas notícias é pura especulação. Mas é evidente que estou conversando com as emissoras. Só não quero adiantar nada por enquanto.
IMPRENSA - Fontes do alto escalão da Record afirmam que, no começo do ano passado, encomendaram uma pesquisa onde o público apontou diversos problemas no seu telejornal: lentidão, excesso de opinião, overdose de manchetes de Brasília. Por isso, decidiram promover uma mudança radical, mas você não aceitou...
Boris - Em primeiro lugar, eu coloco dúvidas sobre a metodologia aplicada. Trata-se de uma pesquisa de mercado, auxiliar, ligeira e que sofre contestações científicas. De qualquer forma, nós combinamos um tipo de pesquisa e a Record fez outra. E o resultado não apontou nada disso. Não disse que havia comentários demais, nem excesso de notícias de Brasília. É importante ressaltar que a pesquisa não era sobre o nosso telejornal, mas comparativa entre o "Jornal da Record" e o "Jornal Nacional".
A pesquisa, de fato, apontou várias falhas. Entre elas, que o cenário novo, que já era parecido com o da Globo, era muito ruim. E sugeriu, entre outras coisas, que se melhorasse a reportagem e que faziam falta correspondentes internacionais.
PERFIL
Filho de imigrantes russos, Boris Casoy nasceu em 13 de fevereiro de 1941, em São Paulo.
Desde o início de sua vida, Boris Casoy travou uma luta contra a poliomielite, tendo conseguido andar somente aos nove anos, após cirurgia realizada nos Estados Unidos.
Em 1956, com 15 anos de idade, inicia a sua carreira como radialista esportivo. O rádio seria uma de suas paixões, além do Palmeiras.
Iniciou estudos na Faculdade de Direito do Mackenzie, mas, perto do fim, desistiu do curso, voltando sua atenção para o trabalho em rádios. O jornalista foi locutor da Eldorado, Panamericana, Piratininga e Santo Amaro.
Ao contrário do que se costuma comentar sobre Boris, no período em que foi líder estudantil, ele jamais pertenceu ao antigo grupo CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Segundo ele, a extinta revista O Cruzeiro cometeu um erro ao colocá-lo na lista.
Fora das redações, em 1971, foi secretário de imprensa do governo de José Carlos de Figueiredo Ferraz, na Prefeitura de São Paulo; dos secretários de Estado, Herbert Lévy e Antonio Rodrigues Filho; e do ex-ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, no governo Médici.
Entre 1974 e 1976, foi diretor de redação da Folha de S.Paulo . Retornou ao cargo em 1977, onde permaneceu até 1988. Na Folha , Boris foi também editor de política e da seção "Painel".
Após a passagem pelo impresso, em 1988, Casoy é convidado como âncora do TJ Brasil, programa dirigido pelo jornalista Marcos Wilson
No canal de Silvio Santos, ele ficaria famoso por seus comentários incisivos e pela frase "Isso é uma vergonha". Lá ele montou uma boa equipe de jornalismo, com nomes como o de Mônica Waldvogel.
Leia matéria completa na edição 211 (abril) de IMPRENSA






