“Foi um jornalista brincando de fazer literatura”, diz Luis Erlanger sobre novo livro
"Antes que eu morra" marca estreia do jornalista na ficção.
Atualizado em 16/05/2014 às 15:05, por
Alana Rodrigues*.
Com 40 anos de jornalismo, Luis Erlanger, atual diretor de análise e controle de qualidade da programação da TV Globo, lançou o livro "Antes que eu morra", que marca sua estreia na ficção. Escrito a partir de anotações reunidas desde 2009, o thriller faz uso de citações de livros, músicas, filmes e fatos históricos para contar a trama, sem compromisso com o que é real ou não.
Crédito:Divulgação Erlanger estreia na literatura com thriller psicológico
A obra, que pretende criar um quebra-cabeça na mente do leitor, é baseada nas conversas entre um terapeuta e seu paciente, um homem que presencia um crime e acaba envolvido num escândalo nacional. Em entrevista à IMPRENSA, o autor contou mais sobre sua incursão na literatura e como foi a produção da obra.
IMPRENSA - Quando decidiu escrever o livro?
LUIS ERLANGER: Na verdade, não houve uma decisão. A partir de 2009 comecei a escrever textos sobre vários temas. Num determinado momento, quando estava pensando em apagar tudo, ocorreu-me que poderia juntar pedaços em torno de sessões de análise, onde o paciente aparece motivado para relatar uma aventura policial - com tudo de direito: sexo, drogas, corrupção e política - da qual participou. Prevaleceu aí minha experiência de jornalista, pegando dados desconexos na tentativa contar uma história amarrada. Em compensação, contrariando minha formação, apurei muito a serviço da inverdade. Ao final de pouco mais de dois anos — só escrevi à noite ou em fins de semana —, entendi que tinha consistência para virar um livro.
Como foi utilizar recursos jornalísticos para a produção da obra?
Houve um trabalho exaustivo de apuração, só que para fundamentar a imprecisão. E a narrativa só foi montada graças à minha experiência em edição. Foi um jornalista brincando de fazer literatura.
Esta é sua primeira ficção. Como foi migrar para a literatura?
Se as pessoas se divertirem um pouco, como me diverti escrevendo, terá valido a pena. Foi muito trabalhoso tratar de assuntos tão diversos, buscar citações e referências das mais variadas, mas foi uma farra montar este quebra-cabeça cheio de armadilhas. O que é muito estranho, até agora, é que passei a vida avaliando textos jornalísticos e já vi que nunca terei certeza sobre o valor do que escrevi. Só saiu porque considero que é válido como uma brincadeira.
Quanto tempo levou para produzi-lo?
O primeiro texto é de 2009, entreguei os originais no início de 2013. Mas escrevi aos poucos, de forma não linear e com grandes intervalos. Reescrevi muita coisa, mais de uma vez. E demorei algum tempo inseguro sobre publicar.
Crédito:Divulgação Obra é a estreia do jornalista na literatura
A psicanálise tem um papel importante na narrativa. Qual sua relação com o tema?
As ferramentas do jornalismo foram fundamentais, mas este livro só existe graças a psicanálise. Em vários sentidos: não só tinha retomado minha própria análise, como estava fazendo formação psicanalítica. Com certeza, foi essa combinação que me fez destampar minha cabeça para destampar a cabeça do protagonista. E não me policiar quanto ao que surgiu desse exercício.
E também, no final, a saída que tive para justificar o labirinto verborrágico foram sessões de análise. O psicanalista que abre o livro foi o último personagem que criei. Jornalista, em geral, é um especialista em generalidades. Sou um leigo qualificado em psicanálise.
Quais livros e autores influenciaram na composição da obra?
Assumidamente e, disfarçadamente, recorri a dezenas de livros e autores - também de forma desordenada. Como é um texto que percorre vários estilos, eu não acho que houve uma influência maior.
Mas, depois de pronto, me veio a cabeça o Sérgio Porto - o Stanislaw Ponte Preta —, um de meus favoritos na juventude. Não só pelo estilo sarcástico, iconoclasta e coloquial, mas também porque, data vênia, fiz minha versão do "Samba do Crioulo Doido".
Pretende escrever outros livros?
Não está nos meus planos e continuo sem tempo. Só garanto que, se acontecer, será algo bem diferente de "Antes que eu morra".
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
Crédito:Divulgação Erlanger estreia na literatura com thriller psicológico
A obra, que pretende criar um quebra-cabeça na mente do leitor, é baseada nas conversas entre um terapeuta e seu paciente, um homem que presencia um crime e acaba envolvido num escândalo nacional. Em entrevista à IMPRENSA, o autor contou mais sobre sua incursão na literatura e como foi a produção da obra.
IMPRENSA - Quando decidiu escrever o livro?
LUIS ERLANGER: Na verdade, não houve uma decisão. A partir de 2009 comecei a escrever textos sobre vários temas. Num determinado momento, quando estava pensando em apagar tudo, ocorreu-me que poderia juntar pedaços em torno de sessões de análise, onde o paciente aparece motivado para relatar uma aventura policial - com tudo de direito: sexo, drogas, corrupção e política - da qual participou. Prevaleceu aí minha experiência de jornalista, pegando dados desconexos na tentativa contar uma história amarrada. Em compensação, contrariando minha formação, apurei muito a serviço da inverdade. Ao final de pouco mais de dois anos — só escrevi à noite ou em fins de semana —, entendi que tinha consistência para virar um livro.
Como foi utilizar recursos jornalísticos para a produção da obra?
Houve um trabalho exaustivo de apuração, só que para fundamentar a imprecisão. E a narrativa só foi montada graças à minha experiência em edição. Foi um jornalista brincando de fazer literatura.
Esta é sua primeira ficção. Como foi migrar para a literatura?
Se as pessoas se divertirem um pouco, como me diverti escrevendo, terá valido a pena. Foi muito trabalhoso tratar de assuntos tão diversos, buscar citações e referências das mais variadas, mas foi uma farra montar este quebra-cabeça cheio de armadilhas. O que é muito estranho, até agora, é que passei a vida avaliando textos jornalísticos e já vi que nunca terei certeza sobre o valor do que escrevi. Só saiu porque considero que é válido como uma brincadeira.
Quanto tempo levou para produzi-lo?
O primeiro texto é de 2009, entreguei os originais no início de 2013. Mas escrevi aos poucos, de forma não linear e com grandes intervalos. Reescrevi muita coisa, mais de uma vez. E demorei algum tempo inseguro sobre publicar.
Crédito:Divulgação Obra é a estreia do jornalista na literatura
A psicanálise tem um papel importante na narrativa. Qual sua relação com o tema?
As ferramentas do jornalismo foram fundamentais, mas este livro só existe graças a psicanálise. Em vários sentidos: não só tinha retomado minha própria análise, como estava fazendo formação psicanalítica. Com certeza, foi essa combinação que me fez destampar minha cabeça para destampar a cabeça do protagonista. E não me policiar quanto ao que surgiu desse exercício.
E também, no final, a saída que tive para justificar o labirinto verborrágico foram sessões de análise. O psicanalista que abre o livro foi o último personagem que criei. Jornalista, em geral, é um especialista em generalidades. Sou um leigo qualificado em psicanálise.
Quais livros e autores influenciaram na composição da obra?
Assumidamente e, disfarçadamente, recorri a dezenas de livros e autores - também de forma desordenada. Como é um texto que percorre vários estilos, eu não acho que houve uma influência maior.
Mas, depois de pronto, me veio a cabeça o Sérgio Porto - o Stanislaw Ponte Preta —, um de meus favoritos na juventude. Não só pelo estilo sarcástico, iconoclasta e coloquial, mas também porque, data vênia, fiz minha versão do "Samba do Crioulo Doido".
Pretende escrever outros livros?
Não está nos meus planos e continuo sem tempo. Só garanto que, se acontecer, será algo bem diferente de "Antes que eu morra".
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





