Filha de Mário Lago critica entrega de prêmio que leva o nome de seu pai a William Bonner

Na última quarta-feira (24/12), Graça Lago, filha do ator Mário Lago, classificou a entrega do Troféu Mário Lago 2014 ao jornalista William Bonner como uma ofensa à memória do pai.

Atualizado em 26/12/2014 às 11:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Lago, filha do ator Mário Lago, classificou a entrega do Troféu Mário Lago 2014 ao jornalista William Bonner como uma ofensa à memória do pai. Em seu ela afirmou que o prêmio foi "armado e instrumentalizado" para fazer da homenagem "um ato político de defesa das orientações facciosas" da emissora e do "Jornal Nacional".
Crédito:Divulgação Filha de Mário Lago criticou que William Bonner tenha sido premiado com o troféu que leva o nome de seu pai
"Foi uma pretensa maneira de usar o prêmio para abafar as críticas que a partidarização do JN e de seu editor/apresentador vêm recebendo", escreveu ela, que ressaltou ter 63 anos, 50 de militância política e 46 de jornalismo.

Mário Lago trabalhou na Globo durante muitos anos. O prêmio foi criado em 2002, ano em que ele morreu, para homenagear artistas, principalmente atores. "Nunca nos consultaram sobre isso, mas confesso que fiquei profundamente emocionada quando, passados sete meses da morte de papai, foi anunciado o prêmio, com um belo clipping sobre a trajetória dele e dedicado à grande atriz e pessoa de Laura Cardoso", lembrou Graça.

Segundo ela, desde o início a premiação esteve em um "patamar honesto", mas ela acredita que em 2014 foi "diferente". "Foi tudo armado e instrumentalizado (como quer o Bonner) para fazer da premiação um ato político, de defesa das orientações facciosas da Globo e de seu principal (embora decadente) telejornal. Foi uma pretensa maneira de usar o prêmio para abafar as críticas que a partidarização do JN e de seu editor/apresentador vêm recebendo", afirmou.
Graça diz que o prêmio fugiu aos seus propósitos originais, "Bonner não é um artista" e o evento virou "um circo de elogios instrumentalizados". A jornalista criticou o enaltecimento a "imparcialidade" com que ele e Patrícia Poeta teriam conduzido as entrevistas com os presidenciáveis, pois acredita que os candidatos não foram de forma alguma tratados igualmente.

"E não parou aí. Ouvir o Bonner criticar as redes sociais revirou o meu estômago. Ouvir o Bonner chamar os que o criticam, e à Globo, de robôs instrumentalizados é inqualificável. É um atentado à democracia", acrescentou.

A jornalista lembrou a personalidade de seu pai como um homem político, que "não aceitaria ser manipulado". Ela conta que o viu recusar propagandas bem remuneradas por discordar politicamente delas. "Meio século depois, a Globo tentou jogar no lixo a biografia do meu pai. A isso digo não e me manifesto publicamente sobre a imensa farsa montada nesta premiação ao jornalismo mais instrumentalizado e faccioso deste país", finalizou.

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