Foca na IMPRENSA: "Os reality shows na televisão brasileira e internacional", por Felipe Lucchesi

O jornalista e escritor, George Orwell, em 1948 finalizava o livro: “1984” e inspirava pessoas por conta da crítica social e política que ut

Atualizado em 04/12/2014 às 01:12, por .

Artigo vencedor de novembro de 2014

ilizava na obra e deixava um legado para outras milhares, de décadas futuras, associado ao ato de vigiar pessoas.

O termo: “reality show” invade o Brasil, ganha raízes e passa a ser conhecido popularmente como: “show da vida real” com a popularização de programas americanos que utilizam pessoas como personagens e câmeras como ferramentas, para entreter o público e disponibilizar à ele, cordas invisíveis para coordenarem os “personagens fantoches” e um espetáculo de edição de imagens que instiga o “voyeurismo” de cada espectador e impõe a “humanização” de cada participante do programa, para público e personagens terem um laço de identificação. Pessoas anônimas e até artistas são expostos e aceitam a proposta de levarem a “vida real” para a televisão como forma de entretenimento.

Os Estados Unidos passam desde então a ser a grande fábrica desse tipo de programa, criando formatos e suas próprias regras. Rapidamente, assim como um vírus, a ideia de acolher esse formato dentro de cada país logo é aceita e emissoras do mundo inteiro, passam a comprar programas criados nos Estados Unidos, até então surgidos de ideias e logo, tornados produtos.

A contradição que gira ao redor do formato criado, da palavra de origem: “show da vida real” e do formato final desse produto é logo notada, por conta da inserção de cultura e política de cada país comprador. Há países que optam em exibir em horários alternativos, tendo em vista que não censuram conteúdo sexual ou linguagem inapropriada. Outros, no entanto, utilizam o horário nobre, assim como ocorre no Brasil, para exibir e censurar ao mesmo tempo, conteúdo sexual e linguagem inapropriada, tendo até mesmo, prévio aviso sobre o mínimo de idade considerado apropriado para assistir a atração.

O que há de em comum, entre os países e emissoras que exibem os reality shows é que a escolha dos personagens desses programas sempre é associada à juventude e rótulos impostos pela sociedade e melhor recebidos pelo mercado, quando tratados como mercadoria: a jovem modelo, o musculoso, o intelectual, o polêmico, o carismático e outros vários estereótipos que se adequam à uma população que mesmo vendida como “real”, só existe dentro das casas montadas como cenários de programas de televisão.

George Orwell não sabia que a raiz da sua crítica política e social, ao longo das várias páginas do seu livro: “1984” transformaria-se em programação de entretenimento e iria contra os principais conceitos que foram impostos com o surgimento das emissoras de televisão: contribuir com a educação da sociedade.
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