Eugênio Bucci critica uso de estatais para veiculação de propaganda partidária

Ex-presidente da Radiobrás avalia documentos vazados pelo jornal "O Estado de S. Paulo" que comprovam o interesse do governo na prática.

Atualizado em 23/03/2015 às 15:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (23/3), o jornalista Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, comentou o documento vazado pelo jornal O Estado de S. Paulo que comprova o interesse do governo federal em usar estatais para veicular propaganda partidária. "O pior erro de comunicação da história do governo", classificou.
Crédito:Divulgação Eugênio Bucci critica forma como o Palácio promove a comunicação com a sociedade
Bucci é autor do recém-lançado livro "O Estado de Narciso - A comunicação pública a serviço da vaidade particular", em que defende que o governo federal seja proibido de fazer campanha na mídia. "O Estado não deve se comunicar com a sociedade por meio de compra de espaço publicitário em veículos privados."
"O uso de publicidade para promover o governante é uma prática patrimonialista. Não deve existir propaganda oficial para melhorar imagem. Se alguém diz que o faz, está indo contra o que a Constituição preconiza. Está propondo o uso de recursos do Estado para fazer luta partidiária. Quem faz esse tipo de proposta seguramente não entendeu o espírito da coisa pública", declarou o jornalista ao Estadão .
Ainda segundo Bucci, o documento que mostra as estratégias de comunicação do governo, utilizando estatais como a Agência Brasil e a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) é uma "decepção". "Não sabemos quem fez o documento, mas os sinais indicam que a área de comunicação do Palácio do Planalto não consegue diferenciar o governo do partido. É preciso compreender que são figuras diferentes, esferas diferentes, sujeitos diferentes. Se não conseguirmos separar um do outro, teremos um recuo civilizatório."
Para o jornalista, porém, essa mentalidade não é uma particularidade do atual governo de Dilma Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores. "Não é exclusividade do PT. Para um número grande de pessoas que operam comunicação de governo, a propaganda é a disputa de uma guerra", disse Bucci. Ele diz ainda que a sociedade é quem deve exigir que a Constituição seja respeitada, e que a propaganda do governo promova partidos. "Essa iniciativa precisa partir dos cidadãos. É preciso proibir que o Estado seja anunciante, a não ser em situações exepcionalíssimas."