"Foi mau-caráter", diz Chico Caruso sobre repercussão de charges na "CartaCapital"

Desde a edição passada da revista CartaCapital, duas charges do cartunista Chico Caruso, publicadas no jornal carioca O Globo, têm

Atualizado em 23/02/2016 às 11:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Atualizado às 14h

Desde a edição passada da revista CartaCapital , duas charges do cartunista Chico Caruso, publicadas no jornal carioca O Globo , têm sido alvos de questionamentos. A primeira, por parte do editor especial, Mauricio Dias, e a segunda, do diretor de redação, Mino Carta.
Crédito:Reprodução/Chico Caruso Charge indispôs cartunista e revista
Em uma das ilustrações, um xerife entra no saloon e questiona: “E esse aí, é mocinho ou bandido?”. Em resposta, alguém grita: “Pior: é advogado”. Sobre o desenho, Dias afirmou que Caruso “jogou lama nos advogados e os rebaixou literalmente à condição de bandidos” e que o cartunista “têm sido parte integrante da linha golpista adotada hegemonicamente pela maioria maciça da imprensa brasileira”.
A outra charge criticada mostra condenados da Lava Jato nus ao entrar em julgamento. Para Dias, Caruso teve a intenção de humilhar os acusados, com a nudez típica dos castigos medievais e das torturas na ditadura militar no Brasil.
Após a publicação da revista, o cartunista decidiu procurar Mino Carta, diretor de redação, para questionar os apontamentos do editor. Em resposta, o jornalista publicou um na edição desta semana da revista, alegando ser “impossível dialogar nas circunstâncias de hoje com quem acredita, como Chico Caruso, que o Judiciário aponta uma nova direção para nossa política”.
Crédito:Reprodução/Chico Caruso Charge foi acusada de incentivar práticas medievais
"O que o Mauricio fez foi mau-caráter, porque ele não contou a piada como era", disse Caruso à IMPRENSA. Segundo ele, ao colocar alguém dizendo que ser advogado era pior do que ser mocinho ou ser bandido, é porque não se sabe o que é. Sobre a nudez dos acusados, explica que políticos, diretores da Petrobras e empreiteiros estão expostos, acompanhados em seus julgamentos diariamente. "É um absurdo comparar à ditadura", afirmou.
Ainda no editorial, Mino Carta diz: "Cada qual tem direito a pensar o que quer, livremente. Trato somente de esclarecer a discrepância e a impossibilidade de diálogo. Anoto, também, a generalizada, epidêmica, avassaladora falta de graça".

Para Chico, afirmar que há "falta de graça" é um "absurdo". "Há piadas sobre advogado no mundo todo", disse, ao defender a liberdade que tem para fazer seu trabalho no jornal. O cartunista conclui, dizendo que "o único humorista com o qual o Mino Carta se identifica hoje é o Laerte. Ele [Mino Carta] se transformou em um transgênero político, num porta voz do lula-petismo".