Exposição sobre imigrantes africanos em SP é baseada em trabalho jornalístico

Será realizada até o dia 12 de março, no Museu da Imigração (MI), vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, a exposição África em São Paulo, que reúne retratos e depoimentos de imigrantes africanos que vivem na capital paulista.

Atualizado em 20/01/2023 às 14:01, por Redação Portal IMPRENSA.



O trabalho foi feito pelo fotógrafo Bob Wolfenson e pelo jornalista Naief Haddad, que é repórter especial da Folha de S. Paulo, onde trabalha desde 1997 e já foi editor de Projetos Especiais, Esporte, Turismo, Comida e Guia.
A exposição conta com 43 fotos e depoimentos de imigrantes de 21 países africanos - incluindo África do Sul, Angola, Camarões, Chade, Egito, Guiné-Bissau, Moçambique, República Democrática do Congo, Senegal, Tanzânia e Togo.

Entre os personagens retratados está o músico e compositor do Togo Tyno Val (@tyno_val), que trabalha numa oficina de carros durante o dia e dedica-se à arte durante a noite. Já Madalena Nanque, que nasceu na Guiné-Bissau em 1979 e chegou ao Brasil em 1998, é filha do rei da tribo Papel. Mas no Brasil ela vive sem mordomia: formou-se em teologia e pedagogia e trabalha para sustentar-se.
Outro personagem é o saxofonista egípicio Tarek Sabry, que veio morar em São Paulo após apaixonar-se por uma brasileira, Claudia, com quem é casado e tem dois filhos. Já a camaronesa Mama Louise Edimo, de 75 anos, resolveu viver no Brasil nos anos 1970, após formar-se em jornalismo em Paris. Com experiência como produtora musical, hoje ela é uma referência da cultura de Camarões em São Paulo.
Pauta sobre emprego

A ideia da exposição surgiu em 2018, durante a apuração de uma pauta sobre emprego. Na ocasião, Naief e Bob perceberam a grande diversidade de imigrantes africanos no centro da capital paulista. Crédito: Reprodução Museu da Imigração "Bob e eu ficamos fascinados pelo trabalho dos africanos, que vendiam de máscaras a turbantes. Mergulhamos nesse assunto e, desde então, conhecemos pessoas incríveis, que formam um mosaico da nova imigração na cidade", diz Naief Haddad.
Um dos objetivos da exposição, que foi lançada em novembro último, na véspera do Dia da Consciência Negra, é romper com a visão reducionista que não distingue as variadas culturas dos diferentes países do continente africano. Nesse sentido, o trabalho ressalta as particularidades dos hábitos e estilos de vida dos personagens retratados.
Junto com as fotos em grandes formatos, o visitante tem acesso a depoimentos (escritos e em áudio) dos imigrantes. Os assuntos abordados são diversos, mas quase sempre incluem suas trajetórias, os motivos que os levaram a deixar o país de origem, a saudade da terra natal e a realidade no Brasil.
Wolfenson conta que Naief trouxe os primeiros personagens. E a jornalista Luly Zonta acabou ajudando a buscar novas pessoas. "Eu fui um pouco ao sabor dos acontecimentos, não tinha uma ideia pré-concebida de como fazer as fotos. Quando vejo esse conjunto todo pronto, percebo a beleza e a integridade deste trabalho", revela o fotógrafo.
O escritor Jeferson Tenório e o ator e ativista Vensam Iala, que é especialista em literatura africana, assinam os textos de apresentação da mostra.

Serviço

Exposição África em São Paulo

Até 12 de março

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

Local: Museu da Imigração

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