"Foi uma das maiores coberturas dos últimos tempos", diz diretor da Rede Vida sobre JMJ
A Rede Vida não foi coadjuvante no pool de emissoras que transmitiu a Jornada Mundial da Juventude, realizada entre os dias 22 e 28 de julho
, no Rio de Janeiro.
Na parceria de 14 empresas - 12 emissoras e dois sites -, o canal foi o segundo que mais contribuiu com a cobertura, com 45 horas de transmissão direta, média de 6 horas diárias, envolvendo cerca de 120 profissionais, sete unidades móveis, mais oito para transmissão ao vivo com tecnologia em HD e uplink .
"Quem mais trabalhou, talvez, tenha sido a Globo. Mas, a segunda emissora que mais fez o evento, indiscutivelmente, foi a Rede Viva", diz o diretor geral da emissora e jornalista, Monteiro Neto.
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, Neto fala da importância do evento para a emissora - "Foi sem dúvida uma das maiores coberturas recentes da TV aberta brasileira" -, do quanto isso se reverteu comercialmente para o canal e ainda de como eles entenderam a entrevista exclusiva do Papa Francisco a TV Globo. "Foi justo, considerando todo o esforço de divulgação deles". Confira o papo na íntegra.
IMPRENSA - Qual é o balanço da emissora em relação à cobertura da Jornada?
MONTEIRO NETO - Superamos muito as expectativas. Outras emissoras terceirizaram os serviços, mas nós não contratamos nenhuma empresa ou produtora. Foi um diferencial. E fomos a segunda maior contribuição de conteúdo para todo o pool , só depois da Globo. Fizemos quatro eventos, além de todas transmissões diárias das 15h às 23h de Copacabana. Foi uma das maiores coberturas da TV brasileira dos últimos tempos.
A audiência média da emissora foi de um um ponto e meio, certo? O que isso representa?
Isso. Foi uma audiência firme e constante durante todo o evento. Como somos, no mínimo, a quinta maior rede de televisão aberta do país, quem queria assistir eventos do Papa e não encontrava nas outras redes abertas, via na Rede Vida. Hoje, chegamos a cerca de 80 milhões de brasileiros com acesso a HD. E se tivemos uma audiência boa em São Paulo, isso nos leva a crer que nossa audiência no interior foi ainda maior.
Quando você fala em quinta maior emissora da TV aberta, fala em que sentido?
Em distribuição. Em primeiro é a Globo, depois vem Bandeirantes, Record e SBT, mais ou menos no mesmo nível. E aí vem a Rede Vida, que tem uma cobertura muito maior que a Gazeta e a Rede TV. Só no Estado do Amazonas, temos, oficialmente, 12 cidades que retransmitem nossa programação.
O que a Jornada significou para a Rede Vida em contratos publicitários?
Houve um acréscimo de 25% na comercialização desse evento. Fomos bem-sucedidos. A Rede Vida só trabalha com anunciante, ela se sustenta com publicidade, não é sustentada pelo telespectador. Mas, observamos que o mercado publicitário perdeu uma excelente oportunidade em se comunicar com o jovem no evento como um todo. É um evento que levou mais público para o RJ do que as Olimpíadas vão levar ao Rio.
Você nota algum tipo de preconceito em anunciar em uma emissora católica?
Sim. Ninguém está dizendo para patrocinar uma programação religiosa, mas um evento grandioso como este do Papa. A Record é ligada a uma igreja, e eles têm um índice percentual elevadíssimo de programação religiosa. E não é por isso que o mercado publicitário não investe na Record. Será que o católico não compra aquele produto que foi anunciado? O segmento de alimentação ignora que o telespectador da Rede Vida come. O telespectador da Rede Vida não se alimenta?
Pelo fato de a Rede Vida apoiar a Igreja, conseguiu boas oportunidades no evento?
Foi o inverso. Como a emissora apoia a Igreja Católica, tínhamos a obrigação de fazer uma grande cobertura. A Rede Vida teve um repórter no voo do Papa, mas, para a Rede Vida, custou sete mil euros. Outras redes de TV não estavam no voo do Papa, mas nós tínhamos a obrigação de estar. E pagamos por isso. Enquanto muitas emissoras fizeram um ou outro evento, a gente levou sete viaturas móveis, levou toda uma equipe. Nós fizemos um esforço em favor do pool muito grande.
A emissora sai mais forte dessa cobertura. Se sim, em que sentido?
A emissora sai muito mais forte. A Rede Vida deu uma demonstração de competência técnica e comprometimento, além da parceira com outras redes de TV.
A Globo conseguiu uma entrevista exclusiva histórica com o Papa Francisco. Vocês chegaram a tentar uma entrevista com ele? O que acharam da concessão feita à Globo?
Nem tentamos. Mas, eu entendo que foi justo o Papa ter dado essa exclusiva para a rede Globo. Uma TV do porte da Globo, que tira a Fórmula 1 para colocar a missa de Copacabana, que tira a novela para colocar a Via Sacra, teve a percepção do tamanho do evento e, por isso, colheu os frutos disso. O papa foi muito justo com a TV Globo ao ter percebido que a emissora ajudou tanto na divulgação do evento, que o mínimo que o Vaticano deveria ter feito era ter concedido essa entrevista.
A Rede Vida também merecia?
A repercussão dessa entrevista do "Fantástico" é imensa, por isso acho muito natural. Cumprimento o assessor de comunicação Frederico Lombardi [teólogo italiano e porta-voz do Vaticano] e todo jornalismo da TV Globo. A entrevista da Globo não foi motivo de frustração para nós, mas de orgulho. Foi muito importante para o Papa e para a Igreja católica.






