Festival Gabo debateu sobre a importância do jornalismo em tempos de crise das democracias

O evento aconteceu entre os dias 2, 3 e 4 de outubro, em Medellín, na Colômbia

Atualizado em 04/10/2019 às 14:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O Festival Gabo debateu sobre a importância do jornalismo em tempos de crise das democracias. .
A mesa-redonda “Jornalismo, para quê?” contou com as presenças da diretora do EL PAÍS, Soledad Gallego-Díaz, da jornalista mexicana Carmen Aristegui e do brasileiro Pedro Doria.

Os temas principais do painel foram as funções do jornalismo na construção da cidadania e o que significa jornalismo para a manutenção da democracia.

Crédito:FUNDACIÓN GABO Na opinião de Carmen Aristegui, diretora e apresentadora do programa de entrevistas que leva seu nome no canal CNN em espanhol, “o jornalismo é uma ferramenta essencial e insubstituível para uma sociedade que exige estar informada. Então, perguntar-se jornalismo para que equivale a perguntar respirar para que, porque a comunicação é algo essencial. O jornalismo é uma parte substancial dos cidadãos”, disse a profissional.
Já Gallego-Díaz afirmou que o jornalismo é “o único instrumento capaz de formar cidadãos. O jornalismo fornece contexto, comprovação e informação, não uma mera notícia. Isso precisa ser feito com instrumentos profissionais”.
Ainda segundo ela, as redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter servem como instrumentos de comunicação, mas não são jornalismo.
“Notícias falsas existiram sempre. O que é novo é que não se produzem de maneira esporádica ou não intencional. Agora é uma estratégia de desinformação que precisa, em primeiro lugar, desprestigiar o jornalismo”.

Imprensa como inimiga
Doria, editor do jornal digital Meio e colunista dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, citou o presidente Bolsonaro e falou sobre a crise das democracias e o papel dos grupos tecnológicos na atual situação da mídia.

“Bolsonaro e outros políticos querem transformar os meios de comunicação em seu inimigo; temos que lutar contra isso. Políticos e partidos devem enfrentar outros políticos e partidos, não os meios de comunicação. A isso se soma a enorme capacidade de um reduzido grupo de empresas tecnológicas para controlar a informação e, eventualmente, acabar com o jornalismo, que tem o dever de contribuir para formar a população num momento em que ele tem mais ferramentas do que nunca para fazer seu trabalho”.