Fala, Calumbi
Crédito: Leo Garbin Se a popularidade da presidenta Dilma Rousseff está em queda vertiginosa, a pauta é ouvir os brasileiros de Calumbi.
Atualizado em 05/08/2013 às 14:08, por
Silvia Bessa.
popularidade da presidenta Dilma Rousseff está em queda vertiginosa, a pauta é ouvir os brasileiros de Calumbi. Estive lá em 2010 após a Justiça Eleitoral anunciar que a candidata do PT teve nesse município do Sertão de Pernambuco a maior vitória proporcional do país – 94,8% dos votantes no primeiro turno, status confirmado com 96,5% no segundo turno. Desavisada, joguei fora a caderneta de anotações da época. Redes sociais, salvem-me para achar aquele casal que defendia Dilma ardorosamente em respeito ao presidente Lula. Vinte mensagens inbox, oito retornos, fotos enviadas e dois dias depois surge na minha tela de computador o telefone celular de dona Helena Gomes e do marido, João Pedro. “Alô, dona Helena, como vai a senhora? Quem fala é Silvia, jornalista que há alguns anos a entrevistou, lembra?” Ela: “Como lembro! Todo mundo falou quando viu o jornal. Cadê você que não apareceu mais?”, perguntou, com o marido ao lado pedindo a vez no telefone celular. Ela passa. Seu João: “Tá querendo falar com ela ou comigo?”. Eu: “Com os dois.
Estou pensando em ir aí. Vocês têm assistido a esses protestos na TV? Eu queria saber o que vocês acham de Dilma, se estão gostando do governo…”. Seu João: “Peraí, Helena fala melhor”. Repito a pergunta. Dona Helena se anima: “Ave-Maria! Votava nela de novo. Os prefeitos fazem besteira, não resolvem os problemas e botam a culpa nela? Isso eu não aceito. Mas eu estou apoiando os protestos. Concordo mesmo. Meu marido até foi para o protesto daqui”. Eu perguntei, sem querer cortar o ritmo dela: “Foi mesmo?!”. Dona Helena: “O povo protestou contra as obras inacabadas”. Com 5.600 habitantes, Calumbi – soube eu antes por outras fontes que fiz no interior nordestino – foi uma dessas cidades de pequeno porte cujos moradores saíram às ruas levando um pacotão de reclamações.
Cerca de 60 pessoas percorreram o centro da cidadezinha, com caras pintadas, múltiplas bandeiras e cartazes à base de tinta guache. Gritavam contra tudo, inclusive contra o prefeito Erivaldo José da Silva, conhecido como Joelson, que responde pelo cargo sob liminar porque teve o diploma cassado após acusação de abuso de poder econômico e uso da máquina pública. “Pode não ter tido tanta gente como nos outros lugares, mas foi muita, considerando que aqui, por ser uma cidade pequena e com poucas fontes de renda, as pessoas têm dificuldade de se manifestar contra o poder local”, disse Caroline Guerra, 18 anos, uma das organizadoras.
Calumbi era o que procurava para fugir do comum em ocasião cheia de notícias quentes e pautas óbvias. Virou matéria porque guardei boas referências de lá. Parte representativa de um jornalista é composta por uma agenda, pelos contatos que faz ao longo de uma profissão e pela instrumentalização da memória. é repórter especial do Diário de Pernambuco. Escreve sobre questões sociais e direitos humanos no Nordeste. silviabessape@gmail.com.
Estou pensando em ir aí. Vocês têm assistido a esses protestos na TV? Eu queria saber o que vocês acham de Dilma, se estão gostando do governo…”. Seu João: “Peraí, Helena fala melhor”. Repito a pergunta. Dona Helena se anima: “Ave-Maria! Votava nela de novo. Os prefeitos fazem besteira, não resolvem os problemas e botam a culpa nela? Isso eu não aceito. Mas eu estou apoiando os protestos. Concordo mesmo. Meu marido até foi para o protesto daqui”. Eu perguntei, sem querer cortar o ritmo dela: “Foi mesmo?!”. Dona Helena: “O povo protestou contra as obras inacabadas”. Com 5.600 habitantes, Calumbi – soube eu antes por outras fontes que fiz no interior nordestino – foi uma dessas cidades de pequeno porte cujos moradores saíram às ruas levando um pacotão de reclamações.
Cerca de 60 pessoas percorreram o centro da cidadezinha, com caras pintadas, múltiplas bandeiras e cartazes à base de tinta guache. Gritavam contra tudo, inclusive contra o prefeito Erivaldo José da Silva, conhecido como Joelson, que responde pelo cargo sob liminar porque teve o diploma cassado após acusação de abuso de poder econômico e uso da máquina pública. “Pode não ter tido tanta gente como nos outros lugares, mas foi muita, considerando que aqui, por ser uma cidade pequena e com poucas fontes de renda, as pessoas têm dificuldade de se manifestar contra o poder local”, disse Caroline Guerra, 18 anos, uma das organizadoras.
Calumbi era o que procurava para fugir do comum em ocasião cheia de notícias quentes e pautas óbvias. Virou matéria porque guardei boas referências de lá. Parte representativa de um jornalista é composta por uma agenda, pelos contatos que faz ao longo de uma profissão e pela instrumentalização da memória. é repórter especial do Diário de Pernambuco. Escreve sobre questões sociais e direitos humanos no Nordeste. silviabessape@gmail.com.





