Excesso de poder levou Pimenta Neves a cometer crime, diz autor de livro sobre o caso

No dia 20 de agosto de 2000, o jornalista e ex-diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Marcos Pimenta Neves, assassinou sua ex-namorada, a repórter Sandra Florentino Gomide, com um tiro nas costas e um na cabeça.

Atualizado em 05/07/2013 às 16:07, por Igor dos Santos*.

de 2000, o jornalista e ex-diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Marcos Pimenta Neves, assassinou sua ex-namorada, a repórter Sandra Florentino Gomide, com um tiro nas costas e um na cabeça. Depois, ligou para a própria redação para confessar o crime que envolve anos de abuso de poder e intrigas. Treze anos depois, Vicente Vilardaga lança o livro “À Queima Roupa”, que conta a trajetória do casal desde o começo do namoro até seu final brutal.
Crédito:Chico Cerchiaro Jornalista entrevistou mais de 60 fontes para produzir o livro
Vilardaga afirma que a ideia de escrever um livro sobre o caso “surgiu há bastante tempo, mais ou menos em 2009. Ainda não tinha uma linha narrativa muito definida. Eu estava pensando naquele ambiente narrativo que vivi intensamente, no final do século XX, que foi um período de muitas transformações na imprensa. Aí eu entrevistei umas sete ou oito pessoas envolvidas com o caso. Depois acabei entrevistando uma das [pessoas] que foi a mais importante [para o livro], que foi o Pimenta Neves”.
Crédito:Divulgação Livro conta detalhes sobre caso Pimenta Neves
O jornalista conta que a entrevista com Neves foi o que definiu a linha narrativa da obra. “Ela [entrevista com Pimenta Neves] me deu os limites do livro”, afirma Vilardaga, que foi o único a conseguir entrevistar Neves desde a época do julgamento.
Para a obra, Vilardaga entrevistou sessenta fontes, a maioria delas jornalistas. Sobre a história, o autor diz que a linha narrativa começa em 1995 e vai até 2000. Ela “é toda orientada nas redações por onde o Pimenta e a Sandra passaram neste período e toda contextualizada no mercado jornalístico”.
“É uma sequência de episódios. Eu me apeguei muito à cronologia dos fatos”, diz Vilardaga. “Todas as histórias de redação são articuladas com o romance dos dois, porque ele [o romance] tem uma face que é observável. O romance dos dois está muito atrelado ao ambiente de trabalho. Eu não sei sobre a vida íntima deles, mas eu sei como o Pimenta favorecia a Sandra profissionalmente, como o Pimenta arrumava conflitos de redação por causa da relação que tinha com ela ou como ele usava a relação para reforçar o seu poder”, acrescenta.
“Tudo impressiona muito, pois é uma história absurda que acaba com um assassinato cruel. Na verdade, todo o processo é muito surpreendente”, diz Vilardaga. “Deixaram-o [Pimenta] exercer seu poder com muita liberdade e sem limites. Então, acho que chegou um momento em que ele ficou com a sensação de que era o dono do mundo”, finaliza o autor.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves