"Fiz várias crônicas sobre coisas que não são importantes para reportagem", diz Canellas
Conhecido pelo texto sensível em suas reportagens na TV, MarceloCanellas, da Rede Globo, lança seu primeiro livro, nesta segunda-feira (11/11).
Com mais de 25 anos de carreira, Canellas disse que passou a escrever crônicas após convite do editor-chefe do Diário de Santa Maria , em 2002. "Pude experimentar uma sensação totalmente diversa do que estava acostumado", revela.
A surpresa do repórter está relacionada à resposta do público. "Minha relação sempre foi com o telespectador, mas agora percebo que a resposta do leitor é muito mais pessoal e gratificante, porque a notícia, em si, é importante, mas a crônica não; ela só tem relevância para a subjetividade das pessoas que leem", completa.
Crédito:Divulgação
Obra traz 70 crônicas publicadas em jornais À IMPRENSA, o cronista revela prazer em receber os primeiros e-mails com opiniões positivas sobre a obra, lançada há pouco mais de uma semana, em Santa Maria (RS), cidade em que foi criado.
IMPRENSA - Na sua opinião, o jornalista é cronista do cotidiano?
MARCELO CANELLAS - Depende. Existem alguns jornalistas que são. Acho que sempre tive um pouco o olhar de cronista. O meu forte, na televisão é a narrativa, sou umc ontador de histórias. Acho que tenho o olhar do cronista no sentido de tentar esgarçar o significado das coisas aparentemente desimportantes. Insisto em pautas como uma forma diferente de olhar. Tento fugir um pouco de uma visão um pouco cansada, recorrendo aos mesmos clichês e padrões.
Você é conhecido por seu trabalho como repórter de TV. Como consegue diferenciar o olhar do jornalista para o do cronista?
Para diferenciar a reportagem da crônica você desliga uma chave e liga a outra. Você usa a mesma ferramenta, que é a língua, mas são formas de expressão totalmente distintas. A reportagem tem que cumprir o percurso do conhecimento, tem que elucidar uma situação caótica. Na crônica não, você podese permitir ser totalmente subjetivo. Às vezes, há derivariações de reportagensque viram crônicas. Fiz várias crônicas sobre coisas que não são importantes para reportagem, mas ganham relevância literária quando você consegue realmente ter um olhar diferente.
O vídeo que fala sobre o lançamento do livro mostra diversas passagens de suas reportagens pelo mundo. Como faz para manter essa ligação com seu lugar de origem?
Nunca deixei de vivenciar intensamente os locais onde morei, os lugares para onde viajei. Acho que isso é o grande barato da vida. Nunca consegui me desligar afetivamente de Santa Maria, porque fui forjado naquela cidade. Tenho uma ligação muito forte com o lugar.
Após mais de 25 anos de carreira, ainda existe algum tipo de notícia que ainda o surpreende?
Eu sempre me impressiono. O barato do jornalismo é você não se cansar, porque ele é feito das contradições da vida. Eu sempre digo que as técnicas jornalísticas são todas iguais, o que muda é a postura do jornalista diante do fato.
O que me move é o desejo de me surpreender com a vida a todo momento. É você ir para rua sem a matéria pronta na sua cabeça, sem uma tese, mas, muitas vezes, você curtir que sua pauta desabou pela realidade objetiva. A partir dessa postura, de você se deixar surpreender com as coisas, pode encontrar algo que era absolutamente inimaginável. Isso é o que a nossa profissão dos dá. Um grande erro é você sair da redação com a matéria pronta, pois você deixa de se surpreender como repórter e de surpreender seu leitor.
Esse é seu primeiro livro. Já pensa em lançar outro?
Ainda estou curtindo este, pois acabou de sair do forno. Mas é uma coisa a se pensar. É preciso ver como será a aceitação dele. Estou gostando muito desse contato totalmente distinto do repórter com o telespectador, já que com o leitor sinto uma relação muito mais próxima
Serviço:
“Províncias - Crônicas da alma interiorana”, de Marcelo Canellas
Data: 11/11
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura - Shopping Market Place (SP)





