Estamos assumindo a guarda da geração Y, diz diretora de conteúdo da Vice Brasil

Em entrevista à IMPRENSA, Fernanda Negrini revela os planos da plataforma para conquistar os leitores do futuro.

Atualizado em 24/09/2014 às 15:09, por Lucas Carvalho*.

Mais de três milhões de curtidas no Facebook, cerca de 16 mil seguidores no Twitter e algo em torno de um milhão de visitantes únicos por mês. Estes são os números de audiência de um site de notícias e entretenimento cuja versão brasileira estreou apenas cinco anos atrás. Trata-se da .
Crédito:Divulgação Fernanda Negrini é diretora de conteúdo da Vice Brasil
Textos em primeira pessoa, narrando o passo a passo da apuração de uma pauta, com gírias e figuras de linguagem típicas dos jovens nascidos na década de 1990 formam a personalidade do conteúdo da Vice. O objetivo da plataforma, no mundo todo, é atingir a chamada “geração Y”, largando na frente na disputa pelo público digital de amanhã.
“Os leitores da Vice são, na sua grande maioria, jovens da geração Y globalizados e formadores de opinião que buscam entretenimento e informação e têm interesses variados”, diz Fernanda Negrini, diretora de conteúdo da Vice Brasil. “Somos o primeiro grupo de mídia jovem do mundo que faz jornalismo de qualidade criado por jovens e para jovens.”
A plataforma Vice surgiu em 1994 como uma revista publicada no Canadá. Após migrar para o formato digital, hoje o canal possui sede em Nova York, nos EUA, com mais de 4,5 mil colaboradores no mundo todo e versões em 34 países. O escritório brasileiro, localizado em São Paulo (SP), tem 100 funcionários e mais diversos colaboradores.
O conteúdo gerado entre todas as redações da Vice pode ser visto em diferentes línguas em todos esses países. Segundo Fernanda, a característica principal dos sites não difere de um país para outro. “Simplesmente fazemos conteúdo que nos interessa e interessa aos jovens”, diz.
“Os textos da Vice refletem muito a personalidade e estilo de quem os escreve, e estamos com um número cada vez maior de jornalistas colaborando com a gente. Na maioria das vezes, eles entendem profundamente do assunto que estão cobrindo. Se estão falando de rap, de funk, de hardcore sabem muito sobre a cena. Se estão falando de ciência, tecnologia, games, também são experts. O mesmo vale para sexo, notícias, fotografia etc. E quando não sabem, fazem uma imersão na história e ela é mostrada na matéria. Muita gente tenta oferecer pauta ou escrever textos ‘com a cara da Vice’, isso nunca dá certo”, acrescenta Fernanda.
Segundo a jornalista, o público de hoje na internet tem interesses muito variados, sempre em busca de conteúdo autêntico e original. “Costumamos dizer que o jovem de hoje possui um detector de enrolação hiperapurado e que o único jeito de passar por esse detector é não enrolá-los”, acrescenta. Para atender essa demanda, a Vice hoje se divide em diferentes canais de conteúdo temático.
Entre as plataformas, estão o , dedicado à arte e criatividade; o , voltado à divulgação musical; o , que cobre o mundo da música eletrônica; e o , canal voltado para tecnologia e ciência. Em breve chegará ao Brasil as versões brasileiras do Vice News, um canal só de notícias; o Vice Sports; totalmente voltado para cultura dos esportes; e o Munchies, focado em gastronomia.
“Acho que o maior diferencial é que cobrimos pautas que os outros veículos não cobrem. Ou se cobrimos as mesmas pautas é de um jeito diferente. [...] Se a gente gosta da pauta e acha que ela vai trazer algo novo, algo diferente e relevante a gente faz”, diz Fernanda.
Por fim, a editora diz que acredita que o estilo de fazer jornalismo da Vice é uma tendência para o futuro da comunicação nas mais diversas mídias. “A forma mais tradicional de jornalismo feita pela maioria dos veículos não desperta o interesse da geração Y. O público desses veículos está ficando cada vez mais velho. Eles precisam encontrar uma forma de se comunicar e engajar com esse público se quiserem sobreviver. Como diz o Shane Smith, fundador da Vice, a cada geração acontece uma troca da guarda na mídia e a Vice está assumindo o posto da geração Y.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves