"Espero que a Folha peça desculpas para a sociedade", diz Ivan Seixas
"Espero que a Folha peça desculpas para a sociedade", diz Ivan Seixas
"Espero que a Folha peça desculpas para a sociedade", diz Ivan Seixas
PorO programa "IMPRENSA na TV "desta segunda-feira (2) recebeu o jornalista Ivan Seixas para discutir a polêmica em torno do editorial do jornal Folha de S.Paulo que classificou a ditadura militar brasileira como "branda".
| Geração Books/Divulgação |
| Ivan Seixas |
O jornalista relatou à audiência do "IMPRENSA na TV" o período que permaneceu preso nas dependências do DOI-CODI de São Paulo e o episódio do dia de sua prisão e de seu pai, que o iniciou na miltância contra a ditadura. No dia anterior, um dos integrantes do movimento em que atuavam ele e seu pai, sob tortura, viu-se obrigado a revelar o ponto de encontro de alguns dos membros do movimento, o que acabou por entregá-los às mãos da polícia.
Seixas e seu pai foram espancados juntos, literalmente. Unidos por uma algema, os dois foram agredidos pelos agentes do DOI-CODI de tal forma que quem passava pelo local pedia clemência aos policiais, que respondiam com rajadas de metraladora para o alto, pondo fim a qualquer tipo de protesto.
Pai e filho foram postos na mesma sala, cada em um instrumento de tortura diferente. Ivan Sanches pendurado pelos pés em um pau-de-arara, seu pai na chamada "Cadeira do Dragão", inspirada nas cadeiras elétricas norte-americanas. Ele conta que não via a tortura de seu pai, mas podia ouvir seus gritos e xingamentos aos torturadores. Após uma noite de torturas e brutalidades, Seixas revelou onde morava por pensar que sua família (irmã e mãe) já tivesse fugido do local. Estava enganado. A polícia invadiu sua casa, agrediu sua família e saqueou tudo o que podia ser carregado.
No dia seguinte, Seixas foi retirado da cela e levado para uma simulação (fato que só descobriria depois) de um fuzilamento, artifício usado pelos agentes de segurança como forma de tortura psicológica. No trajeto até o local, o jornalista viu que a machente do extinto Folha da Tarde noticiava a morte de um terrorista. No caso, seu pai. De fato, ele não sairia vivo da seção de torturas, mas no dia da manchete do diário, seu pai ainda estava vivo.
O jornalista, à época com 16 anos, ainda passaria muito tempo encarcerado sem qualquer acusação formal. Depois de três anos das dependências do DOI-CODI, foi transferido para um hospital psiquiátrico na cidade de Taubaté (SP).
Ainda sobre o editorial da Folha de S.Paulo , Ivan declarou que o diário deve desculpas não a ele; mas a toda sociedade brasileira e, especialmente, ao jurista Fábio Konder Comparato e à cientista política Maria Victoria Benevides por ter classificado a reação dos dois como "cínica e mentirosa".
O jornalista questionou, ainda, o posicionamento do jornal e declarou que a atitude do periódico pode ser vista como "saudade do antigo Regime".
Quanto aos rumores da possível instalação de uma ditadura de esquerda do movimento armado contra o Regime Militar, questão levantada pela apresentadora Thaís Naldoni, Ivan Seixas sentenciou que este tipo de pensamento era fomentado pelos "papagaios da direita". Ele afirma que a intenção do movimento era libertar o Brasil da influência norte-americana. "O fato de termos a ideologia de esquerda não quer dizer que queríamos isso (instaurar uma ditadura)...lutávamos pela liberdade, tínhamos uma proposta de libertação nacional e expulsar a influência americana".
A militância de Seixas lhe rendeu, além de histórias e engajamento político, uma vértebra quebrada que provoca fortes dores nas costas. Mas ele salienta que sua maior herança foi a consciência de saber que cada uma de suas investidas contra o regime contribuia para construção da história da democracia do Brasil. "Não éramos vítimas, nem heróis; éramos personagens da história...eles [torturadores] eram inimigos da humanidade, tenho notícias de que muitos deles enlouqueceram pelo que fizeram. E repito, tínhamos consciência que éramos agentes da história".
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