EUA confirmam autenticidade de vídeo da decapitação de Sotloff; entidades condenam

Síria se tornou o país mais perigoso para os profissionais de imprensa.

Atualizado em 03/09/2014 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Autoridades americanas confirmaram nesta quarta-feira (3/9) a autenticidade do vídeo que mostra a decapitação do jornalista americano Steven Sotloff, 31, por militares do Estado Islâmico (EI) que o mantinham refém na Síria.
Crédito:Reprodução Steven Sotloff é o segundo jornalista americano decapitado pelo Estado Islâmico
De acordo com a BBC, o correspondente havia desaparecido na Síria em agosto do ano passado. Recentemente, ele apareceu no fim do vídeo em que o também jornalista americano James Foley foi executado por um integrante do mesmo grupo.
Na nova gravação, intitulada "Segunda mensagem à America", Sotloff aparece de joelhos ao lado de um militante do EI encapuzado e com uma faca na mão. O homem ameaça matar um terceiro sequestrado e alerta que governos estrangeiros devem deixar a aliança que formaram contra a organização islâmica.
Os jihadistas afirmam que as execuções visam deter os ataques aéreos ordenados pelo governo do presidente dos Estados Unidos Barack Obama contra posições do EI no Iraque. "Estou de volta, Obama, e estou de volta por causa de sua política arrogante com o Estado Islâmico... apesar de nossos alertas", diz o militante.
Sotloff era um jornalista freelancer de diversas publicações, como a revista Time e os sites Foreign Policy, Christian Science Monitor e World Affairs Journal. Ele já trabalhou em outras zonas de risco como Egito e Líbia e se dedicava em retratar o "lado humano" dos conflitos ao escrever sobre os milhares de refugiados na Síria que lutavam contra a falta de comida ou abrigo.
Família pede privacidade para superar "horrível tragédia"
Na última terça-feira (2/9), a família do jornalista solicitou privacidade para superar a "horrível tragédia" que ocorreu.

Em comunicado, acrescenta que "não haverá comentários públicos neste momento difícil". Na semana passada, a mãe do repórter, Shirley Sotloff, pediu que o Estado Islâmico fosse "misericordioso" e libertasse o filho.
Entidades condenam assassinato e cobram mudanças
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) e a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenaram o assassinato do jornalista e se disseram "horrorizadas" com o novo episódio.
A SIP enviou condolências à família e aos amigos. O encarregado de liberdade de expressão da entidade, Claudio Paolilo, repudiou a utilização dos jornalistas como "moeda de extorsão para fins terroristas e políticos" e alertou que o episódio pode levar outros profissionais a deixarem de cobrir o conflito na região, o que provocará "autocensura", além de prejudicar o direito do público de ser informado.
"Jornalistas sabem que cobrir uma guerra é perigoso por natureza, e que podem morrer no fogo cruzado. Mas ser decapitado na frente de uma câmera simplesmente por ser um repórter é pura barbárie", enfatizou o diretor-executivo do CPJ Joel Simon.
Já a RSF pontuou que decapitações são crime de guerra e devem ser condenadas pela Justiça Internacional. O secretário-geral da ONG, Christophe Deloire, reiterou que o EI "não contente com o facto de ter desenvolvido uma indústria de reféns", resolveu "levar o terrorismo mais longe e inventar a decapitação em série de jornalistas".
País perigo
Nos últimos dois anos, a Pelo menos outros 70 jornalistas que cobriam o conflito morreram e mais de 80 foram sequestrados. O CPJ estima que 20 repórteres estejam nas mãos de rebeldes.
Assista ao vídeo: