Estudo revela diferenças regionais na cobertura de cultura em grandes veículos
Países com dimensões continentais como o Brasil, que contam com características tão diferentes em cada região, que para conhecer de perto seus hábitos e costumes é necessário um olhar mais atento voltado para suas especificidades.
Atualizado em 20/12/2013 às 17:12, por
Danubia Paraizo.
Recentemente, o Instituto Itaú Cultural se propôs a fazer esse exercício, com objetivo de compreender e analisar quais são os principais assuntos discutidos nos cadernos culturais dos grandes veículos impressos do País.
O resultado foi apresentado na pesquisa “Cadernos de Cultura – O que dizem as primeiras páginas”, elaborado ao longo de cinco meses por uma equipe de 16 pesquisadores e professores de jornalismo cultural. O trabalho está disponível para download no . O levantamento analisou 10.306 edições, de 20 suplementos culturais, dos 13 diários de maior tiragem das principais capitais do Brasil, no período de janeiro de 2011 a fevereiro de 2013.
Crédito:Ivson Miranda Claudiney Ferreira foi um dos coordenadores da pesquisa “Esta é a primeira vez que realizamos esta pesquisa, mas a gente tem uma forte tradição no exercício de mapeamentos ligados ao jornalismo cultural. Este é um interlocutor importante para a sociedade e precisa ser conhecido e fomentado”, explica Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Instituto Itaú Cultural e um dos organizadores da pesquisa.
Como já esperado, as pautas relacionadas à música despontaram nas chamadas de capa, em 26,59% das publicações. Logo em seguida, aparecem o tema cinema e vídeo, responsável por 18,14% manchetes. Literatura (incluindo poesia, prosa, ficção, ensaio e críticas) ficou com o terceiro lugar como tema de maior relevância, com 14,60% das capas.
Para Ferreira, os resultados evidenciam a força das assessorias de imprensa ligadas ao mundo da música e ao mercado audiovisual, além da influência das agendas de shows e eventos culturais, que contam com a cobertura extensiva dos meios de comunicação. “A música e o cinema contam com uma estrutura de assessoria de imprensa mais organizada. Se você cruzar isso com esse trabalho de se pautar com as agendas de shows, espetáculos etc., o espaço vai minguando para as outras áreas”.
A pesquisa mostrou que em 46,7% das ocorrências, as capas dos cadernos de cultura se pautaram por exposições, seminários, shows, encontros e outras programações. Nas regiões Sul e Norte são as que mais se guiam pelas agendas culturais, com 61,88% e 68,37% das capas, respectivamente.
Na lanterna
Na contramão das pautas ligadas ao showbusiness , o teatro, dança e política cultural aparecem na lanterna da pesquisa, merecendo raros destaques nas capas dos veículos estudados. Quando o assunto é lei de incentivo e investimentos no setor cultural, por exemplo, ele aparece em apenas 3,71% delas.
Outro dado que também salta aos olhos é o espaço minguado dedicado à literatura no Norte, com apenas 4,85% das capas. “A gente percebe que o jornalismo de lá pouco se dedica à leitura de livros e está mais ligado ao entretenimento”, explica Ferreira. Nesse sentido, o pesquisador ressalta a deficiência de matérias investigativas nos cadernos culturais. “No Brasil ainda temos a cultural de achar que para a pauta ser boa tem que ter um produto ligado a ela, um CD, livro, uma peça, um show, um artista. Isso acaba sendo algo muito limitador”, conclui.
O resultado foi apresentado na pesquisa “Cadernos de Cultura – O que dizem as primeiras páginas”, elaborado ao longo de cinco meses por uma equipe de 16 pesquisadores e professores de jornalismo cultural. O trabalho está disponível para download no . O levantamento analisou 10.306 edições, de 20 suplementos culturais, dos 13 diários de maior tiragem das principais capitais do Brasil, no período de janeiro de 2011 a fevereiro de 2013.
Crédito:Ivson Miranda Claudiney Ferreira foi um dos coordenadores da pesquisa “Esta é a primeira vez que realizamos esta pesquisa, mas a gente tem uma forte tradição no exercício de mapeamentos ligados ao jornalismo cultural. Este é um interlocutor importante para a sociedade e precisa ser conhecido e fomentado”, explica Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Instituto Itaú Cultural e um dos organizadores da pesquisa.
Como já esperado, as pautas relacionadas à música despontaram nas chamadas de capa, em 26,59% das publicações. Logo em seguida, aparecem o tema cinema e vídeo, responsável por 18,14% manchetes. Literatura (incluindo poesia, prosa, ficção, ensaio e críticas) ficou com o terceiro lugar como tema de maior relevância, com 14,60% das capas.
Para Ferreira, os resultados evidenciam a força das assessorias de imprensa ligadas ao mundo da música e ao mercado audiovisual, além da influência das agendas de shows e eventos culturais, que contam com a cobertura extensiva dos meios de comunicação. “A música e o cinema contam com uma estrutura de assessoria de imprensa mais organizada. Se você cruzar isso com esse trabalho de se pautar com as agendas de shows, espetáculos etc., o espaço vai minguando para as outras áreas”.
A pesquisa mostrou que em 46,7% das ocorrências, as capas dos cadernos de cultura se pautaram por exposições, seminários, shows, encontros e outras programações. Nas regiões Sul e Norte são as que mais se guiam pelas agendas culturais, com 61,88% e 68,37% das capas, respectivamente.
Na lanterna
Na contramão das pautas ligadas ao showbusiness , o teatro, dança e política cultural aparecem na lanterna da pesquisa, merecendo raros destaques nas capas dos veículos estudados. Quando o assunto é lei de incentivo e investimentos no setor cultural, por exemplo, ele aparece em apenas 3,71% delas.
Outro dado que também salta aos olhos é o espaço minguado dedicado à literatura no Norte, com apenas 4,85% das capas. “A gente percebe que o jornalismo de lá pouco se dedica à leitura de livros e está mais ligado ao entretenimento”, explica Ferreira. Nesse sentido, o pesquisador ressalta a deficiência de matérias investigativas nos cadernos culturais. “No Brasil ainda temos a cultural de achar que para a pauta ser boa tem que ter um produto ligado a ela, um CD, livro, uma peça, um show, um artista. Isso acaba sendo algo muito limitador”, conclui.





