"Estudantes de jornalismo têm dificuldade de dar sentido ao texto", diz diretor de "O Povo"
O jornalista Plínio Bortolotti, diretor Institucional do Grupo de Comunicação O Povo, defendeu que a faculdade deve proporcionar uma boa for
Atualizado em 07/03/2013 às 14:03, por
Guilherme Sardas e Jéssica Oliveira*.
Em março, IMPRENSA discutiu o curso de jornalismo no Brasil. Em meio ao debate de revisão das diretrizes curriculares - em pauta desde 2009, e ainda sem previsão de conclusão -, reunimos jornalistas, especialistas e coordenadores de alguns dos maiores programas de treinamento do país para tentar responder a duas questões: que curso será construído para as próximas gerações? Quem são os jornalistas recém-formados atualmente?
No debate, temas como a qualidade do estudante que chega às redações e suas principais qualidades e carências, a especificidade do jornalismo em relação à comunicação social, a atualização digital, a dinâmica ideal entre teoria e prática, a regionalização do ensino, entre outros. A matéria completa pode ser lida na edição 287 de IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Diretor do jornal comenta dificuldade dos estudantes no estágio
Até a próxima sexta (8/3), publicaremos no portal as entrevistas com os responsáveis pelos programas de treinamento dos jornais Folha de S.Paulo ( ), O Estado de S. Paulo ( ), O Globo ( ), O Povo e da TV Globo.
mação teórica, despertar o desejo de conhecimento e ampliar o repertório cultural e humanístico. Para ele, "a prática é mais fácil de aprender". "Em seis meses em uma redação, um recém-formado, se tiver boa formação, vai conseguir dominar os instrumentos básicos para se iniciar na profissão", afirmou.
Acompanhe outros trechos da entrevista.
IMPRENSA - A grade curricular das faculdades condiz com o mercado que os jornalistas encontram hoje? Por quê? Plínio Bortolotti - Sempre haverá um descompasso entre as grades das universidades e o "mercado", mas isso é compreensível. De qualquer modo, a formação universitária em jornalismo no Brasil é um híbrido entre estudos teóricos e a prática jornalística. Como você vê o nível geral de preparo dos universitários que chegam ao Programa? O Curso Novos Talentos O Povo para Estudantes de Jornalismo faz uma seleção rigorosa, com base em provas e entrevistas. Portanto, é difícil ter uma "visão geral" dos alunos de jornalismo tendo como referência os que são aprovados para o projeto. No entanto, pode-se dizer que um dos principais problemas práticos é a dificuldade que boa parte dos estudantes têm em organizar um texto de faça sentido, com coerência e coesão. Ou seja, ele têm dificuldade em contar - ou relatar - uma história com começo, meio e fim. Quais as maiores deficiências e/ou dificuldades dos alunos que entram no curso do O Povo. E as maiores potencialidades? Além da resposta anterior, poderia dizer que lhes falta um conjunto de experiências culturais, históricos e até sobre conjuntura. O alcance das leituras, de modo geral, também é restrito. Quantos às potencialidades, destaco a vontade de aprender e o ânimo que vejo na maioria dos que são selecionados em seguir a carreira de jornalistas. Há uma reclamação quase constante de que os focas chegam crus à redação. Mas se o intuito da faculdade é formar um profissional, o que pode estar acontecendo no curso? É a velho debate entre formação teórica e prática. A meu ver, se a faculdade conseguisse dar uma boa formação teórica, despertar nos alunos o desejo de conhecimento, e lhes ampliasse o repertório cultural e humanístico - seria o melhor dos mundos. A prática é mais fácil de aprender. Em seis meses em uma redação um recém-formado, se tiver boa formação, vai conseguir dominar os instrumentos básicos para se iniciar na profissão. Os candidatos chegam com noções de empreendedorismo, vontade e/ou curiosidade de conhecer outras frentes de atuação, como comunicação corporativa ou assessoria de imprensa, por exemplo? Dos que são selecionados para o projeto, a grande maioria prefere o jornalismo. Quanto ao empreendorismo, também as demonstrações de interesse são restritas.
Você enxerga algum tipo de mudança nas faculdades? Ou ainda há resistência em ‘acompanhar’ o mercado? Percebo - mas é apenas uma impressão - que uma nova geração de professores das universidades públicas está se afastando daquele ranço de que a redação é o "locus do mal". Veja-se também que a maioria das faculdades particulares (cujo número aumento bastante) têm uma preocupação quase que exclusiva com o mercado. Não tenho conhecimento profundo dos currículos. Mas uma área na qual as faculdades poderiam investir seria o chamado "empreendedorismo".
É possível apontar algumas faculdades de jornalismo que costumam render estagiários de melhor qualidade? Como no projeto que coordeno há uma seleção prévia, os estudantes que entram no curso têm nível equivalente. Mas, de modo geral, há de se reconhecer que as universidades públicas levam certa vantagem. Creio que isso é reflexo da seleção mais rigorosa dos estudantes que entram nessas faculdades.
Há exigência de estar cursando a faculdade de jornalismo? A empresa acredita na importância do diploma? Para entrar nos Novos Talentos é necessário estar cursando faculdade de jornalismo. E O Povo , mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma, continua contratando somente profissionais com formação específica em jornalismo.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
No debate, temas como a qualidade do estudante que chega às redações e suas principais qualidades e carências, a especificidade do jornalismo em relação à comunicação social, a atualização digital, a dinâmica ideal entre teoria e prática, a regionalização do ensino, entre outros. A matéria completa pode ser lida na edição 287 de IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Diretor do jornal comenta dificuldade dos estudantes no estágio
Até a próxima sexta (8/3), publicaremos no portal as entrevistas com os responsáveis pelos programas de treinamento dos jornais Folha de S.Paulo ( ), O Estado de S. Paulo ( ), O Globo ( ), O Povo e da TV Globo.
mação teórica, despertar o desejo de conhecimento e ampliar o repertório cultural e humanístico. Para ele, "a prática é mais fácil de aprender". "Em seis meses em uma redação, um recém-formado, se tiver boa formação, vai conseguir dominar os instrumentos básicos para se iniciar na profissão", afirmou.
Acompanhe outros trechos da entrevista.
IMPRENSA - A grade curricular das faculdades condiz com o mercado que os jornalistas encontram hoje? Por quê? Plínio Bortolotti - Sempre haverá um descompasso entre as grades das universidades e o "mercado", mas isso é compreensível. De qualquer modo, a formação universitária em jornalismo no Brasil é um híbrido entre estudos teóricos e a prática jornalística. Como você vê o nível geral de preparo dos universitários que chegam ao Programa? O Curso Novos Talentos O Povo para Estudantes de Jornalismo faz uma seleção rigorosa, com base em provas e entrevistas. Portanto, é difícil ter uma "visão geral" dos alunos de jornalismo tendo como referência os que são aprovados para o projeto. No entanto, pode-se dizer que um dos principais problemas práticos é a dificuldade que boa parte dos estudantes têm em organizar um texto de faça sentido, com coerência e coesão. Ou seja, ele têm dificuldade em contar - ou relatar - uma história com começo, meio e fim. Quais as maiores deficiências e/ou dificuldades dos alunos que entram no curso do O Povo. E as maiores potencialidades? Além da resposta anterior, poderia dizer que lhes falta um conjunto de experiências culturais, históricos e até sobre conjuntura. O alcance das leituras, de modo geral, também é restrito. Quantos às potencialidades, destaco a vontade de aprender e o ânimo que vejo na maioria dos que são selecionados em seguir a carreira de jornalistas. Há uma reclamação quase constante de que os focas chegam crus à redação. Mas se o intuito da faculdade é formar um profissional, o que pode estar acontecendo no curso? É a velho debate entre formação teórica e prática. A meu ver, se a faculdade conseguisse dar uma boa formação teórica, despertar nos alunos o desejo de conhecimento, e lhes ampliasse o repertório cultural e humanístico - seria o melhor dos mundos. A prática é mais fácil de aprender. Em seis meses em uma redação um recém-formado, se tiver boa formação, vai conseguir dominar os instrumentos básicos para se iniciar na profissão. Os candidatos chegam com noções de empreendedorismo, vontade e/ou curiosidade de conhecer outras frentes de atuação, como comunicação corporativa ou assessoria de imprensa, por exemplo? Dos que são selecionados para o projeto, a grande maioria prefere o jornalismo. Quanto ao empreendorismo, também as demonstrações de interesse são restritas.
Você enxerga algum tipo de mudança nas faculdades? Ou ainda há resistência em ‘acompanhar’ o mercado? Percebo - mas é apenas uma impressão - que uma nova geração de professores das universidades públicas está se afastando daquele ranço de que a redação é o "locus do mal". Veja-se também que a maioria das faculdades particulares (cujo número aumento bastante) têm uma preocupação quase que exclusiva com o mercado. Não tenho conhecimento profundo dos currículos. Mas uma área na qual as faculdades poderiam investir seria o chamado "empreendedorismo".
É possível apontar algumas faculdades de jornalismo que costumam render estagiários de melhor qualidade? Como no projeto que coordeno há uma seleção prévia, os estudantes que entram no curso têm nível equivalente. Mas, de modo geral, há de se reconhecer que as universidades públicas levam certa vantagem. Creio que isso é reflexo da seleção mais rigorosa dos estudantes que entram nessas faculdades.
Há exigência de estar cursando a faculdade de jornalismo? A empresa acredita na importância do diploma? Para entrar nos Novos Talentos é necessário estar cursando faculdade de jornalismo. E O Povo , mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma, continua contratando somente profissionais com formação específica em jornalismo.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves






