"Faltam locutores com personalidade" - Cobertura Brasil Rádio Show

"Faltam locutores com personalidade" - Cobertura Brasil Rádio Show

Atualizado em 18/05/2011 às 19:05, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Por Na tarde desta quarta-feira (18), IMPRENSA visitou a feira Brasil Rádio Show, evento criado para apresentar inovações na radiodifusão e discutir o setor. Ocorrido no pavilhão de eventos do Anhembi, em São Paulo, o evento teve início na última quarta-feira e termina nesta sexta.
IMPRENSA acompanhou o painel "Quem toca o negócio", que discutiu a gestão de rádio, a figura indispensável do locutor e qual caminho o veículo deve seguir nos próximos anos. Participaram Carlos Townsend, diretor da Digital Work Station, Luís Fernando Magliocca, produtor e diretor da Publinter, e Chico Paes de Barros, diretor da Rádio Capital.
O ponto uníssono entre todos os painelistas foi a capacitação dos que ficam à frente do negócio em rádio. Ainda que o profissional tenha vocação de marketing e administração, a formação principal deve ser em radialismo.
Chico Paes de Barros afirmou que "existe falta de criatividade em todos os setores. E isso atinge a gestão de rádio".
Problema maior que a administração em si da rádio é seu posicionamento diante da globalização das informações, segundo observaram os painelistas.
Barros indicou o jornalismo popular, no caso da Rádio Capital, como forma de recuperar o veículo. "Mas isso por falta de um locutor de personalidade", observou.
O executivo tocou em um ponto que alvoroçou a plateia (formado por locutores e produtores) e os demais painelistas. "Hoje não existe mais a figura do locutor que traz o dinheiro (publicidade). Por isso, na Capital tentamos associar o produto com a programação, isso para diminuir a dependência do comunicador".
Para Carlos Townsend, "os donos das rádios têm medo que ele [o locutor] fique muito maior que a própria rádio e que, daí, eles percam o controle", disse. "Isso é uma bobagem", acrescentou.
Luis Magliocca concordou com a necessidade de uma figura reconhecida pelo público, mas observou a dificuldade em encontrar locutores originais. "Dizem que o locutor não é importante; e sim o formato. E dizem isso porque você abre uma gaveta e tem demo-tapes de mais de 150 locutores que fazem exatamente a mesma coisa. Aí ele se torna dispensável. O cara pensa: 'ah, se ele sair, eu coloco outro no lugar e ponto', comentou.
"E é assim que a rádio vai ser engolida pela Internet", sentenciou.
Townsend concordou imediatamente: "Se a rádio não souber se reinventar, vai fazer programação para gente mais velha, mas, depois, vai sumir", disse, ao que acrescentou Magliocca: "Mesmo os mais velhos, como nós, vão ouvir podcast".
Voltando a questão da urgência em criar locutores com apelo e personalidade, Carlos Townsend lembrou que, justamente os podcasts, estão revelando pessoas com mais potencial que as rádios: "Falta conteúdo e liberdade de criação nas rádios. Está tudo muito homogêneo. Já no podcast estão surgindo sujeitos que não seguem o formato, não ligam para padrões. E é lá que está o futuro", falou.
"Exatamente", afirmou Magliocca, "não é só ter uma boa voz, é preciso ter credibilidade! Isso não tem mais, está muito difícil".
Nas considerações finais, Chico Paes de Barros disse, que apesar da crise que atinge todos os setores de informação, ele "acredita muito no rádio". Precisamos melhorar o nível. E isso passa pela educação, pelo ensino - que é privilégio de uma elite muito pequena - para formar bons profissionais, gente com qualidade, com personalidade, falando da questão do locutor".
Tendo como gancho a crise, Carlos Paes de Barros indicou uma solução em seu último comentário. "Vivemos em um mundo em que as opções de informação são infinitas. Gente, o trânsito é do rádio! A única coisa que a gente pode fazer nessas horas é ouvir! Tem muita gente que só ouve notícias no rádio. Se soubermos tirar proveito disso..."
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