"Folhinha" completa 50 anos encarando o desafio de se adaptar às mudanças do mundo
A Folhinha, tradicional suplemento infantil do jornal Folha de S.Paulo, completou 50 anos no último domingo (08/09). Para marcar a data, o caderno de sábado lembrou várias aventuras ao longo dessa história.
Atualizado em 09/09/2013 às 16:09, por
Maurício Kanno.
do jornal Folha de S.Paulo , completou 50 anos no último domingo (08/09). Para marcar a data, o caderno de sábado lembrou várias aventuras ao longo dessa história. Além disso, tem organizado vários eventos, a Roda da Folhinha, com Renato Aragão, Mauricio de Sousa e Pedro Bandeira.
Crédito:Reprodução Primeira edição da Folhinha, publicada em 1963
As comemorações já começaram desde o fim de dezembro do ano passado, com uma caixa no site republicando, refazendo reportagens antigas e buscando personagens que apareceram antes.
Mais regras “Houve uma reportagem da primeira edição que tentamos refazer em dezembro do ano passado, em que a criança foi medir o pescoço da girafa com uma régua”, conta a atual editora, Laura Mattos. “Mas agora os funcionários não deixaram as crianças chegarem perto da girafa. Nem mesmo um biólogo podia fazer isso, com régua e tal, para não estressar a girafa.”
Ela considera que as transformações do caderno refletem a mudança geral da própria sociedade: “A editora levava crianças para fazer reportagem numa kombi, mas hoje em dia há uma questão mais delicada em relação a regras, trânsito, legislação, responsabilidades e segurança”, explica. O mundo seria antes mais simples de alguma maneira.
A editora antiga levava também as crianças ao teatro, tinha foto com elas até em cima da combe. “Esse tipo de operação não seria possível hoje, iam me prender se fizesse algo assim”, compara Laura.
Outra matéria antiga que tentaram refazer foi uma em que a diretora da Escola de Aplicação da USP tinha trazido uma oncinha da Amazônia para as crianças verem. Mas um repórter atual, ao buscar a escola, viu que as pessoas lá não conheciam a história; no máximo havia uma pele de onça na diretoria. De todo modo, seria impensável deixar as crianças com esse tipo de contato com o animal hoje.
“Foi uma oportunidade para refletir sobre como a legislação mudou. Não se tinha noção de como seria perigoso tanto para os animais como para as pessoas esse contato. E também valeu para pensar sobre o método de ensino”, conta a editora do caderno.
Espaço, visual e marcos Outra das diferenças entre o jornal dos primeiros tempos e o de hoje é que antes havia mais espaço. Se bem que hoje há também o site, teoricamente com espaço ilimitado.
Na parte gráfica, a editora diz que a "Folhinha" desde o início foi bastante ousada e criativa, ou seja, bem ilustrada. Era um espaço de experimentação visual, com mais flexibilidade que o restante do jornal. E no começo tinha o traço de Mauricio de Sousa – que fez a capa da nova edição para a comemoração. Seus personagens, aliás, cresceram no caderno e nela ganharam cor.
Outros episódios marcantes na história do suplemente são o Clube da Folhinha, que dava ingressos; e a coluna de moda da Augustinha, com “dicas de elegância e bom tom”, ambos nos anos 1960. Além de vários autores importantes que escreveram para o caderno, como Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Ziraldo e Tatiana Belinky.
A década de 1980 foi particularmente ousada do ponto de vista gráfico e editorial quando estreou o Geraldinho de Glauco. Havia matérias sobre puberdade, entre outros temas que até hoje seriam tabu. “A Folhinha acompanhava a maior ousadia e liberdade da Folha no geral, com o fim da censura”, diz ela.
Nos anos 1990, foram trabalhados vários assuntos de adulto com visão de criança, como uma capa sobre Aids. Nos anos 2000, outros assuntos difíceis de destaque foram o Mensalão e os protestos pelo Brasil.
Hoje, o maior desafio da "Folhinha" é semelhante ao do jornalismo inteiro: a transição para o universo digital, considerando sempre que para a criança essa mudança é ainda mais sensível. Essa transformação já está acontecendo com aplicativos, HTML5, e versão tablet da Folha . Mas falta uma ferramenta própria para o suplemento e produções exclusivas nesse formato a crescerem.

Crédito:Reprodução Primeira edição da Folhinha, publicada em 1963
As comemorações já começaram desde o fim de dezembro do ano passado, com uma caixa no site republicando, refazendo reportagens antigas e buscando personagens que apareceram antes.
Mais regras “Houve uma reportagem da primeira edição que tentamos refazer em dezembro do ano passado, em que a criança foi medir o pescoço da girafa com uma régua”, conta a atual editora, Laura Mattos. “Mas agora os funcionários não deixaram as crianças chegarem perto da girafa. Nem mesmo um biólogo podia fazer isso, com régua e tal, para não estressar a girafa.”
Ela considera que as transformações do caderno refletem a mudança geral da própria sociedade: “A editora levava crianças para fazer reportagem numa kombi, mas hoje em dia há uma questão mais delicada em relação a regras, trânsito, legislação, responsabilidades e segurança”, explica. O mundo seria antes mais simples de alguma maneira.
A editora antiga levava também as crianças ao teatro, tinha foto com elas até em cima da combe. “Esse tipo de operação não seria possível hoje, iam me prender se fizesse algo assim”, compara Laura.
Outra matéria antiga que tentaram refazer foi uma em que a diretora da Escola de Aplicação da USP tinha trazido uma oncinha da Amazônia para as crianças verem. Mas um repórter atual, ao buscar a escola, viu que as pessoas lá não conheciam a história; no máximo havia uma pele de onça na diretoria. De todo modo, seria impensável deixar as crianças com esse tipo de contato com o animal hoje.
“Foi uma oportunidade para refletir sobre como a legislação mudou. Não se tinha noção de como seria perigoso tanto para os animais como para as pessoas esse contato. E também valeu para pensar sobre o método de ensino”, conta a editora do caderno.
Espaço, visual e marcos Outra das diferenças entre o jornal dos primeiros tempos e o de hoje é que antes havia mais espaço. Se bem que hoje há também o site, teoricamente com espaço ilimitado.
Na parte gráfica, a editora diz que a "Folhinha" desde o início foi bastante ousada e criativa, ou seja, bem ilustrada. Era um espaço de experimentação visual, com mais flexibilidade que o restante do jornal. E no começo tinha o traço de Mauricio de Sousa – que fez a capa da nova edição para a comemoração. Seus personagens, aliás, cresceram no caderno e nela ganharam cor.
Outros episódios marcantes na história do suplemente são o Clube da Folhinha, que dava ingressos; e a coluna de moda da Augustinha, com “dicas de elegância e bom tom”, ambos nos anos 1960. Além de vários autores importantes que escreveram para o caderno, como Luís Fernando Veríssimo, Clarice Lispector, Ziraldo e Tatiana Belinky.
A década de 1980 foi particularmente ousada do ponto de vista gráfico e editorial quando estreou o Geraldinho de Glauco. Havia matérias sobre puberdade, entre outros temas que até hoje seriam tabu. “A Folhinha acompanhava a maior ousadia e liberdade da Folha no geral, com o fim da censura”, diz ela.
Nos anos 1990, foram trabalhados vários assuntos de adulto com visão de criança, como uma capa sobre Aids. Nos anos 2000, outros assuntos difíceis de destaque foram o Mensalão e os protestos pelo Brasil.
Hoje, o maior desafio da "Folhinha" é semelhante ao do jornalismo inteiro: a transição para o universo digital, considerando sempre que para a criança essa mudança é ainda mais sensível. Essa transformação já está acontecendo com aplicativos, HTML5, e versão tablet da Folha . Mas falta uma ferramenta própria para o suplemento e produções exclusivas nesse formato a crescerem.






