Foca na IMPRENSA: "A imprensa na Copa do Mundo", por Daniela Fernandes, da UNASP-EC

O Brasil fora confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014 em outubro de 2007. O país do futebol recebeu o direito de sediar o evento por i

Atualizado em 01/09/2014 às 12:09, por .

Artigo vencedor da 2ª quinzena de agosto de 2014

FOCA NA IMPRENSA

Tema: "A IMPRENSA NA COPA DO MUNDO"
Título: "A IMPRENSA NA COPA DO MUNDO" Aluno(a): Daniela Fernandes Faculdade: UNASP-EC

ntermédio do rodízio de continentes, sistema não mais adotado pela Fifa. A notícia foi recebida pelos brasileiros com grande alegria, afinal o Campeonato Mundial Fifa é um dos eventos grandiosos mais aguardados pelas nações.

Contudo, algumas imprensas, sobretudo a brasileira, duvidaram da capacidade do Brasil como anfitrião. Assim que a Copa começou a ser organizada, a nossa imprensa estampou em manchetes de jornais e revistas ataques críticos e pessimistas ao evento esportivo. Muito se questionou com relação às obras dos aeroportos, ao funcionamento do transporte público, à segurança, às condições dos gramados, entre outros fatores essenciais para o bom desempenho do evento. Criou-se, então, um clima de derrotismo, antes mesmo dos brasileiros assimilarem a boa notícia de que a festa seria realizada “em casa”.

Outro fator preocupante nos noticiários era acerca das manifestações que estavam acontecendo com mais frequência desde junho de 2013. Diferentemente do que pensava a Fifa, a articulação e a mobilização social brasileira foram alguns dos ganhos adquiridos após a fatídica notícia de que a Copa do Mundo de Futebol seria aqui.

Já as mídias estrangeiras usaram a dualidade como forma de retratar o Campeonato. O The Guardian em uma de suas capas externou "Pronto ou não, chegou a hora de o Brasil mostrar ao mundo (sic)”. Já o jornal britânico Financial Times foi direto e destacou o chamado “Paradoxo da Fifa”, ou seja, "um dos maiores desastres de governança” do mundo continua tendo a capacidade de planejar um grande espetáculo esportivo com êxito e competência.

Iniciada no mês de junho, a Copa ganhou o devido espaço nas coberturas jornalísticas. O índice de rejeição do evento foi diminuindo e, aos poucos, o pessimismo foi dando lugar ao otimismo. O Datafolha divulgou que 83% dos estrangeiros aprovaram a organização. Sendo assim, a linha editorial passou a adotar o patriotismo exagerado. E, para não deixar qualquer dúvida, historicamente, essa foi considerada a Copa das Copas.

Porém, a onda de satisfação terminou com a partida da semi-final. A Alemanha venceu o Brasil por 7 a 1 e resgatou os maus ânimos. Mais uma vez, a imprensa voltou-se contra a seleção brasileira e classificou o jogo como vexame. Jogadores e comissão técnica foram linchados pela mídia e a culpa caiu também sobre o governo federal, servindo como anúncio prévio de como a imprensa se comportará nesse ano eleitoral. O resultado do jogo era a desculpa que faltava para justificar todos os problemas enfrentados no país durante séculos.

A Copa não pretendia resolver as dificuldades sociais, políticas e econômicas do país. Essa nunca foi a função de um evento esportivo. A imprensa, ao invés de tentar contribuir com o intercâmbio de culturas, optou por se voltar contra a própria nação. Preferiu a superficialidade midiática ao orgulho nacional.