Estudante é processada pela OAB-PE por ofensas aos nordestinos no Twitter

Estudante é processada pela OAB-PE por ofensas aos nordestinos no Twitter

Atualizado em 03/11/2010 às 16:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Atualizada às 18h39

A seção de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) afirmou que vai entrar com representação criminal na Justiça de São Paulo nesta quarta-feira (3), em razão das diversas ofensas aos nordestinos publicadas no Twitter, após a vitória de Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (31). Os ataques relacionavam o bom resultado da candidata ao eleitores nordestinos, informa o jornal O Globo .

O alvo da ação é a estudante de Direito Mayara Petruso, da capital paulista, que teria iniciado as ofensas. Segundo Henrique Mariano, presidente da OAB-PE, a estudante deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (passível de detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens publicadas pela universitária está: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado". Para Mariano, "são mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrarias à função social da sua profissão".

Outras frases postadas por Mayara foram: "Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil" e "Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral".

As mensagens geraram reação nos microblogs com a criação da hashtag #orgulhodesernordestino, tópico entre os primeiros no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da OAB já havia prestado queixa à Polícia Federal (PF) contra cerca de dez usuários da rede social por mensagens ofensivas à população do Nordeste, após as enchentes na região.

"Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorrerão nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado", completa Mariano. Segundo ele, o tom agressivo da campanha eleitoral pode ter estimulado os ataques na internet.

Devido à polêmica e às diversas respostas recebidas, a estudante cancelou tanto seu perfil no Twitter, quanto no Facebook. Pelo Orkut, ela pediu desculpas aos nordestinos. "Minhas sinceras desculpas ao post colocado no ar, o que era algo pra atingir outro foco acabou saindo fora de controle", escreveu em seu perfil.

Além do processo em que será ré, Mayara Petruso perdeu seu estágio no escritório Peixoto e Cury Advogados, de São Paulo (SP). Segundo informa a Folha.com, a chefia do escritório só soube pela mídia da repercussão dos comentários da estudante e a demitiu. "Com muito pesar e indignação, [o Peixoto e Cury Advogados] lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis".

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