Ex-funcionários da Bloch Editores reclamam pagamento de correção monetária
Ex-funcionários da Bloch Editores reclamam pagamento de correção monetária
Cerca de 120 ex-empregados da Bloch Editores se reuniram em assembleia, na manhã desta sexta-feira (27), para discutir o pagamento da correção monetária de seus créditos trabalhistas.
O presidente da Comissão de ex-empregados da Bloch Editores, José Carlos Miami, declarou ser contra o pagamento dos créditos monetários pendentes, pois mais de quatrocentos ex-funcionários sequer foram cadastrados para o recebimento dos créditos básicas. "Não faz sentido que alguns recebam tudo e outros nada. Primeiro, todos precisam receber", observou. Segundo ele, não há consenso entre os empregados a respeito da questão.
Os administradores da massa falida da Bloch informam que a correção será repassada aos ex-funcionários após o pagamento de todas as dívidas com os ex-credores da editora e da quitação dos créditos com instituições e órgãos públicos, entre eles, fiscais e trabalhistas.
"O pagamento da correção neste momento, além de não ser possível por uma questão legal, inviabilizaria o pagamento dos créditos trabalhistas ainda não liquidados", explicam os administradores do patrimônio da Bloch Editores.
Miami alertou que, caso sejam pagas as correções monetárias aos que já receberam as indenizações, existe a possibilidade de que os quatrocentos ainda não cadastrados não recebam por falta de fundos. Segundo ele, também é acertada a decisão da juíza Maria da Penha Victorino, da 5º Vara Empresarial, em priorizar o pagamento dos credores da Bloch Editores neste momento.
Segundo levantamento do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), dos 2.500 processos habilitados na Justiça, 75 aguardam pagamento. A representação sindical informou ainda que em razão do recesso na Justiça, o escritório da massa falida, em que o pagamento é feito, permanecerá fechado entre os dias 15 de dezembro e 6 de janeiro.
Argumento indigesto
Durante a assembleia desta manhã, Miami recorreu a uma passagem dos últimos momentos da Bloch para ilustrar aos presentes a necessidade de pagar os credores. Miami lembrou aos colegas da fila formada no refeitório da empresa enquanto se esperava pelo retorno do responsável pelo almoxarifado que tinha como missão ir ao açougue próximo à redação para comprar alguns frangos para o almoço.
Como a negociação com o dono do estabelecimento se estendia demasiadamente, já que não existia dinheiro para a compra, quando os alimentos eram entregues aos cozinheiros, o horário de almoço estava próximo do fim. Preocupados com a possibilidade de não alimentar todos os funcionários em decorrência do pouco tempo, os responsáveis pela alimentação serviam alguns dos frangos após pouco tempo de cozimento. "Então os últimos dias na Bloch foram assim: nós comíamos arroz, feijão e frango cru", lamenta Miami
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