Fécula de mandioca - um mercado promissor - Joaquim Pereira Filho/USP

Fécula de mandioca - um mercado promissor - Joaquim Pereira Filho/USP

Atualizado em 03/11/2004 às 18:11, por Joaquim Pereira Filho e  estudante de jornalismo da USP.

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O Caderno AGROFOLHA da "Folha de São Paulo" de 02/11/2004 noticia que a ABAM - Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca está tratando com a Tailândia da exportação de tecnologia brasileira de produção de álcool a partir da mandioca.

"A Tailândia é o maior exportador mundial de amido de mandioca e de chips (mandioca picada e desidratada) para os mercados europeu e chinês" escreve J. Maschio da Agência Folha em Londrina. E ele comenta: "a Tailândia é um país essencialmente importador de combustíveis e a produção de álcool de mandioca é vital para seus interesses internos."

Assim, se o Brasil quiser entrar nesse mercado internacional deve tão somente começar a se preparar para isso. Nossa produção de fécula, amido, goma e demais produtos extraídos da mandioca, cresceu bastante neste ano e continuará no próximo, independente de que se a Tailândia vai ou não se interessar em produzir álcool com tecnologia brasileira

A revalorização da mandioca tem uma importância para o Brasil, em especial para São Paulo, Paraná (hoje o maior produtor), Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, onde o incremento da cadeia de negócios tem sido atribuído especialmente à fécula.

Além disso, há um mercado diversificado que faz uso da fécula, podendo-se afirmar que a oferta nacional desse produto está bem aquém da demanda. Em parte isso se deve ao fato da indústria não se poder contar com uma oferta regular ao longo do ano, pois quando a raiz da mandioca está em alta todos saem a plantar, depois caindo os preços deixam de cultivá-la!

E a indústria da fécula tem amplo leque, sem falar na própria farinha feita com a raiz da mandioca. O amido de mandioca é utilizado na fabricação de salsichas e embutidos, como estabilizador em produtos congelados, na indústria de massas, biscoitos e chocolates, sendo empregada ainda na fabricação de papel e até na perfuração de poços para petróleo.

Na verdade, existe um conjunto de facilitadores para o cultivo e industrialização da fécula de mandioca. A começar, o baixo investimento inicial, outro é que a cultura é tolerante à estiagem, uma excelente opção de renda em períodos de entressafra, além disso é possível de ser plantada em terra pouco fértil, quase não utilizando produtos agro químicos O ciclo da mandioca varia de 12 a 18 meses e havendo um contrato bem feito com o industrial advém efetiva garantia da comercialização. Razões como essas têm levado muitos criadores a utilizarem a mandioca para reforma de seus pastos.

No Estado de São Paulo a mandioca plantada sem recursos técnicos produz cerca de 25% de amido, mas também há plantações com mais tecnologia, inclusive no Paraná e Santa Catarina. A EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária vem desenvolvendo mudas híbridas e o cultivo de tipo com amansa burro, bibiana, cigana preta, mestiça e outras que podem dar produtividade maior, cerca de 35% da fécula por peso de raiz.

O plantio da mandioca não desperta maior cuidado com relação a pragas. Mandorová é a mais importante delas, mas é facilmente controlada, sendo que o ideal será sempre utilizar ramas sadias e fazer a rotação das culturas.

Empresários paulistas vêm buscando parcerias, com o objetivo de melhorar o cultivo e a industrialização da mandioca, principalmente no âmbito da agricultura familiar. O Eng. Moise Beçak está desenvolvendo um sistema que sem dúvida irá resolver aquele problema da produção: hoje em excesso, amanhã em falta. Ele propõe que os que plantam mandioca além de fornecê-la à fecularia sejam acionistas da mesma. Assim, quem cultiva estaria recebendo ao vender sua produção de raiz à indústria e depois recebendo lucros desta mesma da qual é acionista. Um protótipo dessa idéia já está sendo implantado no Estado de Mato Grosso do Sul.