Exército executa jornalista que informava sobre conflito armado em Mianmar

O jornalista Aung Kiaw Naing estava detido desde o dia 30 de setembro, após se apoderar de uma arma de um soldado, segundo a versão oficial.

Atualizado em 24/10/2014 às 15:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Aung Kiaw Naing, um jornalista independente que fazia a cobertura sobre o conflito armado que acontece com a guerrilha da minoria étnica karen, foi executado pelo Exército Birmanês, aponta uma denúncia formal do Conselho de Imprensa de Mianmar nesta sexta-feira (24/10).


Crédito:Reprodução Aung Kiaw Naing foi assassinado pelo exército birmanês
Segundo a Agência EFE, o comunicador freelancer estava detido desde o dia 30 de setembro em Kyaikmayaw, perto da fronteira com a Tailândia. No início deste mês, tentou escapar do cativeiro, mas foi alvejado com um tiro após se apoderar da arma de um soldado, conforme descreve a versão oficial entregue pelos militares. Ele ainda é acusado ainda de ser “capitão de comunicações” na União Nacional Karen (UNK), braço político da guerrilha Exército Budista para a Democracia Karen.
Em resposta, a organização karen negou que o jornalista seja um militante. Na ocasião em que foi preso, ele fazia a cobertura dos confrontos do ‘partido’ com as forças governamentais. A ativista e mulher da vítima Than Dar declarou que não havia sido comunicada oficialmente pelo Exército sobre a morte de seu marido e disse que continuará “lutando pela justiça”.
A UNK é considerada um braço político de uma guerrilha que utilizou as armas para dar um golpe no país em 1949, um ano depois da independência de Mianmar. Na época, o grupo militar em questão lutou contra o governo para reivindicar a autonomia de um amplo território do leste do país.