Fale com o jornalista
Duas dúzias de rosas brancas e uma rosa vermelha compunham o buquê. No bilhete, trecho de uma música de Zeca Baleiro: “(...) Hoje acordei co
Atualizado em 06/01/2014 às 14:01, por
Silvia Bessa.
Crédito:Leo Garbin m uma vontade danada de mandar flores ao delegado (...)”. O delegado – de braços musculosos, camiseta preta e sorriso no rosto – ficou defronte à placa da DP da 20º Circunscrição de Jaboatão dos Guararapes para a foto com o ramalhete. Igor Leite, o nome dele. Policial novo, 30 anos. Tem feito sucesso aqui na região metropolitana do Recife. Investe na comunicação.
Mês passado, voltou de férias e tascou um post no Facebook com o lançamento da sua campanha “Fale com o delegado”. Divulgando o número do seu celular, fez um apelo público para que a população colaborasse dando notícias de bocas de fumo, tráfico de drogas e armas de fogo em casa. Acrescentou detalhe importantíssimo na mensagem: “Pode ligar a cobrar ou mandar mensagem de texto”. O anonimato está garantido, disse. Se preferir, avisou, pode até mandar mensagem para o perfil da rede social ou ligar para o telefone convencional da delegacia.
Vi a postagem e, usando a minha rede, repassei a campanha de Igor Leite. Após centenas e centenas de compartilhamentos e comentários, resolvi observar que fenômeno era aquele do delegado jovem. Fiquei surpresa com a descoberta: era um profissional empenhado que, assumindo riscos e ponderando ônus e bônus, resolveu aproximar-se do seu público-alvo se tornando mais acessível. Em questão, a comunidade de Jaboatão e vizinhanças.
O delegado Igor Leite começou a prestar conta do seu trabalho (“Informamos que derrubamos a boca de fumo”) e passou a quebrar a barreira da imagem que separa as autoridades do povo (ele publica desde fotos de cachorros até o Chandon que toma). Por fim, abriu um bom canal de comunicação. Deu certo. Segundo o delegado, as informações enviadas via internet desde que ele entrou na rede já lhe ajudaram em mais de trinta prisões.
Cada uma à sua maneira, também acompanhei médicos, advogados, professores, estudantes, ativistas de direitos humanos e ecologistas expandirem nesse ano seus contatos nas redes da web. Para mim, como jornalista, foi ótimo ter acesso a cada conhecido ou desconhecido, e ter uma variedade diversa de informações e opiniões a meu dispor.
Agora, a questão mais importante e que mais me consome nesse final de ano enquanto profissional é esta: será que eu, ou nós, jornalistas, estamos sendo acessíveis e disponíveis suficientemente para as fontes? Sentada nesta cadeira em uma redação de jornal, penso que a gente está muito mais distante do mundo do que deveria estar. A gente precisa arrumar urgentemente versões de pautas e campanhas ao modo “Fale com o seu jornalista”. Os noticiários de jornais, sites e televisão se tornarão mais interessantes. Bom 2014 e boa sorte.

Mês passado, voltou de férias e tascou um post no Facebook com o lançamento da sua campanha “Fale com o delegado”. Divulgando o número do seu celular, fez um apelo público para que a população colaborasse dando notícias de bocas de fumo, tráfico de drogas e armas de fogo em casa. Acrescentou detalhe importantíssimo na mensagem: “Pode ligar a cobrar ou mandar mensagem de texto”. O anonimato está garantido, disse. Se preferir, avisou, pode até mandar mensagem para o perfil da rede social ou ligar para o telefone convencional da delegacia.
Vi a postagem e, usando a minha rede, repassei a campanha de Igor Leite. Após centenas e centenas de compartilhamentos e comentários, resolvi observar que fenômeno era aquele do delegado jovem. Fiquei surpresa com a descoberta: era um profissional empenhado que, assumindo riscos e ponderando ônus e bônus, resolveu aproximar-se do seu público-alvo se tornando mais acessível. Em questão, a comunidade de Jaboatão e vizinhanças.
O delegado Igor Leite começou a prestar conta do seu trabalho (“Informamos que derrubamos a boca de fumo”) e passou a quebrar a barreira da imagem que separa as autoridades do povo (ele publica desde fotos de cachorros até o Chandon que toma). Por fim, abriu um bom canal de comunicação. Deu certo. Segundo o delegado, as informações enviadas via internet desde que ele entrou na rede já lhe ajudaram em mais de trinta prisões.
Cada uma à sua maneira, também acompanhei médicos, advogados, professores, estudantes, ativistas de direitos humanos e ecologistas expandirem nesse ano seus contatos nas redes da web. Para mim, como jornalista, foi ótimo ter acesso a cada conhecido ou desconhecido, e ter uma variedade diversa de informações e opiniões a meu dispor.
Agora, a questão mais importante e que mais me consome nesse final de ano enquanto profissional é esta: será que eu, ou nós, jornalistas, estamos sendo acessíveis e disponíveis suficientemente para as fontes? Sentada nesta cadeira em uma redação de jornal, penso que a gente está muito mais distante do mundo do que deveria estar. A gente precisa arrumar urgentemente versões de pautas e campanhas ao modo “Fale com o seu jornalista”. Os noticiários de jornais, sites e televisão se tornarão mais interessantes. Bom 2014 e boa sorte.






