Finalista do Troféu Mulher IMPRENSA, Tânia Caliari fala sobre os desafios da profissão
A indicação à 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA" foi recebida com surpresa pela jornalista Tânia Caliari, 44, finalista na categoria “Repórter de revista” por seu trabalho na Retrato do Brasil .
Atualizado em 10/01/2014 às 09:01, por
Lucas Carvalho*.
do "Troféu Mulher IMPRENSA" foi recebida com surpresa pela jornalista Tânia Caliari, 44, finalista na categoria “Repórter de revista” por seu trabalho na Retrato do Brasil . “Você fica pensando: ‘nossa, alguém observou meu trabalho, alguém deu valor a este trabalho’, é muito legal”, diz.
Tânia é formada desde 1992 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e acumula passagens pela TV, assessorias de imprensa, jornais e revistas. Em entrevista à IMPRENSA, a repórter conta sobre seu período como jornalista independente na Palestina nos anos 90, e como avalia a presença da mulher nas redações brasileiras.
Crédito:Divulgação Tânia Caliari (foto) é finalista na categoria "Repórter de revista" da 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA"
IMPRENSA - O que você percebeu da presença de jornalistas mulheres na Cisjordânia em seu período como correspondente?
TÂNIA CALIARI - Como jornalistas, eu vi mais homens na região em que eu fiquei, Ramalá [na Palestina]. Mas encontrei outras profissionais, mulheres estrangeiras, de outros meios de comunicação . Por exemplo, uma moça de Nova York que estava fazendo curadoria de filmes palestinos para organizar uma mostra nos Estados Unidos. Então ela ficava por lá, circulava, já conhecia a região e até me ajudou bastante.
E como mulher e estrangeira, você sofreu algum tipo de preconceito ou algo parecido?
Não posso falar que não tive nenhuma restrição, mas as mais aparentes, não. Isto é, não tive que usar véu no cabelo, podia andar de calça sem problemas… Nos meus contatos do dia-a-dia, ninguém me questionava por ser mulher. Só uma vez, quando cheguei num cinema de Ramalá, eu sentei num lugar até que vieram chamar a minha atenção por que eu estava sentada num lugar para homens. Aí eu tive que sair de lá e subir para um balcão onde ficavam as mulheres. Então tinha essa separação entre homens e mulheres, mas não era contra mim nem contra jornalistas, era uma questão local mesmo.
Na sua opinião, qual o papel da mulher na imprensa nos dias de hoje?
É mais um mercado de trabalho a se conquistar. Eu não cultivo muito essa ideia da sensibilidade feminina, do olhar feminino, acho que isso é mais da pessoa do que do gênero. Mas, de qualquer forma, assim como em outras áreas, é muito bem-vinda a atuação de mulheres no jornalismo, pela contribuição e o discernimento que ela tem a oferecer.
Qual você considera ter sido seu trabalho de destaque em 2013?
Tem dois ou três trabalhos que eu considero importantes, no ano passado. Mas a que eu achei mais difícil e mais marcante foi uma matéria sobre as manifestações de junho, que apresentou os dilemas que a polícia enfrentou para se adaptar às manifestações. E também como a sociedade se posicionou em relação aos abusos da polícia, principalmente com relação a ações diretas de alguns grupos, como Black Bloc. Foi difícil por que eu estava no calor das ruas, tentar se aproximar dos manifestantes era difícil, da polícia, então você depende muito da sua observação e sua reflexão.
Como foi ser indiocada ao "Troféu Mulher IMPRENSA"?
Pensar que você é indicada a um prêmio é sempre bom. Você fica pensando: ‘nossa, alguém observou meu trabalho, alguém deu valor a este trabalho’, é muito legal. E como repórter de revista, eu me sinto também muito gratificada, por que demonstra que as reportagens mais amplas, mais aprofundadas, também são valorizadas. Por que essas reportagens exigem mais tempo, mais páginas pra publicação, e isso também está sendo valorizado nesta indicação. Foi muito importante pra mim, pra minha carreira, pro meu entendimento como jornalista. Dá uma certa confiança de que você está fazendo um trabalho que é observado e valorizado.
Indicação
Além de Tânia, concorrem na mesma categoria as jornalistas Carol Pires, Consuelo Dieguez e Daniela Pinheiro, da revista Piauí ; e Débora Nascimento, da Continente (PE).
O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. As votações vão de 14 de janeiro até as 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, .
*Com supervisão de Thaís Naldoni
Tânia é formada desde 1992 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e acumula passagens pela TV, assessorias de imprensa, jornais e revistas. Em entrevista à IMPRENSA, a repórter conta sobre seu período como jornalista independente na Palestina nos anos 90, e como avalia a presença da mulher nas redações brasileiras.
Crédito:Divulgação Tânia Caliari (foto) é finalista na categoria "Repórter de revista" da 10ª edição do "Troféu Mulher IMPRENSA"
IMPRENSA - O que você percebeu da presença de jornalistas mulheres na Cisjordânia em seu período como correspondente?
TÂNIA CALIARI - Como jornalistas, eu vi mais homens na região em que eu fiquei, Ramalá [na Palestina]. Mas encontrei outras profissionais, mulheres estrangeiras, de outros meios de comunicação . Por exemplo, uma moça de Nova York que estava fazendo curadoria de filmes palestinos para organizar uma mostra nos Estados Unidos. Então ela ficava por lá, circulava, já conhecia a região e até me ajudou bastante.
E como mulher e estrangeira, você sofreu algum tipo de preconceito ou algo parecido?
Não posso falar que não tive nenhuma restrição, mas as mais aparentes, não. Isto é, não tive que usar véu no cabelo, podia andar de calça sem problemas… Nos meus contatos do dia-a-dia, ninguém me questionava por ser mulher. Só uma vez, quando cheguei num cinema de Ramalá, eu sentei num lugar até que vieram chamar a minha atenção por que eu estava sentada num lugar para homens. Aí eu tive que sair de lá e subir para um balcão onde ficavam as mulheres. Então tinha essa separação entre homens e mulheres, mas não era contra mim nem contra jornalistas, era uma questão local mesmo.
Na sua opinião, qual o papel da mulher na imprensa nos dias de hoje?
É mais um mercado de trabalho a se conquistar. Eu não cultivo muito essa ideia da sensibilidade feminina, do olhar feminino, acho que isso é mais da pessoa do que do gênero. Mas, de qualquer forma, assim como em outras áreas, é muito bem-vinda a atuação de mulheres no jornalismo, pela contribuição e o discernimento que ela tem a oferecer.
Qual você considera ter sido seu trabalho de destaque em 2013?
Tem dois ou três trabalhos que eu considero importantes, no ano passado. Mas a que eu achei mais difícil e mais marcante foi uma matéria sobre as manifestações de junho, que apresentou os dilemas que a polícia enfrentou para se adaptar às manifestações. E também como a sociedade se posicionou em relação aos abusos da polícia, principalmente com relação a ações diretas de alguns grupos, como Black Bloc. Foi difícil por que eu estava no calor das ruas, tentar se aproximar dos manifestantes era difícil, da polícia, então você depende muito da sua observação e sua reflexão.
Como foi ser indiocada ao "Troféu Mulher IMPRENSA"?
Pensar que você é indicada a um prêmio é sempre bom. Você fica pensando: ‘nossa, alguém observou meu trabalho, alguém deu valor a este trabalho’, é muito legal. E como repórter de revista, eu me sinto também muito gratificada, por que demonstra que as reportagens mais amplas, mais aprofundadas, também são valorizadas. Por que essas reportagens exigem mais tempo, mais páginas pra publicação, e isso também está sendo valorizado nesta indicação. Foi muito importante pra mim, pra minha carreira, pro meu entendimento como jornalista. Dá uma certa confiança de que você está fazendo um trabalho que é observado e valorizado.
Indicação
Além de Tânia, concorrem na mesma categoria as jornalistas Carol Pires, Consuelo Dieguez e Daniela Pinheiro, da revista Piauí ; e Débora Nascimento, da Continente (PE).
O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. As votações vão de 14 de janeiro até as 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, .
*Com supervisão de Thaís Naldoni





