Ex-ministro Paulo Vannuchi afirma que 'mea culpa' da Globo não muda seu jornalismo

O cientista político e comentarista da Rádio Brasil Atual, Paulo Vannuchi, afirmou que o fato das Organizações Globo assumirem em editorial ser uma "verdade dura" o apoio ao golpe de 1964 não basta e que democracia brasileira ainda espera o fim do monopólio das comunicações.

Atualizado em 03/09/2013 às 10:09, por Redação Portal IMPRENSA.

da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirmou que o fato das Organizações Globo assumirem em editorial ser uma "verdade dura" o apoio ao golpe de 1964 não basta e que democracia brasileira ainda espera o fim do monopólio das comunicações. “Ela faz o mea culpa e vai mudar? Ou faz o mea culpa para fortalecer a sua posição de combate?” indagou. Crédito:Agência Brasil Ministrou questionou se outros órgãos de imprensa farão autocrítica por terem apoiado a ditadura


Segundo a Rede Brasil Atu al, a decisão da Globo se deu depois de uma série de mobilizações no país na última sexta-feira (30/8) a favor da democratização dos meios de comunicação. No Rio de Janeiro e em São Paulo, os protestos ocorreram em frente à sede da organização enquanto os manifestantes entoavam palavras de ordem como “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”.


Na mesma manifestação, os membros do Levante Popular da Juventude, grupo que tem chamado atenção por seus protestos de escracho a torturadores, renomearam a ponte Otávio Frias Filho, dono da Empresa Folha da Manhã no período da ditadura, para Vladmir Herzog, jornalista assassinado pelo DOI-Codi.


Vannuchi lembra que a própria empresa que edita a Folha foi responsável por emprestar carros do jornal para que o DOI-Codi promovesse operações e emboscadas e executasse militantes da resistência clandestina. "Eu pergunto se a Folha , o Estadão , o Grupo Abril vão realizar um mea culpa semelhante”.


No texto publicado no último sábado (31/8), O Globo menciona que apoiou o regime militar devido ao perigo do comunismo e de um “provável golpe a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos”. Para Vannuchi, o grupo se isenta do principal problema que é 'ter convocado os militares para darem um golpe de Estado, reprimirem, sufocarem sindicatos, prenderem, torturarem e desaparecerem com os corpos de opositores políticos".


"Se as mobilizações prosseguirem, se reforçarem, é possível avançar. O que pode parecer hoje um objetivo distante, inatingível, pode ser alcançado, que é a democracia que falta no Brasil. Pelo menos um terço dos canais de rádio e televisão estarem nas mãos dos movimentos populares, sociais, comunidades, ONGs, entidades de representação popular, para que todos falem, porque na democracia é preciso assegurar a pluralidade de opiniões", acrescentou Vannuchi.


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