“Falta um pouquinho de coração na fotografia atual”, diz Sebastião Salgado

O fotógrafo Sebastião Salgado (69) revelou, em entrevista à Época, que continua a usar métodos tradicionais para fotografar, embora tenha abandonado a câmera convencional há cinco anos.

Atualizado em 03/06/2013 às 19:06, por Redação Portal IMPRENSA.

revelou, em entrevista à Época , que continua a usar métodos tradicionais para fotografar, embora tenha abandonado a câmera convencional há cinco anos. Para o profissional, falta sentimento nas imagens produzidas hoje.
“Eu conto uma história inteira por meio do trabalho fotográfico”, disse o Salgado. “A minha fotografia tem um caráter simbólico.”

Segundo o fotógrafo, no instante em que se tira uma foto, não há tempo para pensar em composição, diagonal, na luz, na dinâmica. “Isso é intrínseco. Por isso muita gente usa câmara, mas poucos são fotógrafos. Luz, composição, são as constantes. Depois vêm as variáveis: a ideologia – o conjunto de coisas que você viveu, sua ética, suas escolhas.”
Sebastião Salgado aderiu à câmera digital em 2008, mas diz que não sabe “mexer com tecnologia”. “Levo comigo cartões de memória, fotografo. De volta, meu assistente coloca tudo em prancha, e com a lupa edito tudo. Só sei trabalhar à moda antiga.”
Ele diz não se enquadrar no gênero fotojornalismo, nem mesmo na fotografia “de arte”, considerada excessivamente comercial. “Minha vontade é narrar algo. Por isso, aprendi a cantar enquanto vou clicando. Cantar me aproxima de um fluxo linear e constante e me ajuda a pensar em um enredo.”
Salgado diz vender suas fotos por quantias que vão de R$ 6 mil a R$ 100 mil. “Mas não concebi para o mercado. Se as pessoas querem, tudo bem. Mas hoje o que você vê entre os fotógrafos profissionais é fotografia feita exclusivamente para vender. Falta um pouquinho de coração na fotografia atual. É simplesmente um produto de arte.”