Feira de Frankfurt debate artistas que tentam impedir publicação de biografias no Brasil

Na última quarta-feira (9/10), durante a Feira do Livro de Frankfurt, no pavilhão verde-amarelo, houve debate sobre a articulação de artistas para impedir a publicação de biografias não autorizadas no Brasil, país homenageado nesta edição do evento.

Atualizado em 11/10/2013 às 11:10, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Divulgação Fernando Morais é um dos escritores que critica posição do Procure Saber
De acordo com o Portal Uai, o escritor e jornalista Laurentino Gomes, um dos palestrantes do dia, criticou o grupo Procure Saber, administrado pela produtora Paula Lavigne, ex-mulher e empresária de Caetano Veloso.


“Fiquei espantado em saber que artistas que admiro tanto e que sempre lutaram contra a ditadura, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, são favoráveis à exigência de autorização prévia para a comercialização de livros. Achava que todos eles fossem a favor da liberdade de expressão. A coisa está tão séria que o Ruy Castro chegou a declarar que nem quer mais escrever biografias por conta disso”, declarou Laurentino, autor da trilogia “1808”,”1822” e “1889”.


O mineiro Fernando Morais, autor de obras sobre as trajetórias de Olga Benário, Paulo Coelho e de Assis Chateaubriand, defendeu: “Estou fazendo lobby para que não mudem a legislação. Tenho ligado para os deputados e senadores que conheço. Vida de personalidade pública é pública. Se você não quer ter sua intimidade exposta, então não se torne artista. A questão é simples, resolvida pelo Código Penal”, acrescentou.


Além disso, familiares têm conseguido proibir biografias de figuras importantes como Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Cecília Meireles e Lupicínio Rodrigues. O livro sobre Noel Rosa, lançado por João Máximo e Carlos Didier, em 1990, não foi reeditado por conta da ação de herdeiros do compositor. Em 2007, Roberto Carlos, parceiro do Procure Saber, ganhou ação judicial para impedir a venda de sua biografia, escrita por Paulo César Araújo.


O americano Benjamin Moser, autor do livro sobre Clarice Lispector, também criticou a posição de Caetano Veloso e de Paula Lavigne. Em carta aberta ao compositor, divulgada na Folha de S.Paulo , ele destacou, além da defasagem de biografias no Brasil por conta da censura, que o caso não se trata de discussão sobre dinheiro.


“A questão é: que tipo de país você quer deixar para os seus filhos? Minha biografia foi elogiosa, porque acredito na grandeza de Clarice. Mas liberdade de expressão não existe para proteger elogios”, justificou Moser, que concluiu: “Não seja um velho coronel, Caetano. Volte para o lado do bem. Um abraçaço do seu amigo”.


Assista discussão sobre o tema no mídia.JOR:




Leia também

- - -