EUA confirmam autenticidade de vídeo com execução de jornalista; RSF está "horrorizada"
O primeiro-ministro britânico David Cameron manifestou repúdio ao crime. O vídeo com a morte do jornalista pode ser bloqueado pelo YouTube.
Atualizado em 20/08/2014 às 14:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
Nesta quarta-feira (20/8), o Conselho de Segurança Nacional dos EUA confirmou a veracidade do vídeo divulgado por jihadistas do Estado Islâmico, que mostra a decapitação do jornalista americano James Foley. De acordo com O Globo , os serviços de inteligência do país atuam em conjunto com órgãos ingleses para identificar o militante com sotaque britânico que aparece nas imagens.
Crédito:Reprodução Diretor-geral da RSF condenou morte de jornalista americano
Envolvimento britânico
O primeiro-ministro britânico David Cameron interrompeu suas férias para ajudar nos esclarecimentos sobre um vídeo. Os serviços de segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido trabalham em conjunto para verificar a identidade de um militante com sotaque britânico que aparece nas imagens com o repórter. No vídeo com a decapitação de Foley, o grupo afirma que outro jornalista pode ser morto.
Para apurar o caso, o comando antiterrorista da Scotland Yard lançou uma investigação sobre o vídeo como especialistas de linguística. Para eles, o suposto britânico envolvido na morte do jornalista parece ser de Londres ou do sudeste do país.
“Sinto horror, um horror absoluto diante do que parece ser uma execução brutal. É mais um exemplo do catálogo de brutalidades desta organização”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammon.
Segundo a rede ABC, o Estado Islâmico tinha ameaçado matar o jornalista em vingança aos ataques dos EUA contra o grupo no Iraque. Neste caso, a Casa Branca estaria ciente do risco de crime com antecedência.
Antes de seu desaparecimento em 2012 na Síria, o jornalista norte-americano James Foley fornecia notícias da região à agência France Presse e ao portal de notícias internacionais GlobalPost. Ele também gravava materiais para algumas televisões norte-americanas.
Em uma página numa rede social, a mãe do repórter disse que se sentia orgulhosa do filho, “que morreu ao tentar expor ao mundo o sofrimento do povo sírio”. “Agradecemos a Jim por toda a alegria que ele nos deu. Ele era um extraordinário filho, irmão, jornalista e pessoa”, afirmou. Ela ainda pediu para que os jihadistas poupassem a vida de outros reféns inocentes. “Assim como Jim, eles são inocentes. Eles não têm controle sobre a política do governo americano no Iraque, na Síria ou em qualquer lugar do mundo”.
YouTube se manifesta sobre bloqueio do vídeo
O YouTube declarou nesta quarta-feira (20/8) que não deve excluir as imagens que mostram o jornalista sendo decapitado. Em nota, o serviço de streaming explicou que define em suas diretrizes que os vídeos podem ser bloqueados apenas quando for solicitado por seus internautas. "A única coisa que a plataforma pode fazer é bloquear o vídeo quando solicitado, ou se violar as regras da comunidade".
De acordo com a AFP, o usuário deve clicar em uma bandeira na parte inferior direita da janela de leitura da página do vídeo em questão para denunciá-lo e solicitar sua retirada. "Uma vez que alguém tenha denunciado o vídeo, este será analisado por nossas equipes ao redor do mundo, que trabalham 24 horas por dia todos os dias da semana, e a decisão é implementada rapidamente", indicou, sem especificar o tempo médio de decisão entre a denúncia e o bloqueio efetivo do vídeo. Apesar de reiterar sua política no caso do jornalista, o YouTube evitou comentar o fato.
Quem busca "James Foley" no YouTube encontra hoje cerca de 67.000 resultados relacionados. "Nós removemos os vídeos com determinados tipos de conteúdo, com destaque para a violência gratuita, o discurso de ódio e/ou incitamento à prática de atos violentos, quando isso nos é indicado pelos nossos usuários. Também bloqueamos as contas registradas por membros de grupos designados como organizações terroristas estrangeiras e utilizadas para promover seus interesses".
Além disso, "se constatarmos que o vídeo tem um valor jornalístico ou documental, é possível colocar um aviso para advertir sobre imagens chocantes, ou ainda ser proibido para determinados idade”, detalhou o porta-voz do serviço de vídeos.
RSF se diz “horrorizada” com morte do jornalista
Nesta quarta-feira (20/8), a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) emitiu um comunicado sobre o vídeo que retrata a morte de James Foley. No documento, a entidade acusa os jihadistas de "levar ao extremo sua indústria sanguinária de reféns".
Segundo EFE, a RSF afirma que se trata do primeiro jornalista estrangeiro assassinado pelo EI, embora já tenha matado inúmeros repórteres sírios. O secretário-geral da organização, Christophe Deloire, indicou que o jornalista "não trabalhava para o governo americano", mas que se tratava "de um repórter experiente movido somente pelo interesse da informação e não de sua nacionalidade".
"Expressamos nossas sinceras condolências a sua família, sua mãe, seu pai, que conhecemos, e aos seus amigos", completa. De acordo com Deloire, o jornalista trabalhou em outra oportunidade junto à entidade para apoiar a família de um fotógrafo assassinado na Líbia.
No comunicado, a entidade indica que cerca de 20 repórteres sírios estão em poder de grupos armados, além dos 30 profissionais da informação que permanecem detidos pelas autoridades de Damasco. Desde o início do conflito, em março de 2011, 39 jornalistas foram assassinados por exercer suas funções, sendo que 12 deles eram estrangeiros.
Segundo Christophe Deloire, secretário-geral da organização, há cerca de sete jornalistas estrangeiros no poder de grupos islâmicos na Síria. “Este é o mais extremo e sangrento e abominável evento imaginado nesta indústria do cativeiro”, declarou.
Veja o .
Crédito:Reprodução Diretor-geral da RSF condenou morte de jornalista americano
Envolvimento britânico
O primeiro-ministro britânico David Cameron interrompeu suas férias para ajudar nos esclarecimentos sobre um vídeo. Os serviços de segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido trabalham em conjunto para verificar a identidade de um militante com sotaque britânico que aparece nas imagens com o repórter. No vídeo com a decapitação de Foley, o grupo afirma que outro jornalista pode ser morto.
Para apurar o caso, o comando antiterrorista da Scotland Yard lançou uma investigação sobre o vídeo como especialistas de linguística. Para eles, o suposto britânico envolvido na morte do jornalista parece ser de Londres ou do sudeste do país.
“Sinto horror, um horror absoluto diante do que parece ser uma execução brutal. É mais um exemplo do catálogo de brutalidades desta organização”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammon.
Segundo a rede ABC, o Estado Islâmico tinha ameaçado matar o jornalista em vingança aos ataques dos EUA contra o grupo no Iraque. Neste caso, a Casa Branca estaria ciente do risco de crime com antecedência.
Antes de seu desaparecimento em 2012 na Síria, o jornalista norte-americano James Foley fornecia notícias da região à agência France Presse e ao portal de notícias internacionais GlobalPost. Ele também gravava materiais para algumas televisões norte-americanas.
Em uma página numa rede social, a mãe do repórter disse que se sentia orgulhosa do filho, “que morreu ao tentar expor ao mundo o sofrimento do povo sírio”. “Agradecemos a Jim por toda a alegria que ele nos deu. Ele era um extraordinário filho, irmão, jornalista e pessoa”, afirmou. Ela ainda pediu para que os jihadistas poupassem a vida de outros reféns inocentes. “Assim como Jim, eles são inocentes. Eles não têm controle sobre a política do governo americano no Iraque, na Síria ou em qualquer lugar do mundo”.
YouTube se manifesta sobre bloqueio do vídeo
O YouTube declarou nesta quarta-feira (20/8) que não deve excluir as imagens que mostram o jornalista sendo decapitado. Em nota, o serviço de streaming explicou que define em suas diretrizes que os vídeos podem ser bloqueados apenas quando for solicitado por seus internautas. "A única coisa que a plataforma pode fazer é bloquear o vídeo quando solicitado, ou se violar as regras da comunidade".
De acordo com a AFP, o usuário deve clicar em uma bandeira na parte inferior direita da janela de leitura da página do vídeo em questão para denunciá-lo e solicitar sua retirada. "Uma vez que alguém tenha denunciado o vídeo, este será analisado por nossas equipes ao redor do mundo, que trabalham 24 horas por dia todos os dias da semana, e a decisão é implementada rapidamente", indicou, sem especificar o tempo médio de decisão entre a denúncia e o bloqueio efetivo do vídeo. Apesar de reiterar sua política no caso do jornalista, o YouTube evitou comentar o fato.
Quem busca "James Foley" no YouTube encontra hoje cerca de 67.000 resultados relacionados. "Nós removemos os vídeos com determinados tipos de conteúdo, com destaque para a violência gratuita, o discurso de ódio e/ou incitamento à prática de atos violentos, quando isso nos é indicado pelos nossos usuários. Também bloqueamos as contas registradas por membros de grupos designados como organizações terroristas estrangeiras e utilizadas para promover seus interesses".
Além disso, "se constatarmos que o vídeo tem um valor jornalístico ou documental, é possível colocar um aviso para advertir sobre imagens chocantes, ou ainda ser proibido para determinados idade”, detalhou o porta-voz do serviço de vídeos.
RSF se diz “horrorizada” com morte do jornalista
Nesta quarta-feira (20/8), a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) emitiu um comunicado sobre o vídeo que retrata a morte de James Foley. No documento, a entidade acusa os jihadistas de "levar ao extremo sua indústria sanguinária de reféns".
Segundo EFE, a RSF afirma que se trata do primeiro jornalista estrangeiro assassinado pelo EI, embora já tenha matado inúmeros repórteres sírios. O secretário-geral da organização, Christophe Deloire, indicou que o jornalista "não trabalhava para o governo americano", mas que se tratava "de um repórter experiente movido somente pelo interesse da informação e não de sua nacionalidade".
"Expressamos nossas sinceras condolências a sua família, sua mãe, seu pai, que conhecemos, e aos seus amigos", completa. De acordo com Deloire, o jornalista trabalhou em outra oportunidade junto à entidade para apoiar a família de um fotógrafo assassinado na Líbia.
No comunicado, a entidade indica que cerca de 20 repórteres sírios estão em poder de grupos armados, além dos 30 profissionais da informação que permanecem detidos pelas autoridades de Damasco. Desde o início do conflito, em março de 2011, 39 jornalistas foram assassinados por exercer suas funções, sendo que 12 deles eram estrangeiros.
Segundo Christophe Deloire, secretário-geral da organização, há cerca de sete jornalistas estrangeiros no poder de grupos islâmicos na Síria. “Este é o mais extremo e sangrento e abominável evento imaginado nesta indústria do cativeiro”, declarou.
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