Fernando Bretãs, publicitário e ex-presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do DF

Fernando Bretãs, publicitário e ex-presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do DF

Atualizado em 14/04/2010 às 13:04, por Karina Padial e  da reportagem.

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Início do mercado

"O Sindicato em Brasília foi fundado em 1972. Nós entendíamos na época que existia em Brasília muitas agências que desciam de pára-quedas, agências que disputavam contas, que alugavam uma sala e deixavam ocupado o telefone com um gravador que dizia: 'no momento não podemos atender'. Era algo muito falso, uma espécie de assalto ao mercado. Vinham para Brasília com o objetivo de buscar licitações do governo federal, protecionismo, com o intuito de pegar as contas e voltar para o seu mercado. Não tinham o objetivo de se estabelecer aqui. Naquela época nossa briga não era por contas tão grandes como hoje, eram por contas pequenas e médias mesmo porque o mercado estava engatinhando. A Universidade de Brasília estava colocando os primeiros profissionais com formação publicitária no mercado.

A mídia do governo do DF na época era feita com os próprios resultados de notícias positivas, negativas e neutras. Quem dava notícia negativa recebia publicidade legal, quem dava notícia positiva recebia página dupla, quem dava neutra recebia meia página de anúncio. Até hoje esse vício persiste, mas em menor quantidade."

Panorama atual

"Durante esse tempo, começamos a buscar soluções que atendessem as nossas agências locais. Implantamos a modalidade do consórcio dentro da propaganda. O consórcio publicitário era atendido por três agências que prestavam serviços a seus clientes. Nesse formato algumas de nossas agências locais tiveram oportunidade de trabalhar grandes contas.

Existem três grandes mercados: o do governo federal (incluindo Banco do Brasil, Caixa Econômica), o governo do Distrito Federal [GDF] e a iniciativa privada. Eu vejo o GDF como um importante anunciante do mercado local, as agências são testemunhas disso porque mantém o seu quadro. Eu só observo que deveria ter oportunidade para mais agências pequenas e médias.

Crescimento de verbas

"Hoje tem começado a ter [mais] investimento [no mercado local]. Os nossos empresários que migraram para cá têm seus méritos, criaram suas empresas, ajudaram em muito a cidade a crescer, mas seus negócios não cresceram. Outras gerações desses empresários estão chegando, assumindo o comando e passando a ter outro tipo de comportamento, outra percepção das coisas.

Brasília hoje é o segundo mercado publicitário do país e é o primeiro mercado em decisão de contas. Explico: Banco do Brasil, R$ 160 milhões; Caixa Econômica, R$ 220 milhões; Ministério da Saúde, R$ 180 milhões; Secom, R$ 90 a 100 milhões. Tudo isso decide aqui. Se somar são quase R$ 12 bilhões que são decididos aqui em Brasília."