Fim do governo Bolsonaro beneficiou liberdade de imprensa no Brasil, diz RSF

Divulgado anualmente no Dia da Liberdade de Imprensa (3 de maio), o relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) colocou, em sua edição 2023

Atualizado em 03/05/2023 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

, o Brasil no 92º lugar de seu ranking mundial de liberdade de imprensa. No ano passado o país ocupava a 110ª colocação do levantamento. A entidade atribuiu a melhora ao fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Essa subida de 18 posições do Brasil no ranking é a mais importante de um país no continente americano e uma das mais significativas em nível global. O estudo reflete otimismo em relação à possível volta à normalidade nas relações entre governo e imprensa”, disse o jornalista Artur Romeu, diretor da Repórteres Sem Fronteiras na América Latina.

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil Artur Romeu, diretor da RSF na América Latina: Bolsonaro galvanizou discurso de ódio contra imprensa Para ele, o governo Bolsonaro era “hostil” ao jornalismo de maneira geral, fator que teria incentivado uma série de violências contra profissionais de imprensa, incluindo os assassinatos, no ano passado, do jornalista britânico Dom Philips e do comunicador cearense Givaldo Oliveira.
Jornalistas como inimigos

Ainda de acordo com o diretor da RSF, o governo Bolsonaro galvanizou o discurso de ódio à imprensa, levando seus seguidores a verem os jornalistas como inimigos.
A despeito da melhora deste ano, Artur ressalva que a situação da liberdade de imprensa no Brasil ainda é problemática e que, para subir no ranking da entidade, o país precisa adotar medidas efetivas de combate à violência contra jornalistas.
“Se considerarmos os últimos dez anos, o Brasil só está atrás do México em número de jornalistas assassinados. Para que continue melhorando, é preciso reafirmar marcos legais, garantir a transparência pública e combater a desinformação”.
O dirigente também elogiou a iniciativa do governo Lula de criar um observatório de violência contra comunicadores. “É a materialização de uma vontade política do atual governo de marcar uma ruptura com o que foi o anterior."
Contemplando as condições do livre exercício do jornalismo em 180 países do mundo, o ranking de liberdade de imprensa da RSF é baseado em indicadores políticos, sociais, legislativos, econômicos e de segurança.
Os indicadores são avaliados de forma quantitativa (levando em conta o número de abusos contra jornalistas e meios de comunicação por país) e qualitativa (com base nas respostas de especialistas em liberdade de imprensa a mais de 100 perguntas.
Além de um cenário de maior fluxo de desinformação por conta de tecnologias de inteligência artificial, o estudo indicou em vários países uma tendência a menor prestação de contas por parte de lideranças políticas e governos.