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Leonardo Attuch nega que pagou por entrevista e dispara: "A versão de Veja e Carta Capital é tão ridícula que não prosperou"
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Leonardo Attuch nega que pagou por entrevista e dispara: "A versão de Veja e Carta Capital é tão ridícula que não prosperou"
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Leonardo Attuch nega que pagou por entrevista e dispara: "A versão de Veja e Carta Capital é tão ridícula que não prosperou"
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Fotos: Adolfo Vargas
O jornalista Leonardo Attuch, 34, editor da economia da semanal IstoÉ Dinheiro, foi o autor do furo que culminou com a reviravolta no caso do "mensalão": a entrevista com a secretária do empresário Marcos Valério, Karina Somaggio. A euforia pelo furo, porém, veio acompanhada de um bombardeio. Veja e Carta Capital o acusam, ora de forma cifrada, ora direta, de vender reportagens favoráveis a banqueiros e empresários.
As acusações são baseadas em matérias assinadas por Attuch - que foram na contramão do noticiário - e em um relatório da Polícia Federal, que dedica cinco páginas ao seu nome. Nesta entrevista exclusiva ao Portal IMPRENSA, Attuch se defende das acusações, avalia as motivações de cada uma das revistas, fala sobre o furo do "mensalão" e desabafa: "Meu crime foi entrevistar um inimigo do governo"
IMPRENSA - No depoimento hoje à CPI dos Correios, o empresário Marcos Valério disse ter ouvido de uma funcionária dele que você teria pago pela entrevista da secretária Fernanda Karina Somaggio. Este pagamento exisitiu?
Attuch - Ele não citou o meu nome. Falou de um jornalista, mas afirmou que não poderia precisar quem seria. No meu caso, é evidente que não houve qualquer tipo de pagamento. Tal insinuação talvez faça parte da estratégia de defesa.
IMPRENSA - Você tem vivido emoções fortes nos últimas semanas. Primeiro o furo histórico, que foi a entrevista com a secretária Karina Somaggio. Depois, um bombardeio de coleguinhas da Veja e da Carta Capital, que insinuam uma relação venal sua com Daniel Dantas e levantam suspeitas sobre a sua ética. O que tem prevalecido, a euforia ou a angústia?
Attuch - Eu sou um sujeito de reações relativamente frias. Não fiquei eufórico com o furo, mas feliz por ter feito uma matéria que pautou a imprensa. A Folha, por exemplo, utilizou aquela reportagem como ponto de partida para fazer várias revelações importantes. Meu papel foi dar o start. Mas não deixa de ser chato o fato de apenas uma publicação, o Valor , ter citado o nome do autor da reportagem. E, ainda sim, especificando: "A matéria foi publicada por IstoÉ Dinheiro e assinada por Leonardo Attuch, que segundo a Veja, é investigado pela Policia Federal devido suas ligações com a Kroll e o Grupo Opportunity". Em vez dar o crédito de uma forma respeitosa, puxaram para um problema que é armado, fruto de uma perseguição.
IMPRENSA - Por que estão tentando desqualificar sua entrevista com Karina Somaggio?
Attuch - Se for verdade o que a Veja disse, a estratégia de defesa do Marcos Valério passaria por desqualificar a entrevista da secretária, apontando uma ligação estranha com o dedo da Kroll, do Opportunity e do Daniel Dantas. Essa é uma versão absolutamente delirante. Essa tese de que o Valério tentou levantar é a mesma que o PT tentou emplacar. Alguns veículos, que devem ter ouvido fontes do PT ou o próprio Valério, encamparam a história. A versão da Veja e da Carta é tão ridícula e fantasiosa que não prosperou. Eu consegui provar que o documento que embasava aquela matéria (onde Attuch é acusado de cooperar com Daniel Dantas produzindo reportagens favoráveis) era um email falso. Aí vem o Mino Carta, uma semana depois, e escreve no editorial: "Não é bem assim, o email pode ser falso...". Se pode ser falso, ele não poderia ter publicado. Pelos critérios da revista dele (Carta Capital), o leitor devia ser avisado que tudo que sai lá pode ser verdadeiro, falso ou a ver. Desse jeito fica fácil fazer jornalismo.
"A versão de Veja e Carta é tão ridícula que não prosperou"
IMPRENSA - A que você atribui a postura da Carta Capital nesse episódio?
Attuch - O que eu posso dizer sobre isso...Construir uma matéria a partir de um documento forjado é algo absolutamente irresponsável. Eles não tiveram nem a preocupação de procurar os personagens. Não me ligaram, não ligaram para o Portal, para ninguém. Se eles tinham um documento falso e não se preocuparam em checar a autenticidade, eu só posso achar que eles estavam dispostos a publicar de qualquer forma. Eu não sei dizer quais são os interesses por trás disso. Eu já ingressei com duas ações, sendo uma queixa crime e outra representação no Ministério Público, para que denuncie o crime. Eu poderia ter feito um Boletim de Ocorrência, mas não fiz, para que ninguém pudesse me acusar de denunciação caluniosa.
Isso vai dar trabalho para eles...Vai custar dinheiro de advogado...
"A matéria da IstoÉ sobre o Ibsen despertou o desejo de vingança da Veja"
IMPRENSA - Como começou essa guerra com a Veja?
Attuch - Tudo começou quando a IstoÉ fez uma capa com o Ibsen Pinherio, cujo título dizia "Massacrado". Essa reportagem foi feita a partir de uma entrevista com o Luís Costa Pinto, ex-jornalista da Veja, onde ele disse que a matéria da Veja que levou a cassação do Ibsen tinha erros importantes. Isso despertou neles um desejo de vingança. E eles resolveram se vingar de alguém da Editora Três, mas escolheram a vítima errada. Um pessoa que, segundo o juiz, fez só jornalismo.
IMPRENSA - Como você explica o fato da PF ter dedicado cinco páginas a você em um relatório? É como se tivessem colado um selo: "Attuch está na gaveta do Daniel Dantas"...
Attuch - Isso começa pouco depois da entrada do PT no governo. A razão foi simples. No caso Kroll, Opportunity, Dantas, Brasil Telecom, a cobertura da imprensa se deu a partir de informações fornecidas por fontes oficiais - leia-se governo, ministérios, ANATEL. A intenção era clara: promover um linchamento. Já IstoÉ Dinheiro teve uma postura editorial diferente. Entendemos que qualquer empresário merece ser ouvido para dar sua versão. Vou te dar um exemplo: quando houve a busca e apreensão no caso Kroll, eu fiz uma entrevista ping-pong, em on , sem mistério, com Jules Kroll, dono da Kroll. A matéria até concorreu para capa. O título era: "O Sr. Kroll dá a sua versão". Nenhum veículo da imprensa estava disposto a ouvir o outro lado, só Dinheiro. Na entrevista, Jules disse basicamente que já tinha passado por várias situações como essa pelo mundo. E que geralmente, no longo prazo, quem ataca acaba condenado. Essa é a versão dele. Outra matéria que fiz sobre esse caso foi "As intrigantes contradições do caso Kroll"...
No relatório final da PF devem entrar os nomes de quem vai ser indiciado. Eu estou lá, mas não sou réu. Sendo assim, passei a desconfiar que estou lá só para ser vazado para Veja. Todas estas investigações secretas da PF vazam para todo mundo...
IMPRENSA - Sempre na contramão...
Attuch - Sempre. Não me sinto obrigado a seguir a corrente. Neste caso da Kroll, cinco pessoas ficaram 10 dias presas. Os advogados tiveram dificuldade para ter acesso ao processo. Quando eles foram presos, a assessora do Ministro da Justiça me disse: "Eles foram presos em flagrante grampeando". Recolheram as máquinas que faziam o suposto grampo e levaram para fazer uma perícia. Essa perícia ficou pronta quatro meses depois. Qual o resultado apresentado pela própria PF? Essas máquinas não fazem grampo. O que elas fazem é varredura, que é anti-grampo. Esses caras ficaram 10 dias presos por um erro técnico. Meses depois, um deputado do PT, o Paulo Delgado, deu uma entrevista dizendo: "A Polícia Federal não está agindo na defesa do estado, mas em defesa de interesses privados".
IMPRENSA - Na sua opinião, a imprensa está caminhando na mesma trilha da PF?
Attuch - No ano passado, quando esse fiz essas matérias (sobre a Kroll), a grande imprensa estava glorificando os organismos de repressão - ABIN, PF... Eu ousei fazer uma crítica a Polícia Federal, no caso Kroll, em um momento em que todo mundo estava levantando a bola deles. Aí eles pediram a quebra do meu sigilo telefônico. Em setembro do ano passado, o Lauro Jardim, da Veja, publica uma nota: "Vem aí uma operação Gutemberg para pegar jornalistas". Ele deixou um recado claro que o alvo seria a IstoÉ. Começou, então, uma boataria enorme. Quem é, quem não é... meses depois, o Lauro dá outra nota, dizendo que o alvo da operação Gutemberg, que iria pegar jornalistas suspeitos, é o caso Kroll. Na terceira nota, chamada "murchou" ele diz: "A operação Gutemberg subiu no telhado". Essas notas dele saem simultaneamente ao pedido da PF de quebra sigilo do meu telefone. Os motivos apresentados pela PF seriam matérias que favoreceriam a quadrilha. Que matérias são essas? Um ping-pong com Jules Krol, por exemplo. Tudo que ia na contramão, era indício de crime. O juiz recebeu esse material e disse que não havia crime nenhum.
IMPRENSA - É como se a Polícia Federal fosse um ombudsman?
Attuch - De certa forma, sim. O fato é que o foro para se questionar uma matéria é o Tribunal, com base na lei de imprensa. Nenhuma das matérias listadas pela PF foram questionadas na justiça. Não recebi nenhuma carta na redação.
IMPRENSA - Você acha que a Polícia Federal está te perseguindo?
Attuch - Eu diria que eles demonstraram um incomodo com as matérias que eu fiz relacionadas ao caso Krol. O meu crime, segundo a Polícia Federal, foi entrevistar um inimigo do governo. Isso aconteceu no mesmo contexto em que havia uma briga de editoras: Abril X Três (que edita IstoÉ). E a Veja me pegou para Cristo.
IMPRENSA - Quem está pagando estas ações todas que você está movendo?
Attuch - Eu, pessoa física. O dinheiro está saindo do meu bolso.
IMPRENSA - Deve estar custando caro...
Attuch - É caro, mas eu pago dentro da minha condição.
IMPRENSA - A primeira entrevista com Karina Somaggio foi feita há 9 meses. Por que demorou tanto para publicá-la?
Attuch - No ano passado, na época da entrevista, a Karina era uma ilustre desconhecida. Nós tínhamos várias acusações sem provas. Eu pedi para ela, sem sucesso, que me mandasse a agenda. Mas ela não mandou. Naquele momento, tomamos uma decisão editorial de não publicar. Não seria responsável. Nove meses depois, o Roberto Jefferson vai na Folha e diz: "O homem chave é o Marcos Valério". Isso foi no domingo. Ouvimos depois a fita e percebemos que tudo que ele dizia batia com a entrevista da secretária. Ela, então, deixou de ser uma acusadora sem provas para ser testemunha. Se essa matéria tivesse saído nove meses atrás, o impacto teria sido nulo. Seria uma matéria menor, de uma secretária magoada. A decisão da editora foi responsável e correta.
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