Por Carnaval, no Brasil, sempre foi pauta. Mas neste ano, o assunto surgiu um mês antes dos desfiles - e não foi falando sobre a energia dos carnavalescos. Em fevereiro, com o incêndio que atingiu a Cidade do Samba e barracões de quatro escolas de samba, o esforço de um ano para organizar e fazer os desfiles foi amplamente divulgado, já que fantasias e carros alegóricos foram inteiramente queimados. Mas muitas pessoas não esperaram a tragédia para perceber a luta e a força das comunidades que preparam o carnaval.
"Os caras passam ano inteiro ensaiando e quando estão lá, se entregam de corpo e alma", diz o fotógrafo André Cerri. Apesar de a maior parte de seu repertório até hoje ser de
stills de filmes e seriados, ele gosta mesmo é do fotojornalismo. Prova disso, é um projeto pessoal chamado : "É um verbo que inventei pra esse espírito de festa e de luta", explica Cerri.
Com as fotos desse projeto, Cerri pretende transmitir a vibração e a energia dos negros, quebrando preconceitos: "Infelizmente, no Brasil, quando você ouve alguém falar em negro é pejorativo. E esse trabalho queria mostrar que é o contrário: negro é uma coisa alegre, colorida, muito alto astral. Por isso eu fechei a cor negra na foto, pra realçar essas expressões".
Cerri tornou-se fotógrafo há apenas três anos, quando largou o trabalho de administrador de banco. "Foi uma ruptura com o comodismo. Queria sair dele e fazer algo que eu admiro, que eu gosto. Com a fotografia eu vou a lugares que sem uma câmera talvez eu não fosse", revela. E a câmera já o levou à lugares novos. Quando se mudou de Ribeirão Preto, sua cidade natal, para São Paulo, Cerri estava determinado a conhecer a fundo a cidade o ajudou a fazer amigos. Com essa ideia, produziu mais uma série, a .
O que deu início ao trabalho foi a conversa entre Cerri e o pedreiro que trabalha em sua casa. A curiosidade de saber sobre onde o pedreiro morava, sua família e costumes o levou à Guaianazes, zona leste de São Paulo, onde vivia. Chegando lá, se deparou com o final de um campeonato de futebol dos times locais no terrão, no "campo de baixo". O entendimento com os moradores que pediam para que Cerri fizesse fotos deles resultou em seis visitas do fotógrafo ao bairro. E fotos dos times nas paredes dos salões de beleza.
O lado de fotojornalista de Cerri é evidente. Foi essa inclinação natural, inclusive, que o fez aprender fotografia. Ele conta que quando resolveu mudar de profissão, fez tudo sozinho: "Resolvi comprar minha câmera, fui atrás de leituras, fui participar dos encontros, como em Paraty [em Foco], trocar experiência...". Agora, mais uma vez, essa inclinação ao fotojornalismo o faz organizar uma grande viagem para 2012. "[O próximo projeto] é uma fotografia de viagem. Mas não de pontos turismo, mas de cultura, tradições... Já comecei a rascunhar... Envolve quase todos os continentes", se empolga Cerri. Estabilidade em casa e na conta do banco contam pouco para um fotojornalista empenhado num projeto.
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