“Estamos vivendo um Fla-Flu ideológico”, diz Trajano sobre intolerância nas redes sociais
Jornalista comenta polêmicas e suas conclusões sobre a Copa do Mundo.
Atualizado em 22/07/2014 às 15:07, por
Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues*.
Considerado um dos principais jornalistas do país, o carioca José Trajano, 67, tem muitas histórias para contar. Sem saber ao certo que rumo seguir, aos 16 anos entrou para a equipe do Jornal do Brasil com a ajuda do primo, o jornalista Luiz Orlando Carneiro. Desde então, encantou-se com o ofício e nunca mais largou.
Com passagens por publicações como Correio da Manhã , Última Hora , Jornal dos Sports , O Globo , Diário de Notícias , Placar , Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo , Trajano tornou-se pioneiro na cobertura esportiva. Em 1994, Júlio Bartollo, que trabalhava na Editora Abril, convidou o colega para ajudá-lo na criação da TVA Sports, canal de TV a cabo criado pela empresa. Um ano depois, a emissora foi adquirida pela ESPN, que ficou sob seu comando durante 18 anos.
Crédito:Luiz Murauskas José Trajano critica o Fla-Flu ideológico da imprensa brasileira
Fla-Flu ideológico
A Copa do Mundo de 2014 foi a primeira na qual Trajano não estava à frente do canal por assinatura. Para ele, o Mundial foi permeado por política e ausência de tolerância da população, principalmente nas redes sociais. “Estamos vivendo um Fla-Flu ideológico”, avalia.
O jornalista vivenciou um episódio semelhante durante a Copa. Ao criticar os xingamentos dirigidos por uma parcela elitizada do público presente na Arena Corinthians, em Itaquera, à presidente Dilma Rousseff (PT), na abertura do evento, Trajano nomeou os que, segundo ele, “semeiam o ódio e a inveja” nas redes: Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Diogo Mainardi e Augusto Nunes.
O comentário ganhou repercussão com os questionamentos do jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Veja , Folha de S.Paulo e apresentador da Jovem Pan, que publicou dois textos atacando Trajano. Segundo ele, a ESPN era uma "espécie de gaiola das loucas do luto-esquerdismo".
Depois disso, após a vitória do Uruguai sobre a Inglaterra, Trajano desistiu de falar ao vivo de dentro do Itaquerão, pois torcedores ao redor gritavam "Trajano vendido". “Há muito ódio e rancor. As redes sociais transformaram-se num debate cruel. A maior parte das pessoas não respeita a opinião do outro. Deixei de lado, pois não vou perder meu tempo. Isso cria um antagonismo muito odiento”, ressalta.
Para ele, o mundo digital provocou uma alienação muito grande nos novos profissionais. "As pessoas perdem muito tempo no seu Facebook, WhatsApp, Twitter etc.", diz. O comentarista, entretanto, pondera que não se pode generalizar. "Também conheço muita gente jovem, preocupada, de talento, que serão grandes jornalistas", acrescenta.
Barrigada
A repercussão da entrevista de Mário Sergio Conti com um sósia do técnico Luiz Felipe Scolari também deu o que falar na internet. O diálogo entre eles foi relatado no texto "Felipão sobre Neymar: 'Se tivéssemos três como ele, a Copa seria uma tranquilidade'" — publicado pela Folha e O Globo . Horas depois, os veículos admitiram o erro e retiraram a matéria do ar.
Segundo Trajano, há um grande preconceito contra a imprensa esportiva por parte de alguns jornalistas que também não pouparam comentários sobre a Copa. "Alguns olham enviesados para o jornalismo esportivo. Eu acho cômico o que aconteceu. Eu não vou ficar pegando no pé. Só acho engraçado porque o mundo dá voltas. É bom para aprender", pondera.
Conclusões sobre a Copa
O jornalista avalia que o grande problema em torno da Copa é que, caso houvesse uma opinião contra a sua realização ou sobre a Seleção Brasileira, o profissional era visto contra o governo Dilma. "O Brasil é melhor que a Seleção Brasileira", diz ao citar a de Antonio Prata, publicada na Folha após a derrota.
Para ele, a Copa foi muito boa dentro e fora de campo — exceto a atuação seleção brasileira — e serviu para promover dois legados: a prisão dos envolvidos na máfia dos ingressos e alertar para a necessidade de reformar o futebol brasileiro.
Acompanhe o perfil do jornalista na edição 303, de agosto, da revista IMPRENSA.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Com passagens por publicações como Correio da Manhã , Última Hora , Jornal dos Sports , O Globo , Diário de Notícias , Placar , Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo , Trajano tornou-se pioneiro na cobertura esportiva. Em 1994, Júlio Bartollo, que trabalhava na Editora Abril, convidou o colega para ajudá-lo na criação da TVA Sports, canal de TV a cabo criado pela empresa. Um ano depois, a emissora foi adquirida pela ESPN, que ficou sob seu comando durante 18 anos.
Crédito:Luiz Murauskas José Trajano critica o Fla-Flu ideológico da imprensa brasileira
Fla-Flu ideológico
A Copa do Mundo de 2014 foi a primeira na qual Trajano não estava à frente do canal por assinatura. Para ele, o Mundial foi permeado por política e ausência de tolerância da população, principalmente nas redes sociais. “Estamos vivendo um Fla-Flu ideológico”, avalia.
O jornalista vivenciou um episódio semelhante durante a Copa. Ao criticar os xingamentos dirigidos por uma parcela elitizada do público presente na Arena Corinthians, em Itaquera, à presidente Dilma Rousseff (PT), na abertura do evento, Trajano nomeou os que, segundo ele, “semeiam o ódio e a inveja” nas redes: Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Diogo Mainardi e Augusto Nunes.
O comentário ganhou repercussão com os questionamentos do jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Veja , Folha de S.Paulo e apresentador da Jovem Pan, que publicou dois textos atacando Trajano. Segundo ele, a ESPN era uma "espécie de gaiola das loucas do luto-esquerdismo".
Depois disso, após a vitória do Uruguai sobre a Inglaterra, Trajano desistiu de falar ao vivo de dentro do Itaquerão, pois torcedores ao redor gritavam "Trajano vendido". “Há muito ódio e rancor. As redes sociais transformaram-se num debate cruel. A maior parte das pessoas não respeita a opinião do outro. Deixei de lado, pois não vou perder meu tempo. Isso cria um antagonismo muito odiento”, ressalta.
Para ele, o mundo digital provocou uma alienação muito grande nos novos profissionais. "As pessoas perdem muito tempo no seu Facebook, WhatsApp, Twitter etc.", diz. O comentarista, entretanto, pondera que não se pode generalizar. "Também conheço muita gente jovem, preocupada, de talento, que serão grandes jornalistas", acrescenta.
Barrigada
A repercussão da entrevista de Mário Sergio Conti com um sósia do técnico Luiz Felipe Scolari também deu o que falar na internet. O diálogo entre eles foi relatado no texto "Felipão sobre Neymar: 'Se tivéssemos três como ele, a Copa seria uma tranquilidade'" — publicado pela Folha e O Globo . Horas depois, os veículos admitiram o erro e retiraram a matéria do ar.
Segundo Trajano, há um grande preconceito contra a imprensa esportiva por parte de alguns jornalistas que também não pouparam comentários sobre a Copa. "Alguns olham enviesados para o jornalismo esportivo. Eu acho cômico o que aconteceu. Eu não vou ficar pegando no pé. Só acho engraçado porque o mundo dá voltas. É bom para aprender", pondera.
Conclusões sobre a Copa
O jornalista avalia que o grande problema em torno da Copa é que, caso houvesse uma opinião contra a sua realização ou sobre a Seleção Brasileira, o profissional era visto contra o governo Dilma. "O Brasil é melhor que a Seleção Brasileira", diz ao citar a de Antonio Prata, publicada na Folha após a derrota.
Para ele, a Copa foi muito boa dentro e fora de campo — exceto a atuação seleção brasileira — e serviu para promover dois legados: a prisão dos envolvidos na máfia dos ingressos e alertar para a necessidade de reformar o futebol brasileiro.
Acompanhe o perfil do jornalista na edição 303, de agosto, da revista IMPRENSA.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





