"Eu deveria estar morto", desabafa jornalista da revista "Charlie Hebdo"

Antonio Fischetti informou a profissionais da revista ainda são ameaçados e vão trabalhar sob proteção de cinco policiais todos os dias

Atualizado em 27/05/2015 às 10:05, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista francês Antonio Fischetti, da revista , declarou na última terça-feira (26/5) que a dor da morte de seus colegas é a motivação para seguir no semanário satírico alvo de um atentado em janeiro, em Paris.
Crédito:Wikimedia Commons Jornalista diz que usa tristeza para seguir atuando no veículo
Segundo a AFP, a declaração ocorreu durante coletiva de imprensa em Lima, no Peru. O jornalista revelou também que a publicação ainda recebe ameaças. "Para nós não se trata de provocar a crença das pessoas, pensamos que podemos rir de tudo, que quando se trata de humor não há tabu", explicou.
Segundo Fischetti, os responsáveis da Charlie vão trabalhar sob proteção de cinco policiais todos os dias. Questionado sobre como os sobreviventes enfrentam o dia a dia após o ataque, o jornalista desabafou: "eu deveria estar morto, tenho um sentimento de culpa de que deveria ter morrido naquele dia".
"Alguns partiram, outros têm a ajuda de psicólogos, mas no meu caso prefiro investir nesta emoção dolorosa para prosseguir na luta, é uma motivação a mais", completou. No dia do atentado, Fischetti não foi à reunião de pauta da revista, pois estava no enterro de uma tia.