"Eu Sei Tudo"

"Eu Sei Tudo"

Atualizado em 27/09/2010 às 10:09, por Nelson Varón Cadena.

Quando o Google não existia era aos dicionários (do tipo Enciclopédia Britânica, lançada em Edimburgo em meados do século XVIII) que as pessoas recorriam para uma pesquisa de rotina, ou, então, às bibliotecas públicas quando era preciso se aprofundar no assunto. De olho nesse público os franceses lançaram em inícios do século XX (1905) o "Je Sais Tout" revista mensal que eles, pretensiosos, chamavam de "Encyclopédie Mondiale Illustrée". No Brasil adotaria o nome de , na versão em português lançada em junho de 1917, identificada como "Magazine Mensal Ilustrado", com circulação em todo o território nacional. Publicação de muito bom gosto, impressa em papel couchê, 148 páginas de conteúdo editorial. Franquia da Companhia Editora Americana, sob a responsabilidade de Arthur Brandão.
A revista começou a circular no país sem o registro de marca resolvido, apenas em 15 de outubro de 1917 a petição era deferida, conforme nos informa o Diário Oficial da União: "A Companhia Editora Americana, estabelecida á Praça Gonçalves Dias n.1, apresenta a marca supra para ser registrada e que a opta para distinguir trabalhos tipográficos de sua exploração. Consiste no nome característico «A Revista». A marca, que poderá variar no tipo, ou cor, será para aplicação aos ditos trabalhos. Rio do Janeiro, 15 de outubro de 1917". Esse registro de "A Revista" era o endereço telegráfico do Eu Sei Tudo, segundo o próprio expediente da publicação que marcou época no país e se destacou pelas suas capas desenhadas por alguns dos maiores ilustradores do país.
era um misto de Almanaque com Magazine e foi essa fórmula que conquistou o público em todos os países onde circulou, inclusive nos Estados Unidos onde adotou o nome de "I Know Everything". A versão brasileira trazia na folha do expediente uma vinheta de um anjo idoso olhando com uma lupa para a América do Sul. No editorial apresentava a crônica do mês e as seções específicas: Páginas de Arte, Percorrendo o Mundo, Contos, Comédia, Romance, A Ciência Ao Alcance de Todos, Conhecimentos Úteis, Curiosidades, Diversos e O Mês Que Passa; esta última seção introduzida em 1918 registrava notícias de repercussão no Brasil e no mundo.
, inicialmente dirigida por Arthur Brandão de 1917 a 1919, mais tarde por Aureliano Machado, até meados da década de 30 e Gratuliano Brito até final da década de 50, enfrentou primeiro a concorrência das similares "Leitura Para Todos" e "Selecta", depois das semanais: "O Cruzeiro" e "Manchete". Enfrentou também a concorrência de "Seleções", mas a sua proposta diferenciada e o hábito que criou na família brasileira, lhe garantiram o seu espaço no mercado editorial brasileiro. As revistas não abalaram o seu prestígio, mas, a televisão sim com a mudança de hábitos e o surgimento de programas que traziam exatamente as novidades do mundo e um pouco da chamada cultura inútil que distraiu gerações e alimentou sonhos de lazer e de consumo.