Estudante negra registra BO contra professor que a impediu de ser âncora em exercício por causa do cabelo
Uma estudante negra, que cursa jornalismo em uma faculdade particular do nordeste do Brasil, registrou Boletim de Ocorrência por injúria racial contra um professor que a impediu de ser âncora em um exercício do curso no mês de maio, porque o cabelo crespo da aluna “chamaria mais atenção do que a notícia”.
A estudante fez a denúncia ao portal R7, que lhe atribuiu o nome fictício de Fernanda para reportar o caso. “Eu só queria que ele me pedisse desculpas e soubesse o quanto foi cruel com os meus sentimentos. A universidade também não deu importância para os meus sentimentos“, disse a universitária sobre o professor, que tem formação em fonaudiologia e ministra a aula de Comunicação e Expressão Oral.
Fernanda relata que fez a denúncia à Ouvidoria da Faculdade, mas houve uma tentativa de minimizar o ocorrido e providências não foram tomadas. A advogada Mayara Silva, que representa a universitária, acredita que o caso é claro de racismo.
“Dizer que alguém não pode ocupar um espaço para o qual ela tem total capacidade, competência e desejo só por causa do cabelo é um caso de racismo escancarado. Na aula, o professor declarou, mesmo não sendo especialista na área, que aquele determinado tipo de cabelo não servia. Logo, todos com aquele cabelo, seja homens ou mulheres, são incluídos na fala dele sobre uma característica de raça. Ou seja, está atingindo uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça“, disse a advogada, levando em conta os artigos da lei 7.716/89 do código civil.
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