Evento discute o combate ao assédio no jornalismo

O debate "Assédios moral e sexual no Jornalismo: como combater" acontece no dia 30 de outubro (quarta-feira), a partir das 19 hora

Atualizado em 30/10/2019 às 08:10, por Kassia Nobre.

A prática de assédios moral e sexual é atualmente uma triste realidade que acontece nos locais de trabalho e também é enfrentada pelos profissionais de imprensa, colocando em risco a saúde física e emocional dos jornalistas.
Segundo a diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), Lilian Parise, a luta para enfrentar essas agressões acontece em várias frentes de atuação, que vão desde acolher denúncias, prestando apoio e orientando vítimas quanto à necessidade de registro dos assédios, até buscar medidas mais efetivas das empresas de comunicação para combate e prevenção desses problemas.
“Atualmente, já existem cláusulas específicas nas Convenções Coletivas de Trabalho, mas o sindicato segue negociando nova redação para obrigar um maior engajamento e medidas com maior efetividade por parte das empresas, bem como garantia de proteção às vítimas”, explica.
Lilian afirma ainda que diante da constatação do aumento do número de casos de assédio, em 2016, o sindicato criou um canal exclusivo para receber denúncias de assédios moral e sexual no jornalismo, com garantia de sigilo e acompanhamento às vítimas, prestando todo apoio necessário para apuração rigorosa e punição dos culpados.

Crédito:Divulgação

Debate Além do canal para receber denúncias de assédio, uma das ações do sindicato será a realização do debate "Assédios moral e sexual no Jornalismo: como combater", no dia 30 de outubro (quarta-feira), a partir das 19 horas. A entrada é gratuita e tem uma inscrição prévia, mas não é obrigatória.
“Será uma ótima oportunidade para nova troca de informações, redesenhando o cenário atual para retomarmos os encaminhamentos necessários para o bom combate coletivo, unificando a luta do sindicato com vários coletivos que também entendem que assédio é crime e lutam para o fim dessas práticas violentas e contra quaisquer tipos de discriminação”, complementa a diretora.
Participam do debate as jornalistas Joana Côrtes, da Empresa Brasil de Comunicação, Lílian Parise, secretária de Sindicalização do SJSP, Maria Teresa Cruz, da Ponte Jornalismo, além de Mariana Pereira, do coletivo #DeixaElaTrabalhar e a psicóloga especialista em saúde pública e em saúde do trabalhador, Cláudia Lima.
Na discussão, as dificuldades que as jornalistas enfrentam com relação aos assédios moral e sexual, quais podem ser os caminhos para garantir o pleno exercício da profissão, como o sindicato vem atuando nessas questões, e como cobrar o efetivo compromisso das empresas com o fim das práticas abusivas.

Uma das debatedoras, a jornalista Maria Teresa Cruz, afirmou que os casos de assédio na profissão, infelizmente, são muito comuns.
“Eu passei por uma situação com uma fonte minha ligada à segurança pública há alguns anos. Era uma pessoa do sistema prisional com quem eu conversava sempre. Ele passou a me mandar mensagens que fugiam do escopo do que a gente conversava. Dizendo que eu estava mais bonita, que a roupa que eu usava ficava muito bem em mim. E isso me desagradou. Foi uma experiência desagradável e eu informei isso para ele. São situações que acontecem de forma muito recorrente e a gente precisa estar preparada para dar respostas não grosseiras, mas assertivas”, relatou.
Para Maria Teresa, o debate no sindicato também será um lugar de acolhimento para mulheres que sofrem qualquer tipo de assédio. “Para que elas tenham num ambiente de trabalho uma possibilidade de acolhimento”.
Serviço 30 de outubro (quarta-feira) – 19 horas Auditório Vladimir Herzog Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja, Inscreva-se: http://bit.ly/assediojornalismo