Filho de cronista esportivo morto pede mais rigor na lei em crimes contra a imprensa
Durante o programa “IMPRENSA na TV” desta sexta-feira (16/05), o advogado Valério Luiz Filho saiu em defesa da federalização de crimes contra jornalistas.
Atualizado em 16/05/2014 às 17:05, por
Danúbia Paraizo.
Em julho de 2012, seu pai, o cronista esportivo Valério Luiz, foi assassinado em frente à rádio Jornal 820 AM, em Goiânia (GO), ao receber seis tiros. O jornalista era conhecido por denunciar os esquemas de corrupção que aconteciam sob a direção do empresário Maurício Sampaio, até então vice-diretor do Atlético Clube Goianiense.
Crédito:Reprodução Valério Luiz Filho é advogado no processo que julgará a morte de seu pai Sampaio é o principal suspeito de ser mandante do crime, além de outras quatro pessoas apontadas como possíveis executoras do assassinato. Segundo o advogado, devido à grande influência do empresário, que já foi proprietário de um dos mais tradicionais cartórios da capital goianiense, ele estaria tendo certos privilégios judiciais, entre eles, um habeas corpus para aguardar o julgamento em liberdade.
“A cultura do futebol sempre foi de extravasar, mas os comentários ficavam por isso mesmo. Hoje você se desentende, e amanhã está tudo bem. Mas, infelizmente, meu pai encontrou um bandido em um lugar onde não deveria ter”, lamentou.
Atualmente, o advogado faz parte da equipe de acusação no processo, e foi responsável por entrevistar todos os suspeitos pela morte do pai. Sobre o desafio de ter que lidar com o envolvimento emocional, Valério Luiz Filho contou que precisou ter bastante equilíbrio. “Foi tudo muito terrível. Quando você sai das audiências parece que o mundo está em cima de você”.
O caso agora está na fase de alegações finais. Até junho há a expectativa de que saia a decisão se os cinco suspeitos serão submetidos a júri popular. Segundo o advogado, todo crime doloso de assassinato deve ir a júri popular, como prevê a a Constituição. Para que isso ocorra precisa ter indício de que o crime ocorreu mesmo e indícios suficientes da autoria do crime. “Nós temos convicção de que esses requisitos são cumpridos no caso do assassinato do meu pai”.
Sua grande preocupação, no entanto, é a possibilidade de recurso dos réus. “O Tribunal de Justiça soltou o Maurício em uma situação suspeita. A preocupação é que sua influência mude o jogo”. Valério se recorda que todos foram detidos temporariamente em fevereiro de 2013, mas foram liberados depois que Sampaio conseguiu um habeas corpus. “Foi uma situação lamentável que, a meu ver, coloca em dúvida o Tribunal de Justiça de Goiás. Hoje, o Marcos Vinicius, o açougueiro que delatou todo o crime, está sumido. Não compareceu mais em juízo. Achei fotos dele e da família na Europa. Já há um mandato para sua busca com a Interpol”.





