Falta de estrutura compromete acervo do Museu da Comunicação de Porto Alegre

Falta de armazenamento adequado compromete acervo do Museu da Comunicação de Porto Alegre

Atualizado em 01/08/2011 às 13:08, por Luiz Gustavo Pacete e  enviado a Porto Alegre (RS).

O que inicialmente era uma visita para contar a história do (Museu da Comunicação de Porto Alegre) acabou virando a oportunidade do diretor da instituição, o jornalista Augusto Franke Bier demonstrar frustração ao anunciar as dificuldades vividas pela instituição. "Luz, chegou semana passada. Papel higiênico, isso é raridade por aqui". Desta forma, Bier começa a enumerar as dificuldades vividas pela instituição.

Crédito:Luiz Gustavo Pacete Augusto Bier, diretor do museu
O museu localizado no centro de Porto Alegre foi palco de importantes momentos da imprensa gaúcha. Está instalado em um prédio histórico construído em 1922 para sediar o jornal republicano A Federação . Até 1974, o local abrigou o Diário Oficial do estado. Depois virou museu, após o esforço da Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI), sob a liderança dos jornalistas Alberto André e Sérgio Dillenburg. "Aqui é muito mais do que um museu, é um arquivo, um local de pesquisas. Chegamos a receber 140 visitas diárias de universitários a gente que trabalha com mídia. Mas infelizmente todo esse acervo está condenado se não houver investimento", conta Bier.
No arquivo de jornais o museu possui exemplares a partir de 1808 e 700 periódicos raros somando 13 mil títulos, que segundo Bier, possuem um futuro incerto caso não seja instalado um sistema de climatização. "Perdemos 40% do acervo de cinema por falta de climatização e se algo não for feito com urgência acontecerá o mesmo com os jornais que já estão em processo de decomposição. O jornalista comenta que a instituição saiu quebrada da gestão da Yeda Crusius, ex-governadora do Rio Grande do Sul. "Houve um descaso com o acervo, com R$35 mil resolveríamos o problema de climatização".

Crédito:Luiz Gustavo Pacete
BIer mostra jornais comprometidos Bier também reclama de que quase nada do museu foi digitalizado. E que espera que a situação mude agora que o museu conta com um captador de recursos que vem para conseguir investimentos. Com tantas negativas relacionadas questionado sobre ter aceitado o convite de dirigir a instituição mesmo mostrando em suas palavras um grau de frustração ele afirma que a paixão pela história da imprensa e pelo acervo o fazem continuar. "Além de estar cuidando de algo tão precioso para a história da nossa imprensa, temos aqui uma equipe muito boa, que trabalha por amor a causa". Crédito:Luiz Gustavo Pacete Umidade compromete o acervo

Apesar das dificuldades, o museu está aberto e mantém a rotatividade de pessoas interessadas na história da imprensa. "A degeneração do acervo ainda não impede a pesquisa. Mas se, em breve, a digitalização não for feita - e deverá começar neste governo Tarso Genro, com o Secretário Assis Brasil! - aí passaremos a vender cuecas e calcinhas", ironiza. Diversos livros e jornais que deveriam estar adequadamente armazenados estão expostos à umidade e ao tempo.

O Portal IMPRENSA entrou em contato com a , que por meio de seu secretário, Assis Brasil, comentou as declarações de Bier:

Crédito:Divulgação Secretário de Cultura de Porto Alegre
IMPRENSA - Qual a atenção e os recursos destinados ao Museu da Comunicação? Assis Brasil - A atenção é permanente, tal como acontece com todas as instituições da Secretaria. As instituições da Sedac (Secretária da Cultura) não possuem orçamento próprio; quem o possui é a Sedac, que atende, dentro do possível, as demandas de suas instituições.
IMPRENSA - Procede a informação de que o Museu carece de recursos básicos como papel higiênico? Assis Brasil - Não procede.
IMPRENSA - É fato de que o museu estava quebrado em função do governo anterior? Assis Brasil - Não pode quebrar uma instituição do Estado; apenas uma empresa privada. Se, entretanto, quebrado, entende-se uma situação desfavorável, sim, recebemos o Museu numa situação precaríssima, que iremos corrigir, à medida das disponibilidades financeiras.




Principais jornais que fazem parte do acervo do Museu:
Diário de Porto de Alegre (1827-1828): primeiro jornal a circular na Província de São Pedro (RS).
Mestre Barbeiro (1835): Considerado o menor periódico publicado no século XIX.
O Povo (1838-1840): órgão Oficial da República Rio-Grandense. Sua tipografia foi adquirida no Uruguai com a venda de 17 escravos.
O Noticiador (1832-1836): primeiro jornal fundado no interior da Província de São Pedro, em Rio Grande.
O Imperialista (1839-1840): órgão de oposição ao ideário Farroupilha que defendia os interesses do Império. O lema do jornal era "Legalidade e União".
O Echo Porto-Alegrense (1834-1835): primeiro periódico na Capital da Província a circular três vezes na semana. Apoiou os ideais farroupilhas.
O Guayba (1856-1858): primeiro jornal literário do Rio Grande do Sul.
Jornal do Comércio (1864-1911): este periódico está entre os mais importantes jornais impressos no Rio Grande do Sul. A Sentinela do Sul (1867-1869): primeiro jornal ilustrado que circulou no Estado.
A Federação (1884-1937): órgão do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) que realizou intensa campanha política contra o regime monárquico.
Correio do Povo (1895): o mais antigo jornal na capital gaúcha, ainda em circulação. Criado por Caldas Júnior (1868-1913).

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