"Extra" registra 26 mil usuários no WhatsApp ao completar um ano de uso do aplicativo

Estreia foi durante os protestos de junho de 2013.

Atualizado em 25/06/2014 às 11:06, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornal carioca Extra completou, na última terça-feira (24/6), um ano de uso do aplicativo de mensagens WhatsApp na cobertura jornalística. A estreia aconteceu durante os protestos de junho de 2013 e contribuiu para o acesso a informações, fotos e vídeos para a publicação.
Crédito:Reprodução Depois de um ano, jornal tem 26 mil usuários cadastrados no WhatsApp
Em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, o editor e idealizador do projeto, Fábio Gusmão, relatou que após 48h do anúncio da iniciativa, 348 pessoas foram adicionadas, incluindo estrangeiros. “Em junho, quando começaram as manifestações, lembrei da Primavera Árabe, quando Twitter e Facebook foram bloqueados, mas todo mundo se comunicava pelo WhatsApp”, disse Gusmão.
Atualmente, o Extra possui 26 mil usuários cadastrados, mais de um milhão de mensagens, além de 50 mil fotos, 2 mil vídeos e 1,8 mil áudios. O material, entretanto, não é totalmente aproveitado. “A gente não aproveita nem 5% do que chega ali, porque não tem como. Tem muita coisa que não vira notícia. Mas tudo o que vem por ali, quando é relevante, a gente tenta usar”, acrescentou.
O jornal também utiliza o aplicativo no computador para gerenciar melhor as mensagens. Os repórteres e editores se revezam para responder, uma vez que a conta não pode ser operada em outros dispositivos ao mesmo tempo. Quando surge algo urgente, entretanto, qualquer profissional pode ver.
Gusmão revela que a operação resultou em uma série de materiais para a publicação como denúncias, informações exclusivas e, muitas vezes, na hora em que o fato ocorre. “A gente usa até para buscar personagem. Às vezes, o repórter sai com a matéria apurada praticamente, porque tudo chega por ali. Muitas vezes - e este é o sucesso - a testemunha já aciona a gente e conta o que viu, mas conta com vídeo, foto, áudio, além do relato”, relatou.
O Extra também criou uma rede de colaboração entre jornalistas que cobrem o crime organizado na América Latina, a Rede Narcosul, que reúne repórteres do continente que querem trocar informações, ou solicitar ajuda em investigações sobre narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas e evasão de divisas.
A iniciativa veio durante a produção da série de reportagens "Os embaixadores do Narcosul", publicada no dia 25 de maio. Cofinanciado pelo Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), o trabalho envolveu viagens à Bolívia, Paraguai e Peru, além de capitais e cidades de fronteira do Brasil.
“O que temos feito bastante é transmissão de dicas para os jornalistas. A rede é para encurtar o caminho, um vai passando informação para o outro e depois criando grupos. As pessoas vão se conhecendo e formando suas redes para ajudar nas suas reportagens. Está dando certo", ressaltou.