Festival debate produção de conteúdo nas periferias e regulação das big techs

Foi realizado ontem, no Rio de Janeiro, o 4º Festival da Comunicação Sindical e Popular. Promovido pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (N

Atualizado em 25/07/2023 às 14:07, por Redação Portal IMPRENSA.

PC), o evento debateu temas como a produção de conteúdo nas favelas e periferias e a importância de regular a exploração comercial pelas plataformas de internet dos dados de seus usuários.
“Os dados são o grande ouro dos tempos atuais, então precisamos ter esse entendimento que enfrentamos grandes monopólios. E eles lucram muito com a nossa atenção e o nosso tempo”, disse, em cobertura da Agência Brasil, a jornalista Viviane Rosa, que é coordenadora do Intervozes e participou do evento. Crédito: Reprodução NPC Evento foi realizado na Cinelândia, no Rio de Janeiro Por sua vez, Adilson Cabral, publicitário e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou que os dividendos gerados pela exploração dos dados pelas big techs produzem uma "concentração brutal de riqueza na mão de poucos conglomerados, de forma mais intensa do que existe em relação à mídia tradicional".

"Temos que repensar a construção dos espaços da internet como efetivamente livres e responsáveis, onde haja transparência nas relações entre os diferentes atores. Que não tenhamos que ficar à mercê da construção de uma riqueza da qual não participamos."
Jornal Maré de Notícias

Nos debates sobre a produção de conteúdo nas periferias, o evento abordou o caso do Jornal Maré de Notícias, que foi fundado em 2009 no Complexo de favelas da Maré, no Rio, e hoje conta com versões impressa e online.
“A gente existe para mobilizar o morador para conseguir melhorar aquele ambiente. Quando a gente digita Maré nas ferramentas de pesquisa da internet, a comunidade aparece como sinônimo de violência. Mas a Maré não é isso. Se você for lá, vai perceber que é uma potência. É uma comunidade que cria, mesmo quando o poder público não atua”, disse o repórter Hélio Euclides.
Já a assistente social Ana Maria Leone, que comanda desde 2019 um programa na Rádio Ativa, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, afirmou que, antes de ser uma voz ativa na defesa para transformar a comunidade, precisou trabalhar sua autoestima.

“Eu quase nem falava. E achava que era tímida. Hoje, eu sei que era uma mulher silenciada por vários motivos. E a gente acha que não tem conteúdo, que é inferior em relação a outras pessoas e se cala. Quando, na verdade, a gente tem muito para contribuir com as pessoas."