Fake News em meio às tragédias

O papel do jornalista é produzir notícia. Descrever a realidade e informar as pessoas são as funções do profissional, mas não é de hoje que as notícias falsas, conhecidas como fake news, circulam as redes de informação.

Atualizado em 03/11/2017 às 17:11, por Pedro Canguçu.

De pequenas reportagens a grandes atentados são alvos da “credibilidade” que a fake news partilham perante a sociedade. Crédito:Reprodução Donald Trump, 71, é conhecido por ser polêmico nas redes sociais, em especial, no Twitter, mas, no último domingo (10), o diretor de redes sociais do presidente estadunidense, Dan Scavino (41), publicou um falso vídeo do Aeroporto Internacional de Miami (MIA), em que o aeródromo estava inundando por consequência do Furacão Irma.
Por meio de um tweet acompanhado de um vídeo, Dan, escreveu: “Assim está o Aeroporto Internacional de Miami! Tenham cuidado!”. No vídeo, mostravam o campo de aviação alagado.
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Dan compartilhou a mensagem com o Trump e Mike Pence, vice-presidente, mas não durou por muito tempo. Em seguida, as autoridades do MIA publicaram: “Este vídeo não é do Aeroporto Internacional de Miami”, afirmando que as imagens não correspondem ao aeroporto.
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Ao admitir o erro (“Estava entre as centenas de vídeos e fotografias que estou recebendo”), Dan apagou imediatamente o tweet.
Fake News e ataque terrorista
Mas não é a primeira vez que os internautas são enganados pelas fake news. Na noite do dia 22 de agosto, no show da cantora pop Ariana Grande, o estádio Manchester, na Inglaterra, foi alvo de ataque terrorista. O saldo foi 22 mortos, inclusive o autor do atentado, e 59 feridos. Na época, uma imagem falsa fora veiculada, o que causou pânico entre os “arianators”, fãs da cantora, na qual Ariana teria sofrido com o ataque. Na verdade, a imagem se referia à uma filmagem que a cantora realizou em 2015.
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Como não ser enganado?
De acordo com o caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, está na hora da população saber que informações falsas dão muito dinheiro para os criadores, e que existem técnicas simples e eficientes para produzir o conteúdo. A agencia Lupa, hoje, é a primeira agência no Brasil a checar a veracidade dos fatos que circulam no país. Os informes são classificadas conforme ilustra a imagem:
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De acordo com o artigo publicado na Folha de S. Paulo no dia 6 de abril de 2017, há cinco formas para descobrir a veracidade dos fatos e eles são distribuídos da seguinte forma:
A primeira é: duvide de quem cita dados sem revelar fontes. É fácil manipular uma informação agindo assim. A segunda dica: duvide daqueles que promovem uma relação causal simples, dizendo que A provoca B. Há sempre diversos fatores envolvidos na concretização de um fato. Terceira: desconfie de números absolutos sem contexto. Ir de 1 para 2 é um aumento de 100%. Dependendo do assunto, trata-se de algo irrelevante. Peça porcentagens e valores absolutos. Quarta: cuidado com as cifras muito exatas sobre temas como violência. Esses dados mudam a cada instante e nem sempre são computados usando a mesma metodologia. Quinta: por fim, suspeite de frases que contenham expressões como “a maior/menor/melhor/pior do mundo”. Todas tendem ao exagero.
Portanto, a checagem é fundamental. Jornalista e a notícia andam juntos, e têm com o principal compromisso, a realidade. Existe, hoje, sites que permitem a checagem, como o Fact Checking Day para que os amantes de informação não leiam fatos inexistentes.
* SOS Imprensa é o blog de extensão da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília - UnB. Para conferir mais textos indicados pelos Embaixadores IMPRENSA, acesse .