Exclusivo: Boris, Bonner, o Bispo e os bastidores da crise na Record

Exclusivo: Boris, Bonner, o Bispo e os bastidores da crise na Record

Atualizado em 22/07/2005 às 14:07, por Pedro Venceslau - pedrovenceslau@portalimprensa.com.br.

Por
A Record procurou, nos últimos dias, William Bonner, âncora e diretor do "Jornal Nacional", e fez a ele uma proposta milionária. Assim que a notícia se espalhou, muita gente se perguntou o que seria de Boris Casoy. A Record esclarece: "Esse contato foi feito, mas Bonner não foi sondado para ocupar o lugar de Boris. Ele assumiria a Direção de Jornalismo da emissora. Trabalharia nos bastidores", informa um assessor imprensa. Bonner declinou do convite, mas algumas perguntas ficaram no ar. Se Bonner aceitasse a proposta, a Record deixaria o rosto mais conhecido do nosso jornalismo nativo trabalhando nos bastidores? Será que Boris Casoy aceitaria ser subordinado a William Bonner?
Suposições à parte, o fato é que a cúpula da Record está irada com a Rede Globo. IMPRENSA apurou que o núcleo da Igreja Universal avalia que a emissora carioca fez uma cobertura muito agressiva sobre o escândalo do mensalão do bispo. A Record estaria, portanto, disposta a jogar pesado para tirar os melhores quadros da concorrente.

Mal estar

"Conteúdo independente, crítico e apartidário". É dessa forma que o portal da Rede Record na Internet apresenta o telejornal de Boris Casoy. Maior estrela da casa e primeiro âncora da TV brasileira a emitir opiniões no ar, Casoy passou por uma tremenda saia justa no último dia 11 de julho, quando o bispo da Igreja Universal e deputado federal João Batista Ramos da Silva, foi preso em Brasília, com sete malas entupidas de dinheiro. A Polícia Federal teve de utilizar máquinas para chegar a conclusão de que o Bispo, que já foi presidente da Record, carregava R$ 10 milhões. O escândalo causou constrangimento na emissora do Bispo Macedo, sobretudo no departamento de jornalismo.
Segundo fontes ouvidas por IMPRENSA, Boris se desentendeu com direção da emisora sobre a abordagem do caso. Mas acabou botando panos quentes em seu telejornal. "Esse dinheiro é fruto de doação e não há nenhuma ilegalidade. O bispo é uma homem sério, foi presidente da Record". Justiça seja feita a reportagem em si, que não omitiu nenhuma informação. Essa não foi não foi a primeira vez que o apresentador bateu de frente com a direção da emissora. IMPRENSA apurou que a cúpula da Record não está satisfeita com a linha política do "Jornal da Record", que seria "muito agressiva no tratamento ao governo Lula e ao PT". O episódio da mala aumentou o mal estar.

Universalização do jornalismo

No último dia 11 de julho, quando o bispo João Batista foi preso, IMPRENSA esteve com Luiz Gonzaga Mineiro, atual diretor nacional de jornalismo do SBT e ex - diretor da Record. Diante das imagens do bispo entrando no camburão, Mineiro fez o seguinte comentário: "A tendência da Record é montar um quadro no qual todos os seus executivos tenham ligação com a igreja. Quando saí (da Record) eles chamaram o (Douglas) Tavolaro, que é do grupo deles, para ser diretor de jornalismo". Em tempo: o novo presidente da emissora, Alexandre Raposo, também é ligado à Universal.