Evandro Teixeira, fotógrafo há 50 anos, fala sobre seu novo livro e as curiosidades de sua carreira
Evandro Teixeira, fotógrafo há 50 anos, fala sobre seu novo livro e as curiosidades de sua carreira
De desfiles de escolas de samba aos velórios dos generais da ditadura. De casamentos à história dos sobreviventes de Canudos. Tanto os momentos históricos, quanto as banalidades do cotidiano já foram registradas pelas lentes de Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro.
| Arquivo Pessoal | |
| Fotógrafo Evandro Teixeira |
O início de tudo foi na cidade do Rio de Janeiro, em 1958, no jornal Diário da Noite . Teixeira ironiza sobre seus primeiros trabalhos: "Mal cheguei já me disseram que eu seria fotógrafo de casamentos. Aí, ficava correndo o dia inteiro atrás de cerimônias". Com muito bom humor, relata a vez em que, com a ajuda do laboratorista, mudou a cor de um homem na fotografia. "O editor não queria fotos de pessoas negras, mas saí e encontrei o casamento de uma loura com um homem negro. Fiz a foto e dei um jeito de mudar a cor do noivo". Quando a fotografia chegou às mãos do editor-chefe, Evandro quase foi demitido. "Tive que sumir por uns tempos. Depois tudo ficou calmo", diz.
| Evandro Teixeira |
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| Guerra dos Tóxicos, Favela Vila do João, no Rio de Janeiro (1998) |
Em 1962, Evandro foi convidado a trabalhar no Jornal do Brasil , segundo ele, a elite do jornalismo na época. Até hoje está no jornal e concilia o dia-a-dia da redação com a publicação de documentários e livros.
| Evandro Teixeira |
| João de Régis |
Entre os casos que marcaram sua carreira, está o registro exclusivo da morte do poeta chileno Pablo Neruda. Por conhecer Matilde, mulher de Neruda, Teixeira foi o único a fotografar o corpo do poeta.
| Evandro Teixeira |
| Cathy Freman segura a Trocha Olímpica, nas Olimpíadas de Sidney |
Evandro presenciou o drama do transporte do corpo para o local escolhido por Matilde para o velório. O comboio, composto por amigos, familiares e Teixeira, seguiu para a propriedade. Evandro contou ao Portal IMPRENSA que tiveram de improvisar uma ponte sobre um rio para que chegassem à casa do poeta. "Chegamos e vimos que o riacho tinha se tornado um rio. Não tinha como atravessar. Então, improvisamos uma ponte com portas e pedaços de madeira encontrados no local".
"68 destinos"
Outro momento marcante de sua carreira foi a cobertura da Passeata dos Cem Mil, que deu origem ao seu mais recente trabalho, o livro "68 Destinos", que reúne entrevistas com 100 pessoas identificadas na antológica fotografia tirada em 1968, no Rio. O livro consiste em relatar a história dos personagens registrados por sua câmera. Segundo Teixeira, a procura foi tanta, que 170 pessoas foram catalogadas. Destas, 70 ficaram fora da primeira edição, e por este motivo, o fotógrafo cogita o lançamento de mais um volume."Eu penso em fazer mais um [livro] para colocar estas 70 personalidades". O lançamento do livro está previsto para março, no aniversário de 40 anos da passeata.
| Evandro Teixeira |
| Passeata dos 100 mil, Movimento Estudantil, no Rio de Janeiro (1968) |
Quando interpelado sobre seus próximos trabalhos, Evandro é categórico: "Ainda fiz pouco. Tenho muita coisa pra fazer". O fotógrafo se prepara para a cobertura das Olimpíadas de Pequim e para o lançamento de mais um livro, sem data prevista, que mostrará as belezas da feira de São Cristóvão, registradas por ele ao longo de 30 anos.
Para acessar o site do livro, .






