Férias é trabalho em dobro!
Férias é trabalho em dobro!
Essa história de férias de julho para professores precisa ser esclarecida. Uma pessoa desavisada, que não conhece a profissão, acha que acabaram as aulas e o trabalho terminou. Não é bem assim, eu arrisco até a defender que o período de recesso do meio do ano pode ser o mais produtivo para o professor atento. Tirando àqueles tramites burocráticos que ninguém escapa neste período, correção de provas, lançamento de notas, atividades de recuperação, ainda tem muita coisa a se fazer entre um semestre e outro e férias pode significar trabalho dobrado.
Na verdade o nome já está errado porque férias a gente já logo pensa naqueles momentos de prazer em que você pode vivenciar o ócio sem culpa, jogar tudo para o alto, fazer uma boa viagem ou não fazer simplesmente nada. Não é bem assim, na prática, o que acontece em julho para uma boa parte dos professores é aproveitar o período sem aula para planejar, organizar as atividades do próximo semestre e, claro, aproveitar para colocar em dia os estudos atropelados feitos na correria do semestre.
Quando os corredores da faculdade começam a esvaziar reparo com mais afinco nos murais de aviso. E já notei que este é um momento impar para encontrar um curso de extensão, uma aula de línguas condensada ou um programa intensivo de férias que de uma forma ou de outra pode contribuir com a minha formação. Fico atenta e não perco a chance de fazer alguma coisa que balance um pouco os meus paradigmas e me faça voltar uma professora melhor quando as aulas retornam.
Mas foi em um momento bem mais casual e querendo desacelerar que eu percebi que é possível usar o pouco a mais de tempo livre do recesso de julho sem necessariamente criar mais compromissos agendados em cursos e atividades extras. Quando esta semana entrei no meu quarto e vi exatos quatro livros na mesa de cabeceira uma luz acendeu e pensei: a hora é agora! Decidi que entre as atividades programadas de produção textual, leitura programada, planejamento e consultorias que farei durante esse período qualquer tempinho extra será dedicado a dar fim a pilha de livros.
Claro que é uma meta audaciosa, acho que seria presunçoso da minha parte dizer que será fácil a leitura de todos os livros neste mês. Mas eu não me preocupo com isso, talvez o mais importante seja começar a viagem literária e aproveitar as "férias" para relembrar que ser professor está além de cumprir apenas o ritual burocrático e fortalecer o conhecimento cultural pode ser a chave para um preparo profissional diferenciado. Não tenho dúvidas que estas leituras, em qualquer ponto que eu conseguir chegar, ampliará minha capacidade criativa e minha capacidade de lidar com a desconhecida sala de aula do próximo semestre, ou seja, vou me tornar uma professora melhor depois desse mês de dedicação à leitura. É por isso que as férias pode ser um momento de muito trabalho no sentido mais positivo do termo, essencial para diferenciar a formação e que não deve passar despercebida, com certeza, cada professor saberá usar este período da melhor forma possível.






