Ex-agente da repressão nega assassinato de jornalista, mas admite prática de torturas
O coronel reformado do Corpo de Bombeiros Valter da Costa Jacarandá admitiu na última quarta-feira (14/8) em audiência pública na Comissão Estadual da Verdade, na última quarta-feira (14/8), que no período da ditadura militar (1964-1985), participou de interrogatórios em que foram usadas práticas de tortura, como pau de arara, espancamentos e aplicação de choques elétricos.
De acordo com o Terra, a reunião foi marcada para ouvir quatro militares acusados pelo Ministério Público de sequestrar, torturar e matar o jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) Mário Alves. No entanto, apenas Jacarandá prestou depoimento.
"Devo ter cometido. No calor dos interrogatórios, pode ter acontecido, mas eu não saía com o espírito de fazer isso”, reconheceu Jacarandá. O militar disse que interrogou o jornalista Cid Benjamin e que pode também ter participado do interrogatório de outras pessoas que depuseram na comissão, porém afirmou que não se recorda delas, nem de qualquer outro nome, inclusive o de Mário Alves. O jornalista morreu em 1970, em consequência de hemorragia por conta do empalamento com um cassetete revestido de estrias metálicas, após uma madrugada de tortura no quartel da Polícia do Exército, no Rio.
Jacarandá ressaltou que só soube o que aconteceu ao jornalista depois da abertura política e disse que nos corredores do DOI-Codi nunca ouviu comentários sobre a tortura ou a prisão de Alves. Apesar da afirmação, ele se disse seguro de não ter participado da sessão de tortura ao jornalista.
O coronel, que na época era major, contou que no Serviço de Informações trabalhou na captura e na elaboração de perfis dos presos e que participou de poucas sessões. Jacarandá lembrou que foi para o DOI-Codi após desavenças com seu antigo chefe no Corpo de Bombeiros e porque era especializado em desarmar bombas dos militantes contra a ditadura.
Para ele, os militantes eram chamados de terroristas quando deveriam ser classificados de revolucionários. Damous perguntou por que ele havia escolhido o DOI-Codi para trabalhar, já que acabou exercendo ali a função de interrogador. O coronel respondeu: "O que me atraiu foi a aventura de entrar em uma guerra. Vejo todo esse movimento como uma ação contrarrevolucionária”.
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