Especialistas em recrutamento dão dicas para compor o currículo ideal

Nem uma versão de “Eduardo e Mônica”, nem um samba de uma nota só: para fazer um bom currículo, a inspiração está mais para “Construção”, de

Atualizado em 05/09/2013 às 15:09, por Camilla Demario.

Chico Buarque. Frases curtas, rimas raras (ou melhor, nada de rimas), uma história bem contada, ainda que com palavras repetidas. “O currículo deve apresentar sua trajetória com início, meio e perspectiva de futuro. Mostra que você foi planejado, desenhou seu caminho e está trilhando-o”, conta Vanessa Frainer, gerente de recrutamento e seleção da RBS, grupo de comunicação do Sul do país.
Crédito: Arte sobre Morguefile Mas com tantos concorrentes para vagas cada vez mais raras, como fazer com que seu currículo se destaque numa pilha em cima da mesa ou não fique perdido numa abarrotada caixa de email? A primeira regra parece óbvia, mas Paula Leite, gerente do Treinamento de Trainees do jornal Folha de S.Paulo, garante que muita gente é desclassificada já de cara por não cumprir: siga as instruções de envio exigidas pelo contratante. “Na Folha sempre pedimos currículos no corpo do email, e é inacreditável o número de pessoas que ignora isso e manda o currículo anexado. Acho meio triste, mas tem de ter atenção”, conta.

Ainda que muitas empresas não aceitem currículos como documento anexo, é importante redigi-lo em um programa de escrita, como Word, para ter sempre guardado um modelo, que deve ser adequado a cada vaga. As primeiras informações, logo no cabeçalho, são os dados pessoais do candidato, como nome completo, endereço, telefone, email e idade. Nada de foto. “Colocar fotos de qualquer natureza não descredencia, mas a chance de não ser um ponto positivo é grande”, diz Vanessa.
Em seguida devem vir empregos anteriores, e aí vale a pena dedicar um pouco mais de tempo e espaço para explicar onde e o que fazia, já que muitos veículos de comunicação regionais são pouco reconhecidos nacionalmente, mas têm relevância para seu mercado – por isso é fundamental contextualizar o alcance da empresa, assim como especificar as atividades do antigo cargo. “Como tem uma variação muito grande de veículo para veículo, às vezes a gente não tem ideia de qual era o trabalho que fazia”, diz Paula.
Por exemplo: um repórter de online, que além de fazer matéria ainda editava a página na internet e ajudava a fechar o caderno impresso, deve sim listar essas atribuições. “Acho que um parágrafo pequeno resumindo as atribuições das atividades já resolve”, reforça Paula. Para Vanessa, muitos jornalistas exageram na hora de “mostrar serviço”, e, na ânsia de apresentar seu trabalho, acabam esquecendo que o recrutador terá menos de um minuto para avaliar seu currículo. “Acho que deve ter três experiências detalhadas, como projetos como protagonista, e quando não for relevante, apenas citar.
Com relação a experiência, é importante dizer também a duração do vínculo, não apenas em qual ano esteve na empresa. Por exemplo, ‘repórter de tal jornal em 2005’. Foi um mês ou um ano? Assim parece que o candidato não é transparente”, diz. Tiago Yonamine, fundador do Trampos, site de vagas nas áreas de comunicação, internet e tecnologia de informação, atenta para os erros de português. “Erros de grafia também são bastante comuns, tanto que alguns recrutadores alfinetam os candidatos colocando como exigência na descrição da vaga ‘português fluente’.”
Barba, cabelo e bigode Como as habilidades exigidas por cargo também cresceram, vale a pena citar cursos de capacitação específicos, como de edição de fotografia, por exemplo, mas apenas para cursos com mais de 150 horas de aula. “Em geral essa capacitação vai resultar em um portfólio mais atrativo”, explica Vanessa.
Para quem acabou de sair da faculdade e ainda não coleciona contratações, o ideal é apresentar primeiro a formação acadêmica, dizendo onde e quando fez faculdade – e se obteve algum destaque na turma, cursos de extensão, de idiomas, participações em jornal-laboratório, intercâmbios e trabalhos voluntários. “Às vezes a gente descobre só na entrevista que o candidato foi para a Guatemala com uma ONG ajudar a construir casas, e essas informações são importantes para a gente”, diz Paula.
“Os profissionais de comunicação em geral têm abertura para fazer currículos fora dos padrões clássicos, mas o importante é não cometer excessos. Currículos assim muitas vezes são deixados de lado por serem difíceis de compreender numa leitura rápida. Como recrutador, já vi casos absurdos, como currículo sem email ou telefone para contato ou layouts tão ‘inovadores’ que ficava difícil de saber para qual vaga o profissional estava se candidatando”, diz Yonamine.
Outra dica de ouro é apresentar currículos personalizados, para que quem o veja saiba por que você é bom para aquela vaga, e não em geral. Vanessa lembra ainda que jornalistas com trabalhos publicados na internet devem sim linkar para que possa ser feita a checagem, mas no máximo cinco matérias. “Um currículo que explique as funções aliado a um portfólio que ilustre esses trabalhos mostra de maneira eficaz seus conhecimentos em diversas áreas”, completa Yanomine.
Para finalizar, nada de trapaças quando o assunto é idiomas. Seja honesto sobre sua fluência em qualquer língua, já que muitas empresas realizam testes orais e escritos para comprovar a proficiência. “Alguns profissionais colocam que são fluentes, têm intercâmbio, mas não conseguem tirar nem a pontuação mínima. É muito feio. A gente descredencia o currículo do candidato para sempre”, diz Vanessa.